quarta-feira, 15 de maio de 2019

JOSÉ OLYMPIO


  . Rua  da Glória, 122 - Glória  

A trajetória desse grande editor brasileiro, José Olympio Pereira Filho, nascido em Batatais,  interior de São Paulo, o primeiro de 9 irmãos, foi diferenciada.
Segundo Rachel de Queiroz, que teve diversos livros editados por José Olympio (1902 - 1990),  ele agia não só como editor - o melhor de seu tempo - mas também como um pai ou irmão, que sabia dos problemas de seus editados e se tornava amigo íntimo.

De desempacotador de livros na Casa Garraux, em 1918, José Olympio levou cerca de uma década e meia para se tornar o editor mais influente do país. Excepcional talento, intuitivo e inteligente, de boa conversa, estava sempre disponível para ouvir os amigos e colaboradores. Para escolher os títulos que publicava, declarou certa vez que se pautava pelo instinto. Mas também dava muitos palpites na área comercial e de propaganda. Gostava de correr riscos. Em parte, o seu sucesso pode ser explicado muito por essa característica, aliada a uma grande capacidade de trabalho e de relacionamento pessoal.

Decidido a começar o próprio negócio, ele foi ajudado por alguns amigos, antes de abrir no Rio de Janeiro, em 1931, a sua primeira livraria, localizada na Rua da Quitanda. Três anos depois, quando iniciou de fato a atividade de editor, o estabelecimento passou a funcionar em endereço nobre, quase em frente à famosa Livraria Garnier, que fechou em seguida. Ousado e dotado da energia típica dos trinta anos, José Olympio sabia muito bem aonde queria chegar. E foi capaz de lances certeiros para alcançar seus objetivos.

O sucesso inicial veio com a obra de Humberto de Campos, logo seguida do êxito alcançado pelos "romancistas do Nordeste", com destaque para José Lins do Rego, Graciliano Ramos e Raquel de Queiroz. Em paralelo à ficção, o ano de 1936 marca o lançamento da coleção "Documentos Brasileiros", coordenada por Gilberto Freyre e que se tornou uma referência para a intelectualidade nacional. Reinvestindo os lucros, a editora obteve, durante a primeira década, a marca de quase 600 títulos produzidos, com mais de 2,2 milhões de exemplares vendidos, e a maioria expressiva do catálogo era formada por autores brasileiros.

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José Lins do Rego, Carlos Drummond de Andrade, Candido Portinari, 
José Olympio e Manuel Bandeira


José Olympio entrega exemplar de livro a Getúlio Vargas
  

A importância de José Olympio foi de tal ordem, que o crítico literário Antonio Candido  referiu-se a ele como um "herói cultural" da época.

José Olympio esteve no centro do sistema literário do seu tempo. 

Além de publicar a produção ficcional dos autores principais da editora, ele também solicitava traduções e encomendava textos, mantendo uma rede de colaboradores de alta qualidade e servindo de modelo para as outras empresas. Era também agressivo na promoção dos livros, ocupando-se das contracapas das publicações, mas também com bons investimentos em anúncios de revistas e jornais.

A partir de 1964, a editora foi aos poucos perdendo o fôlego. Apostou em lances de maior risco. Decidiu investir no ramo dos livros didáticos, à custa de altos investimentos, e encantou-se com a possibilidade de ter a Editora Sabiá incorporada ao seu catálogo. Mas, dessa vez, o jogo virou e ele teve de amargar prejuízos significativos. Sua capacidade de administrador certamente não se igualava à intuição editorial, e o resultado alcançado com essas duas operações não foi dos melhores. Deixou de ser a principal protagonista na veiculação das nossas letras, papel que veio a compartilhar com a Civilização Brasileira, sob a coordenação de Ênio Silveira, e em 1974, a editora foi incorporada pelo BNDES e, posteriormente, vendida e descaracterizada. Atualmente seu nome é usado por um dos selos editoriais associados ao Grupo Record.

A história da livraria na Rua do Ouvidor 110 é, na realidade, a descrição de uma época de ouro na vida intelectual do Rio de Janeiro dos anos 1930. muitos dos principais intelectuais brasileiros se encontravam no Rio de Janeiro e colaboravam com José Olympio, formando o círculo de boas conversas que se instalou na Livraria.


