sexta-feira, 8 de março de 2019

RACHEL DE QUEIROZ



  . Rua Rita Lutolf, 43 - Leblon  

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Possuidora de uma vasta obra, Rachel de Queiroz (1910-2003) escreveu romances, contos e crônicas, além de literatura infanto-juvenil, antologias e peças de teatro. De 1930 a 2002 foram publicadas cerca de 17 obras da autora, que a credenciam como uma das grandes escritoras brasileiras do século XX, motivo de nossa homenagem em comemoração ao Dia Internacional da Mulher.


“Eu nunca fui uma moça bem-comportada. 
Pudera, nunca tive vocação pra alegria tímida, pra paixão sem orgasmos múltiplos ou pro amor mal resolvido sem soluços. 
Eu quero da vida o que ela tem de cru e de belo. 
Não estou aqui pra que gostem de mim. 
Estou aqui pra aprender a gostar de cada detalhe que tenho”.


Nascida em Fortaleza, Rachel residiu em vários endereços em nossa cidade, antes de se fixar no Leblon.

Rachel de Queiroz foi nossa vizinha ilustre no Leblon, 
na Rua Rita Lutolf,  43 , em um prédio que tem o seu nome.







Anteriormente residiu durante 14 anos na 
Rua Cândido Mendes, no bairro da Glória
e durante 12 anos na
Rua Carlos Ilídio, no bairro do Cocotá, na Ilha do Governador
onde seu marido, Oyama, era médico do Hospital Paulino Werneck.

As praias, com águas limpas da Ilha do Governador, e os cinemas “Itamar”, da Freguesia e “Jardim”, da Ribeira, eram os locais mais frequentados pela escritora.



Na foto a residência de Rachel de Queiroz em 1945, na Ilha do Governador, 
local atualmente ocupado por um condomínio.
Foto : O Cruzeiro

Ela foi tradutora, romancista, escritora, jornalista, cronista e importante dramaturga brasileira, descrevendo em sua obra a ficção social nordestina. Primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras -  em 1977 - foi, também, a primeira mulher a receber o Prêmio Camões, em 1993, pelo romance Memorial de Maria Moura, publicado no ano anterior.

Filha de intelectuais, Rachel de Queiroz nasceu no dia 17 de novembro de 1910 e sua bisavó materna era prima de José de Alencar. Aos 7 anos sua família muda-se para o Rio de Janeiro e, em seguida, para Belém do Pará. Após dois anos, retornam ao Ceará e Rachel torna-se aluna interna do “Colégio Imaculada Conceição”. Com apenas 15 anos de idade, forma-se professora de História.

Sob o pseudônimo de “Rita de Queiroz”, a escritora publica crônicas no Jornal do Ceará e é convidada para permanecer e colaborar nesse jornal como repórter.





Seu primeiro romance, “O Quinze”, publicado em 1930 - a capa da primeira edição ao lado -  retrata a seca de 1915 no Nordeste e a realidade dos retirantes nordestinos. A obra, bem recebida pelo público, foi agraciada com o prêmio da Fundação Graça Aranha.








“Eu sou essa gente que se dói inteira porque não vive só na superfície das coisas”.


Resultado de imagem para rachel de queiroz e o marido oyama de macedoMilitante política e afiliada ao Partido Comunista Brasileiro desde 1930, casa-se, em 1932, com o poeta José Auto da Cruz Oliveira, separando-se em 1939.
No ano seguinte, casa-se com o médico Oyama de Macedo - com ela na foto ao lado -  com quem viveu por 42 anos, até a morte do marido, em 1982.


“Não sou feminista. Acho que a sociedade tem que crescer em conjunto. A associação mulher e homem é muito boa e acho um grande erro combater o homem”.



Curiosidades

. A Escola de Samba União da Ilha falou esse ano de Rachel de Queiroz.
O enredo foi  “ A PELEJA POÉTICA ENTRE RACHEL E ALENCAR NO AVARANDADO DO CÉU”.  Ela foi o elo entre o Ceará, a Ilha do Governador e a União da Ilha, já que por lá morou e chegou até a escrever sobre o Carnaval da região, muito antes da escola ser fundada. "As três marias", "O quinze" e "Memorial de Maria Moura" serviram como inspiração direta de  algumas fantasias e alegorias.

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. Com a chegada da primeira mulher à Academia, seus colegas tiveram que cuidar de detalhes, antes desnecessários: mandaram fazer um banheiro feminino, na sede da ABL,e pensaram em um modelo feminino de fardão.





Aos 92 anos, no dia 4 de novembro de 2003, na cidade do Rio de Janeiro, descansando em sua rede em seu apartamento no Leblon, faleceu Rachel de Queiroz.


“A gente nasce e morre só. E talvez por isso mesmo é que se precisa tanto de viver acompanhado”.




terça-feira, 5 de março de 2019

VILLA - LOBOS



  . Avenida Graça Aranha, 145 - Centro  



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Principal responsável pela descoberta de uma linguagem peculiarmente brasileira em música, Considerado, ainda em vida, o maior compositor das Américas, Heitor Villa - Lobos (1887-1959) compôs cerca de 1.000 obras que contêm nuances das culturas regionais brasileiras, com os elementos das canções populares e indígenas.

Sua mãe queria vê-lo médico, mas influenciado pelo pai, músico amador, já aos 12 anos interessou-se pela intensa musicalidade dos "chorões", representantes da melhor música popular do Rio de Janeiro.Daí que no início dos anos 20, como conseqüência desse envolvimento com o choro, começa a compor um ciclo de quatorze obras, para as mais diversas formações, intitulado "Choros". Aquela música urbana se mescla a modernas técnicas de composição.

O ano de 1915 marca o início da apresentação oficial de Villa-Lobos como compositor, com uma série de concertos no Rio de Janeiro. Na época, casado com a pianista Lucília Guimarães, ganha a vida tocando violoncelo nas orquestras dos teatros e cinemas cariocas, ao mesmo tempo em que escreve suas obras. Mas os jornais publicam críticas contra a modernidade de sua música. Outro instrumento importante na produção musical de Villa-Lobos é o piano, que era tocado por sua primeira mulher, Lucília Guimarães. Ela auxiliou bastante o compositor com correções em suas primeiras obras, já que a formação musical de Lucília era mais sólida que a do marido, que foi, em grande medida, um autodidata.

Já bastante conhecido no meio musical brasileiro, empreende viagens à Europa. Na primeira, 1923, começa a entrar no ambiente artístico parisiense através de Tarsila do Amaral e abre seus ouvidos para a música de Igor Stravinsky. Em 1927, o compositor retorna a Paris para uma temporada de três anos, desta vez em companhia de Lucília Villa-Lobos, sua mulher, e ganha prestígio internacional, forte impressão no público e na crítica, ao mesmo tempo em que provoca reações por suas ousadias musicais. No segundo semestre de 1930, Villa-Lobos - a convite - retorna ao Brasil,  e começa uma nova fase.

"Eu não uso o folclore, eu sou o folclore." 
(I don't use folklore, I am the folklore.)
Disse Villa-Lobos durante sua turnê pela Europa

Preocupado com o descaso com que a música é tratada nas escolas brasileiras, apresenta um revolucionário plano de Educação Musical à Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, que é aprovado. Depois trouxe o projeto, a convite, para o Rio de Janeiro, onde organizou e dirigiu a Superintendência de Educação Musical e Artística que introduziu o ensino da música e do canto coral nas escolas. Com o apoio do então presidente da República, Getúlio Vargas, organiza concentrações orfeônicas grandiosas que chegam a reunir, sob sua regência, até 40 mil escolares, como no "Dia da Independência", o 7 de setembro de 1939. 

Imagem relacionadaAliás, a Era Vargas deu a Villa-Lobos uma grande visibilidade.

Foram publicações, produção de obras patrióticas visando a grande massa brasileira, espelhando o que ele achava: a nação como uma entidade sagrada, e os seus símbolos (entre eles, a bandeira com o lema nacional e o próprio hino nacional) como invioláveis.
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Em 1943 realizou a "Cruzada do Canto Orfeônico" no Rio de Janeiro onde o professor de canto orfeônico passou a ser considerado um fomentador de uma nova identidade nacional.






"Era um espetáculo. 
Tinha algo de vento forte na mata, arrancando e fazendo redemoinhar ramos e folhas; caía depois sobre a cidade para bater contra as vidraças, abri-las ou despedaçá-las, espalhando-se pelas casas, derrubando tudo; quando parecia chegado o fim do mundo, ia abrandando, convertia-se em brisa vesperal, cheia de doçura. Só então percebia que era música, sempre fora música".

da crônica de Carlos Drummond de Andrade publicada 
quando Villa-Lobos morreu 





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Apesar de uma resistência inicial - é o momento da chamada "política da boa vizinhança" praticada pelos Estados Unidos com aliados na 2ª Guerra Mundial -, Villa-Lobos acabou cedendo e aceitando o convite para uma turnê pelos Estados Unidos, em 1944. A partir daí, por lá retorna  várias vezes, onde rege e grava suas obras, recebe homenagens e encomendas de novas partituras.

Villa-Lobos escreveu duas trilhas sonoras para o cinema. A primeira, para o filme "O Descobrimento do Brasil" (1937) , de Humberto Mauro. A segunda foi a trilha sonora do filme "A Flor que não Morreu" ("Green Mansions", 1959) , da MGM, de Mel Ferrer, protagonizado por Audrey Hepburn. 