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"Uma vez por semana, reunia todo mundo para bater papo. Era como um chá da Academia Brasileira de Letras, só que informal."

José Olympio foi casado com Vera Pacheco Jordão durante 10 anos, teve 2 filhos: Vera Maria Teixeira e Geraldo Jordão Pereira,(também editor, já falecido, fundador da editora Sextante).

Foi nosso vizinho ilustre no bairro da Glória, 
em um apartamento alugado no 9° andar, na Rua da Glória, 122, 
esquina com a Rua Conde Lages, de frente para o Parque do Flamengo,
onde viveu 40 anos - até sua morte - após sua separação.




A Biblioteca Nacional recebeu mais de 6 mil itens que pertenciam ao acervo pessoal de José Olympio, Livros e provas, originais, manuscritos e documentos de autores como Guimarães Rosa, José Lins do Rego, Cassiano Ricardo, Luis Fernando Verissimo e José Honório Rodrigues. Doado por seu filho, Geraldo Jordão Pereira, e pela família de Humberto Gregori, penúltimo proprietário da editora . Além dos livros, o acervo inclui 11 arquivos com 43 gavetas. Nas pilhas de papéis, estão preciosidades como provas com correções manuscritas de Manuel Bandeira. Há ainda capas, fotos de festas de lançamento e ilustrações usadas em publicações, além de grande quantidade de documentos, notícias antigas de jornais sobre a editora, dedicatórias feitas pelos escritores e também correspondência particular.

José Olympio o menino que só fez o primário, que dias antes de completar 29 anos abriu a Livraria José Olympio Editora, apostou na literatura nacional num momento em que o Brasil não era a bola da vez, e os temas relevantes vinham de Paris, deixou sua marca indelével na história editorial brasileira.

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quarta-feira, 1 de maio de 2019

JOSÉ DE ALENCAR



Hoje, 1º de maio de 2019
se vivo fosse, 
José de Alencar (1829-1877) 
estaria completando 190 anos.  



Resultado de imagem para jose de alencarJosé de Alencar foi nosso vizinho ilustre na Tijuca, na chácara Castelo, na Floresta da Tijuca. Um palacete inglês, branco e luxuoso, com jardins exuberantes e pontes de mármore erguido em meio à mata.

Principal escritor brasileiro da fase romântica, José de Alencar foi também dramaturgo, jornalista, advogado e político, sendo considerado um dos maiores representantes da corrente literária indianista. As principais obras indianistas em prosa de nossa literatura são os três romances de José de Alencar: “O Guarani”, “Iracema” e “Ubirajara”.

O escritor destacou-se no cenário cultural brasileiro com a publicação do romance "O Guarani", em forma de folhetim, no Diário do Rio de Janeiro, em 1857, que alcançou enorme sucesso e serviu de inspiração ao músico Carlos Gomes para compor a ópera “O Guarani”.

Além de indianista, José de Alencar escreveu também romances históricos, regionalistas e urbanos.
O primeiro romance histórico de nossa literatura foi “As Minas de Prata”. Escreveu ainda: “A Guerra dos Mascates”, narrativa da famosa revolução de 1710.
Entre os romances regionalistas destacam-se “O Sertanejo” e o “Gaúcho”, que reproduzem costumes típicos e folclóricos dessas regiões.
Os romances urbanos caracterizam a Corte e o meio social carioca do Segundo Reinado, como: “A Viuvinha”, “Senhora”, “Lucíola” e “Encarnação”.
Como poeta, José de Alencar escreveu “Os Filhos de Tupã”, poema indianista. E como teatrólogo destacam-se as comédias “Verso e Reverso”, “O Demônio Familiar” e “As Asas de um Anjo”.

José Martiniano de Alencar Júnior nasceu em Messejana, no Ceará, no dia 1 de maio de 1829, filho do senador do Império José Martiniano de Alencar. Aos nove anos mudou-se com a família para o Rio de Janeiro e, aos 14, foi para São Paulo, onde concluiu o secundário e ingressou na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco.