Villa-Lobos foi nosso vizinho ilustre no Centro do Rio, quando o endereço era Rua Araujo Porto Alegre, 56, hoje Avenida Graça Aranha, 145,com o telefone 22-2453. 
O prédio, hoje comercial, tem uma placa alusiva à moradia do maestro.




Uma curiosidade
As mulheres que influenciaram a arte de Villa-Lobos

A PRIMEIRA Lucília Guimarães (primeira à esq.) com Villa-Lobos (à dir.) numa foto de 1931. Ao lado, reproduções da carta em que o maestro pediu o divórcio e de uma partitura com a letra de Lucília  (Foto: Divulgação )

Lucília Guimarães foi influência decisiva na formação musical de Villa-Lobos. Um divórcio traumático a relegou ao ostracismo.

Durante uma viagem à Europa, em 1936, o músico Heitor Villa-­Lobos surpreendeu sua mulher com uma carta em que pedia o divórcio. Estavam casados havia 22 anos. Ele avisava que não voltaria ao lar. A razão da separação chamava-se Arminda, sua secretária.
Villa-Lobos dedicou a Arminda mais de 50 composições, incluindo a série das Bachianas Brasileiras, sua obra mais conhecida.

Envergonhada por ter sido substituída, Lucília mudou-se para o interior. Foi ser professora de crianças e morreu sozinha em Paraíba do Sul, no interior fluminense, sua terra natal. Não aceitou o divórcio, preservando o sobrenome do marido até o fim da vida.

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. Na foto acima, Lucília Guimarães (primeira à esq.) com Villa-Lobos (à dir.) numa foto de 1931. 

Reproduções da carta em que o maestro pediu o divórcio e de uma partitura com a letra de Lucília 
. Na foto à direita, Villa-Lobos e Arminda


No Brasil, na data de nascimento de Villa-Lobos, 
dia 5 de março
é celebrado o Dia Nacional da Música Clássica.




quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

OSÓRIO DUQUE ESTRADA

Já que estamos falando tanto do HINO NACIONAL...
  . Rua Paissandu, 140 - Flamengo  

Joaquim Osório Duque-EstradaJoaquim Osório Duque-Estrada ( 1870 - 1927)  nasceu em Pati do Alferes,  naquela época ainda pertencente ao município de Vassouras.

Ficou conhecido pela autoria da letra do Hino Nacional Brasileiro. Letra famosa pelas frases em ordem inversa e vocabulário rebuscado.

Era de uma família de militares. Seu pai, tenente-coronel Luís de Azevedo Coutinho Duque-Estrada, figurava entre os amigos do General Osório, de quem Joaquim recebeu o segundo nome. O Marquês do Herval foi seu padrinho. Osório fez seus estudos de humanidades no colégio Pedro II, onde em 1887,  o historiador e professor Sílvio Romero o distinguiu entre os alunos

Osório Duque-Estrada era muito apaixonado, aluno-poeta do Colégio Pedro II, em 1887, ofereceu-nos em seus escritos uma prova de que a República não foi obra de meia dúzia de soldados, e sim desfecho de um longo preparo de opinião. Passou a assinar omitindo o Joaquim.
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É de 1902 a Flora de Maio, o melhor dos seus livros, com prefácio de Alberto de Oliveira.

A arte levou o poeta ao convívio e à amizade de Olavo Bilac, Vicente de Carvalho, Raimundo Correia e Alberto de Oliveira. Ele foi, sem dúvida, menor que os companheiros. Mas aproximou-se dos maiores pela naturalidade do seu canto. Poesia, disse ele uma vez, é emoção; e a emoção é sempre fácil nos seus versos:

Hei de esquecer-te... (digo presunçoso
De cumprir tal protesto) – é bem que esqueça
Quem tanto esquece; altivo e caprichoso,
É justo, um dia, que eu também pareça!...

Hei de varrer de dentro do meu peito
Toda a memória deste amor ingrato! 
E à noite vou beijar, quando me deito, 
Tuas cartas, teu lenço e teu retrato.


Osório Duque-Estrada andava sempre ou muito alegre ou muito zangado. Nos seus dias amáveis, era um conversador cheio de espírito, servido por memória invejável.

Ao magistério, quer na Escola Normal ( atual Instituto de Educação), ou no Colégio Pedro II, levou ele sempre a consciência do professor que exige porque ensina. Era temido pelos maus alunos como era temido pelos maus poetas, em suas críticas literárias nos jornais.

No começo de sua vida pública, serviu como Encarregado de Negócios do Brasil no Paraguai. Para ele o patriotismo era principalmente orgulho nacionalista. Começou a colaborar na imprensa, em 1887, escrevendo os primeiros ensaios na cidade do Rio, como um dos auxiliares de José do Patrocínio na campanha da abolição. Entre 1891 e 1924 colaborou em vários jornais cariocas, entre os quais Correio da Manhã e atuou também como crítico literário do Jornal do Brasil.

Joaquim Osório Duque-Estrada






Na foto ao lado, com a esposa Ilidia Regina Freire de Aguiar, 
com quem teve quatro filhos: Magnus Aguiar Duque Estrada; Cyro Aguiar Duque Estrada; Paulo Aguiar Duque Estrada e Amanda Duque Estrada




Sua letra do Hino Nacional Brasileiro foi um poema escrito em 1909,  há 110 anos, em versos decassílabos e que venceu o  concurso, criado por lei de autoria do escritor Coelho Neto, então deputado, para "a melhor composição poética que se adapte, com todo o rigor do ritmo, à música do Hino Nacional Brasileiro", onde as sílabas tônicas, deveriam garantir o casamento perfeito da nova letra com a velha melodia. No entanto essa letra só foi oficializada como letra do Hino Nacional Brasileiro por meio do Decreto nº 15.671, do presidente Epitácio Pessoa, em 6 de setembro de 1922, véspera do Centenário da Independência do Brasil.

Osório Duque Estrada foi nosso vizinho ilustre no Flamengo 
na Rua Paissandu,140.

E nesta residência faleceu.

O Globo em 7 de fevereiro de 1927

Osório Duque Estrada foi  eleito em 1915 para a cadeira número 17 da Academia Brasileira de Letras, na sucessão de Sílvio Romero, quando foi apresentado por Coelho Neto.

Curiosidades

Osorio Duque Estrada recebeu Cinco Contos de Réis por ter vencido o concurso, e a Letra do Hino escrita em ouro, e teria dado esta peça a uma namorada em sua adolescência. Sumiu!

Osório teve que lutar por 11 anos para que sua letra fosse oficialmente reconhecida e entre 1909 e 1922, dez trechos do Hino foram alterados pelo próprio Osório Duque Estrada.



segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

OSWALDO ARANHA


  . Rua Campo Belo, 199 - Laranjeiras   


Imagem relacionadaOswaldo Aranha (1894- 1960), gaúcho de Alegrete, formou-se em direito pela Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, em 1916, elegendo-se deputado federal em 27. No ano seguinte, com a posse de Getúlio Vargas no governo do Rio Grande, assumiu a pasta de secretário estadual do Interior e Justiça, dando início à sua longa carreira ao lado do caudilho.

Foi um dos principais articuladores da sucessão de Washington Luiz na presidência da República e da Revolução de 1930, que levou Vargas ao poder. Com a deposição de Washington Luiz pelos militares, Aranha negociou a transferência do poder para Getúlio, que se tornaria o mais longevo ditador do Brasil. Oswaldo Aranha assumiu, então, a pasta de Justiça e Negócios Interiores.

Político respeitado, buscava o entendimento, abrindo espaço para as soluções negociadas.

Imagem relacionadaNo final de 1931, trocou o Ministério da Justiça, onde havia promovido a anistia de todos os elementos perseguidos por questões políticas desde 1922, pelo Ministério da Fazenda. Nesta pasta, tomou medidas visando o equilíbrio orçamentário da União, renegociou a dívida externa brasileira e transferiu para o governo federal a condução da política de valorização do café, implementada através da compra de estoques excedentes do produto.

Nomeado por Getúlio para a embaixada do Brasil em Washington, em 1934, Oswaldo Aranha retornou ao Itamaraty em 1947, ao assumir o cargo de ministro das Relações Exteriores, apesar de ser um opositor ao Estado Novo. Nesta ocasião declarou:

“ Entrei para o governo não para servir o Estado Novo, mas decidido a evitar a repercussão de seus malefícios internos na situação internacional do Brasil”. 

Responsável pela entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial, ao lado dos Aliados, foi de sua autoria a costura do acordo com os americanos, apesar da resistência dos generais Eurico Gaspar Dutra e Góes Monteiro e do então ministro da Justiça, Francisco Campos, que eram simpáticos à Alemanha nazista.

Segundo o brasilianista Neill Lochery, “Aranha trabalhou para o Brasil entrar do lado certo na guerra e o país se beneficiou disso”, conseguindo vantagens extraordinárias em termos geopolíticos.

Resultado de imagem para oswaldo aranhaNa condição de chefe da delegação brasileira na Organização das Nações Unidas (ONU), Oswaldo Aranha presidiu a histórica sessão que determinou a Partilha da Palestina entre árabes e judeus e a criação do Estado de Israel, em 1947, tendo sido, neste mesmo ano, indicado ao Prêmio Nobel da Paz.