Impressionado com o sucesso do livro “A Moreninha” de Joaquim Manuel de Macedo, resolveu que seria escritor, interrompendo os estudos universitários e iniciando a leitura dos autores clássicos da época, como Alexandre Dumas, Balzac, Byron, entre outros.

Aos 18 anos, começou a escrever seu primeiro romance "Os Contrabandistas", que permaneceu inacabado. No ano seguinte, seguiu para Pernambuco, onde concluiu seu curso de direito na Faculdade de Direito de Olinda. De volta a São Paulo, levou o esboço de dois romances históricos: “Alma de Lázaro” e “O Ermitão da Glória”, que só seriam publicados no fim de sua vida.

Retornando ao Rio em 1851, José de Alencar exerceu a advocacia e, em 1854, ingressou no Correio Mercantil, na seção "Ao Correr da Pena", comentando os acontecimentos sociais, as estreias de peças teatrais, os novos livros e as questões políticas. No ano seguinte, assumiu as funções de gerente e redator–chefe do "Diário do Rio", onde publicou, em folhetim, seu primeiro romance "Cinco Minutos. No dia 1 de janeiro de 1857, começou a publicar o romance "O Guarani", em forma de folhetim, logo a seguir editado em livro.

Primeira edição do livro O Guarani   

Em 1858, José de Alencar abandonou o jornalismo e ingressou no Ministério da Justiça, recebendo o título de Conselheiro do Império, iniciando, ao mesmo tempo, sua carreira universitária como Professor de Direito Mercantil. Com a morte do pai, entrou para a política, pelo partido Conservador, elegendo-se deputado pelo Ceará, reeleito por quatro legislaturas. Defendia um governo forte e propunha uma abolição gradativa da escravatura. Embora D. Pedro II não simpatizasse com Alencar, não se opôs a sua escolha para o Ministério da Justiça do Império.

Caricatura de José de Alencar, quando ministro da Justiça. (Em Revista Ba-Ta-Clan, 29/8/1868)

Em 1870 foi eleito senador pelo Ceará; porém, com os conflitos com o Ministro da Marinha não foi o escolhido. Voltou para a Câmara, onde permaneceu até 1877, rompido com o partido Conservador.


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Assinatura de José de Alencar

Mesmo no auge da carreira política, José de Alencar não abandonou a literatura. Viu suas obras atacadas por jornalistas e críticos. Triste e desiludido, passou a publicar sob o pseudônimo de Sênio. Durante toda sua vida procurou trazer para os livros as tradições, a história, a vida rural e urbana do Brasil. Famoso, a ponto de ser escolhido por Machado de Assis para patrono da Cadeira nº. 23 da Academia Brasileira de Letras, José de Alencar morreu aos 48 anos, no dia 12 de dezembro de 1877, no Rio de Janeiro, vítima da tuberculose.

Curiosidades:

1. chácara Castelo foi propriedade do sogro de José de Alencar, Dr. Thomas Cochrane, médico britânico, um dos introdutores da Homeopatia no Brasil. Alencar foi casado com a filha mais velha do médico, Georgiana Augusta e tinha o dobro de sua idade. Ali residiu algum tempo e "escreveu alguns dos seus livros, entre os quais: Sonhos de Ouro e o Sertanejo. Consta ainda que aí ele recebeu a visita de Castro Alves, recém-chegado da Bahia, que lhe trouxe uma carta de recomendação" , segundo nos contou historiador Gastão Cruls no livro “Aparência do Rio de Janeiro”, publicado em 1949.

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 Hoje, o palacete é residência oficial do prefeito da cidade do Rio de Janeiro – no
Alto da Boa Vista, na Estrada da Gávea Pequena, s/n – pois, em 1916, juntamente com parte das terras, foi vendido à prefeitura do Distrito Federal por quarenta contos de réis. 

2. José de Alencar e sua prima distante e conterrânea Rachel de Queiroz foram tema do enredo de 2019 da Escola de Samba União da Ilha do Governador.





domingo, 14 de abril de 2019

MÁRIO DE ANDRADE


  . Rua Santo Amaro, 5 - Glória  

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Mário Raul de Moraes Andrade, ou simplesmente, Mário de Andrade (1893 - 1945), o autor de “Pauliceia Desvairada” e “Macunaíma” , considerado o escritor mais nacionalista e múltiplo dos brasileiros, construiu um caráter revolucionário na literatura brasileira, e tem, no período em que viveu na cidade do Rio de Janeiro (1938-1941), um dos menos conhecidos da sua vida.