Ao morrer, em janeiro de 1960, Oswaldo Aranha deixou uma longa lista de realizações no Brasil e no exterior.

Oswaldo Aranha foi nosso vizinho ilustre no bairro de Laranjeiras, na Rua Campo Belo, 199,
próxima ao Parque Guinle. 

A casa com 950 m² hoje se encontra alugada e está à venda.



Uma Curiosidade:
Segundo seu neto Pedro Correa do Lago, seu avô é mais conhecido pelo filé que leva seu nome, do que pelo seu importante legado.

O Filé a Oswaldo Aranha é um prato típico carioca. 
Consiste em um filé mignon alto ou um contra filé, temperado com alho frito, acompanhado de batatas portuguesas, arroz branco e farofa de ovos.

O diplomata entre as décadas de 1930 e 1940, toda semana costumava almoçar no Restaurante Cosmopolita e que funciona até hoje na Travessa do Mosqueira, 4, na Lapa, Centro da cidade. Local de concentração de políticos, na época tinha o apelido de "Senadinho". Ali o diplomata costumava pedir um filé alto e pedia doses extras de alho “bem torradinho” em seu filé. O que o tornou diferenciado e acabou levando seu nome. Oswaldo Aranha também pedia o mesmo prato no Café Lamas, que na ocasião também o incorporou ao cardápio, e reivindica a paternidade do prato, alimentando uma polêmica sobre o assunto há décadas.

No Cosmopolita, o filé pesa 550 gramas e é servido na tradicional frigideira de metal.

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 15 de fevereiro - 125 anos de Oswaldo Aranha!  



quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

CARMEN MIRANDA



  . Avenida São Sebastião 131 - Urca   

Ela ficou conhecida como A Pequena Notável. Maria do Carmo Miranda da Cunha, nossa Carmen Miranda ( 1909 - 1955), nasceu em 9 de fevereiro de 1909, há 110 anos,  na freguesia de Marco de Canavezes, província de Beira-Alta, Portugal.

Sempre sonhou em ser atriz e cantora. Por isso nas horas vagas, cantava e dançava para animar pequenas festas, depois começou a se apresentar em teatros e clubes até que estreou como cantora na Rádio Sociedade.

Seu grande sucesso veio com a marcha-canção "Pra Você Gostar de Mim" (1930), que ficou conhecida por "Tai", escrita especialmente para ela por Joubert de Carvalho, que foi recorde de vendas.

Em 1933, foi a primeira mulher a assinar um contrato com uma rádio, rádio Mayrink Veiga, onde ficou até 1936, quando se transferiu para a Tupi. Transformou-se  na principal estrela do Cassino da Urca no Rio de Janeiro e suas apresentações no cassino funcionaram como passaporte para o ingresso no mundo do cinema.

Em 1936, Carmen Miranda estreou no cinema na comédia musical “Alô, Alô Carnaval”, quando cantou acompanhada da irmã Aurora Miranda, na famosa cena em que as duas cantam "Cantoras do Rádio". 



 Em 1939, Carmen Miranda brilhou na comédia-musical “Banana da Terra”, quando apareceu caracterizada de Baiana. No musical, cantou a música “O Que é Que a Baiana Tem”, de Dorival Caymmi, que virou um clássico na voz da cantora. O personagem, ela incorporou até o fim de sua vida.

Carmen Miranda 6     Carmen Miranda  Carmen Miranda - 1941 - That Night in Rio - Costume design by Travis Banton


Em 1939, surgiu a chance de fazer carreira nos Estados Unidos. A estreia de Carmen aconteceu no espetáculo musical "Streets of Paris", em Boston. Seu sucesso de crítica e público foi enorme. Sua fama não parou de crescer e, no dia 5 de março de 1940, ela se apresentou ao presidente Franklin Roosevelt durante um banquete na Casa Branca.

Também em 1940 estreou nos Estados Unidos com o filme “Serenata Tropical”. No dia 24 de março de 1941, foi a primeira sul-americana a receber uma estrela na Calçada da fama em Hollywood.

Annex - Miranda, Carmen_NRFPT_06.jpgCarmen Miranda grauman's chinese theater.jpg
Carmen Miranda calçada da fama.jpg

Em meados dos anos 40, Carmen Miranda já era a artista mais bem paga dos Estados Unidos e a mulher que mais pagava imposto de renda no país.

Carmen Miranda fez um total de 14 filmes nos Estados Unidos e seis filmes no Brasil, entre eles: “Alô, Alô Carnaval” (1936) “Uma Noite no Rio” (1941), “Aconteceu em Havana” (1941), “Minha Secretária Brasileira” (1942) e “Serenata Boêmia” (1947)

Foram 317 gravações, praticamente todas de muito sucesso, como Tico-Tico no Fubá de Zequinha de Abreu, choro imortalizado na sua voz.


Ao longo de sua carreira, Carmen Miranda teve vários namorados, entre eles o atleta Mário Cunha, o industrial Carlos Alberto da Rocha Faria, o músico Aloysio de Oliveira. Casou-se em 1947 com o norte-americano David Sebastian, que trabalhava em uma produtora de cinema. O relacionamento dos dois era bastante difícil, já que David era alcoólatra. Muitos biógrafos e estudiosos apontam que este casamento representou o começo da decadência da saúde de Carmen, que começou a beber exageradamente. Ela também usava remédios, em especial barbitúricos, para dar conta de sua extenuante agenda de compromissos, que a levaram a um esgotamento.

Voltou ao Brasil em dezembro de 1954 e ficou reclusa no Copacabana Palace Hotel durante quatro meses para tratamento. Mas as suas obrigações com produtores americanos a obrigam a voltar para os estados Unidos. Durante um desses compromissos, teve um discreto desmaio. Poucos perceberam. Voltou para sua casa em Beverly Hills onde recebeu alguns amigos. A última pessoa que deixou a casa saiu às 3 e 30 da manhã. Foram as últimas pessoas a verem Carmen Miranda com vida. Foi encontrada morta logo depois.

Nunca se naturalizou brasileira. Morreu sendo portuguesa, aos 46 anos de idade.

Carmen Miranda foi nossa vizinha ilustre 
em vários bairros da cidade do Rio. 

Todas as edificações ainda existem. Na lista abaixo, o último endereço ainda é uma residência. Com exceção do endereço de Santa Teresa, hoje uma casa em ruínas, os demais locais viraram pontos comerciais.

. Travessa do Comércio, 13 – Centro
.  Rua da Candelária, 94 ( antigo 50)  - Centro
. Rua Joaquim Silva, 53, casa 4 - Centro
. Rua Silveira Martins, 20 (antigo.12) -  Catete.
   O prédio virou o Hotel Inglês.
. Rua André Cavalcanti, 229 – Santa Teresa 
. Avenida São Sebastião, 131 – Urca



Uma curiosidade:

A correspondência amorosa e o jeito "tatibitate"  esbanjando diminutivos, “inhos” - até arrojados pra época -  enviados ao namorado, o remador do Flamengo Mário Augusto Pereira da Cunha.


Em postais ela transcreve versos, trata o namorado de “maridinho”. Era apaixonadíssima, ciumenta também, até pede que Marinho se comporte no Rio.
Carmem Miranda rompeu com Marinho, em 1932, depois de 7 anos de relacionamento.



Em tempo: a intrigante assinatura Viola Dana, às vezes, apenas as iniciais, V. D. em alguns postais, era porque Carmen se assemelhava, à época, fisicamente com a atriz norte-americana Viola Dana. 

(fotos: reprodução da internet)


terça-feira, 1 de janeiro de 2019

ANIVERSARIANTES DE JANEIRO


Festejando...


Rubem Braga
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Herivelto Martins
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Durval Ferreira
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NOSSOS VIZINHOS ILUSTRES
aniversariantes de janeiro!

Clique nas fotos e (re)veja!




sábado, 15 de dezembro de 2018

Sábado era sempre ...


... dia de SABADOYLE!

O sarau literário semanal de Ipanema, que reuniu escritores no sábado, na casa de Plínio Doyle, foi batizado com esse nome pelo poeta Raul Bopp .

Durante 34 anos, a partir de 1964, Plínio Doyle  foi o anfitrião desses encontros semanais, e em 1975, até o ex-presidente Juscelino Kubitschek marcou presença. Nas reuniões, só não se falava de política nem de religião.

Advogado e bibliófilo, Plínio Doyle tinha outro prazer: o de pesquisador. E buscava nos arquivos da Justiça autos de processos que tivessem ligação com a literatura. Foi assim que encontrou no forum do Rio de Janeiro duas pérolas: o testamento do Senador José Martiniano Pereira de Alencar, pai do romancista José de Alencar e os autos do processo criminal sobre a morte de Euclides da Cunha.

 Identificado com esse tempo de festas, existe um livro O Natal no Sabadoyle, uma edição comemorativa das atas de Natal escritas pelos frequentadores do Sabadoyle.
Desse livro, os versos finais do poema de Carlos Drummond de Andrade , que diz


"(...) Mas tenho que concluir a versalhada
antes que soe a hora da consoada,
pois é Natal, ou quase, nestas salas
em que os livros, amados, formam alas,
agradecendo, num carinho mudo,
o que por eles faz o Plínio: tudo
que se chame cuidado, zelo, amor
de desvelado colecionador,
e os convivas, em roda, tecem loas,
por todas essas coisas muito boas,
ao amigo leal, firme, sem balda,
junto à doce presença de Esmeralda."


Em tempo: Esmeralda era esposa de Plinio Doyle


Recorde mais sobre 
NOSSO VIZINHO ILUSTRE
Plínio Doyle.

Clique  na imagem abaixo







segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

ANIVERSARIANTE DE NOVEMBRO

Recorde conosco 
NOSSA VIZINHA ILUSTRE, 
aniversariante de NOVEMBRO!



CECÍLIA MEIRELLES






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Imagem relacionada

Na biblioteca de sua casa, 
no sobrado da casa contemplando a paisagem 
ou passeando e apreciando as belezas do bairro, 
como o Largo do Boticário, 
 Cecília conviveu com o Cosme Velho.

Clique no nome e ... curta!

Bom passeio!


segunda-feira, 1 de outubro de 2018

ANIVERSÁRIO DO BLOG!







Há dois anos iniciamos este blog, e, ao longo deste tempo, foram resgatados 90 endereços de ilustres moradores de nossa cidade, suas atividades, pinceladas sobre suas biografias, e sua importância no contexto de nossa história, além de fatos pitorescos 

sobre os perfilados. 
Procuramos lançar um novo olhar 
sobre a ligação existente entre moradia e trajetória de vida. 
Entre habitat e inspiração.

“...Rua Nascimento e Silva, 107...”, como diz a canção...

Escritores, pintores, cantores, músicos, empresários, jornalistas, atores, homens e mulheres foram alvo de nossa pesquisa e de nossas escolhas. Grandes figuras de seu tempo 

que foram nossos vizinhos ilustres 
de calçada, de rua, de bairro 
e que, muitas vezes, desconhecemos.

Conquistamos leitores e seguidores e esperamos continuar merecendo sua leitura e seus comentários.


Muitos outros endereços ainda vamos relembrar!


Agradecemos  a visita de todos ao longo desse tempo,
e fica o convite pra seguirem curtindo e revendo
esses cantinhos cariocas de tanta história.




sexta-feira, 14 de setembro de 2018

DJANIRA



  . Rua Almirante Alexandrino, 2603 - Santa Teresa   


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De origem humilde, nascida em Avaré, interior paulista, descendente de imigrantes austríacos e neta de índios guaranis, Djanira (1914-1979) mudou-se ainda criança com a família para Porto União, em Santa Catarina. Ao regressar à sua cidade natal, trabalhou nos cafezais da região e suas lembranças da gente simples do campo foram projetadas em seus quadros.


Na foto com seu cão Horácio

Ao se instalar em Santa Teresa, no Rio de Janeiro, em 1939, adquiriu a Pensão Mauá, que se tornou local de convívio de diversos artistas e intelectuais da época. Em 1940, Djanira passou a ter aulas com os pintores Emeric Marcier e Milton Dacosta, seus hóspedes na pensão. Nesse mesmo ano, passou a frequentar o curso noturno do Liceu de Artes e Ofícios.

Pintora autodidata, buscava inspiração em cenas do cotidiano e nas paisagens brasileiras e reproduziu em sua pintura, de maneira singela e poética, a paisagem nacional em um estilo chamado de arte primitiva, com linhas e cores simplificadas. Em sua obra coexistem uma diversidade de cenas, como as festas folclóricas, as temáticas religiosas, o cotidiano dos tecelões, os colhedores de café, os batedores de arroz e os vaqueiros.

Comparada à Portinari, Djanira representou com perfeição a alma brasileira.

Pintora, desenhista, ilustradora e cenógrafa, Djanira foi a primeira artista latino-americana a ser representada no Museu do Vaticano, com a obra "Sant’Ana de Pé". É de sua autoria também o mural "Candomblé", encomendado por Jorge Amado para sua casa em Salvador, além do painel “Santa Bárbara”, com 130 m2, primeiramente instalado no Túnel Santa Bárbara, em Laranjeiras, e, posteriormente transferido para o Museu Nacional de Belas Artes.


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Djanira visitando o interior do Túnel Santa Bárbara onde inicialmente foi instalado seu painel

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O painel Santa Bárbara, o maior painel do Brasil, atualmente no Museu Nacional de Belas Artes

Muito religiosa, em 1963, entrou para a Ordem Terceira Carmelita, da qual recebeu o hábito com o nome de Irmã Teresa do Amor Divino. Em 1972, recebeu um diploma e uma medalha do Papa Paulo VI.

Djanira
foi nossa vizinha ilustre em Santa Teresa,
no condomínio Vila Jardim Cecília, à Rua Almirante Alexandrino, 2603. 



O carrinho azul é um monotrilho dos moradores da vila

No apartamento onde morou , Djanira produziu a maioria de suas pinturas, gravuras e desenhos.

Depois de sua morte, mais de 800 obras foram doadas ao Museu Nacional de Belas Artes – MNBA, enquanto parte do acervo permaneceu com o viúvo, o poeta e historiador José Shaw de Motta e Silva, o Motinha e com Rachel Trompowsky Taulois da Motta e Silva, amiga de Djanira e que se casou com Motinha após a morte da pintora.


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“Djanira fazia uma arte popular, 
mas com uma sofisticação única, 
de forma semelhante ao que 
Pixinguinha fez na música. 
Era uma artista única”.
                                          galerista Evandro Carneiro


Djanira da Motta e Silva faleceu no Rio de Janeiro, no dia 31 de maio de 1979.


sábado, 1 de setembro de 2018

JULIA LOPES DE ALMEIDA



  . Rua Joaquim Murtinho, 587 - Santa Teresa   

Júlia Lopes de AlmeidaNo grupo de escritores e intelectuais que se mobilizaram para criar a ABL, uma grande figura da Literatura Nacional daquele tempo ficou de fora por um pequeno detalhe, e não foi a língua, foi a saia. A carioca Júlia Lopes de Almeida (1862 - 1934), aniversariante de setembro, ficou de fora desse “panteão” por causa desse pequeno detalhe: era mulher. 

A História se esqueceu de contar a trajetória de escritores mulheres. Júlia, por exemplo, escreveu romances e peças de teatro além de livros infantis, fazendo muito sucesso na sua própria época. Também escreveu para diversos jornais e revistas, como a Gazeta de Campinas, A Semana, A Mensageira.

Júlia teve uma carreira de escritora e jornalista de mais de 40 anos. Ela defendia a educação feminina, o divórcio e a abolição da escravatura. Já preocupada com a questão do cuidado, ela defendia também a instalação de creches, naquela época. Apontada por umas como feminista e por outras como uma mera reprodutora da ideologia dominante da época. 

Desde cedo mostrou forte inclinação pelas letras, embora no seu tempo de moça não fosse de bom-tom nem do agrado dos pais, uma mulher dedicar-se à literatura. Inicia seu trabalho na imprensa aos 19 anos, em A Gazeta de Campinas, numa época em que a participação da mulher na vida intelectual é rara e incomum. Três anos depois, em 1884, começa a escrever também para o jornal carioca O País, numa colaboração que dura mais de três décadas. Mas é em Lisboa, para onde se muda em 1886, que se lança como escritora.

De volta ao Brasil, em 1888, logo publica seu primeiro romance, Memórias de Marta, que sai em folhetins em O País.

Seu estilo é marcado pela influência do realismo e do naturalismo francês, e uma das suas crônicas veio a inspirar Artur Azevedo ao escrever a peça O dote. Júlia era chamada de A George Sand Brasileira e foi uma das poucas a participar, no início do século XX, da série de conferências, inaugurada por Coelho Neto e Olavo Bilac, que gerou inúmeras polêmicas sobre o papel da mulher na sociedade brasileira.

Em entrevista ao escritor João do Rio, o marido de Júlia,  o poeta e teatrólogo português Filinto de Almeida confessou

"Há muita gente que considera D. Júlia 
o primeiro romancista brasileiro.
Pois não é? 
Nunca disse isso a ninguém,
mas há muito que o penso. 
Não era eu quem deveria estar na Academia,
era ela."

Mulher à frente de seu tempo, Júlia com uma linguagem leve, simples, cativou seu público, escreveu e publicou mais de 40 volumes entre romances, contos, narrativas, literatura infantil, crônicas e artigos. Foi abolicionista e republicana além de mostrar, em suas obras, idéias feministas e ecológicas.
Em duas fases da vida, no início do seculo XX e ao final da vida, nos anos 1930.
"Por que não o hei de enganar do mesmo modo? Em consciência, não há homens nem mulheres: há seres com iguais direitos naturais, mesmas fraquezas e iguais responsabilidades...Mas não há meio dos homens admitirem semelhantes verdades. Eles teceram a sociedade com malhas de dois tamanhos – grandes para eles, para que seus pecados e faltas saiam e entrem sem deixar sinais; e extremamente miudinhas para nós."

Júlia Lopes de Almeida, em “Eles e elas”. 2ª ed., Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1922, p. 137.



Júlia Lopes de Almeida foi nossa vizinha ilustre na Rua Joaquim Murtinho, 587, em Santa Teresa,  onde os saraus literários e musicais que promovia junto com Filinto, nos salões de casa, reuniam artistas como o pintor Eliseu Visconti, escritores como Aluísio Azevedo e poetas como Olavo Bilac.

A casa nos dias atuais se encontra bem preservada


Julia em seu escritório