A sua estadia no Rio foi marcada por uma grande depressão.

"O Rio me aturde, me empurra, me repudia. Depois de uma primeira experiência, nunca mais andei pela avenida Rio Branco às 17 horas"

O motivo principal da sua depressão: o desmonte pelo Estado Novo, em 1938, do Departamento de Cultura de São Paulo, que Mário chefiou por três anos. O contexto político também o entristecia. No Brasil, a ditadura de Getúlio Vargas. Na Europa, a Segunda Guerra.

No Rio , Mário de Andrade foi nosso vizinho ilustre em dois bairros: Glória e Santa Teresa.

Primeiro morou em um apartamento na Rua Santo Amaro, 5, na Glória. Depois se mudou para uma casa, já demolida,  na Ladeira Santa Teresa, 106, no bairro de Santa Teresa, onde foi vizinho dos amigos Rachel de Queiroz e Manuel Bandeira.

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Mário de Andrade, em seu apartamento na Glória , em 1938. 

Na parede, a tela "O Mamoeiro", de Tarsila do Amaral 





Na entrada do prédio da Glória,
na esquina da Rua Santo Amaro com Rua do Catete
existe uma placa sinalizando o morador ilustre.



No Rio, renovou amizades e teve uma vida independente da família, já que até então, morara com a mãe. E até se apaixonou pelo samba, segundo o amigo Lúcio Rangel, crítico e grande conhecedor de samba, que o aproximou do ritmo. 

"Poucos sentiram o samba carioca como ele!"
 escreveu Rangel no jornal "Correio do Povo", em 1961.

Mário fora convidado para viver no Rio pelo então ministro da Educação, Gustavo Capanema, e seu chefe de gabinete, o poeta Carlos Drummond de Andrade. Queriam que dirigisse o Serviço de Teatro, mas o escritor quis um cargo de menos destaque.

Teve três empregos na cidade: foi diretor e professor de filosofia e arte no Instituto das Artes da Universidade do Distrito Federal até 1939, seguiu para o Instituto Nacional do Livro e depois para o SPHAN (Serviço de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), que ajudara a fundar em 1937.

Mário viveu a boemia carioca. Foi frequentador do Amarelinho, da Taberna da Glória - seu bar preferido - onde passou madrugadas a fio com amigos.

Em 1939, foi cronista do jornal O Estado de São Paulo,  e enviou crônicas do seu cotidiano no Rio de Janeiro. Seus textos eram publicados aos domingos. Falou sobre o forte calor, o trânsito, a música, o futebol.


crônica de 19 de março de 1939, há 80 anos.

O poeta, que nunca saiu do Brasil, se intitulava um ‘turista aprendiz’, expressão que se tornou título de um livro publicado em 1976, 31 anos depois da sua  morte. Um diário de viagens, rabiscos apressados e crônicas para jornais.

Sua sensibilidade e angustiante posição que havia adotado para nortear sua vida o fazia protestar contra os insinceros, contra os vacilantes, contra os vendidos, contra os vira-casacas, contra os participantes da ditadura de Vargas em plena expansão.

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Da esquerda para a direita: Cândido Portinari, Antônio Bento, 
Mário de Andrade e Rodrigo Melo Franco. 
Palace Hotel, Rio de Janeiro, 1936.


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Sob a condição de crítico musical, inúmeras vezes, Mário de Andrade escreveu sobre os aspectos que considerava defeituosos na obra de Villa-Lobos. As “muitas repetições, desequilíbrios, facilidades e efeitos de sua música” eram sempre criticados. Mas, Mário reconhecia que “a falta de lucidez” e o “arroubo constante” eram a salvação do compositor, de modo que sem a presença de tais atributos, Villa-Lobos certamente, poderia incorrer em uma espécie de previsibilidade ou “cabotinismo”.

Mário de Andrade foi uma criatura bastante ponderada e distinta. Introspectivo e inteligente, possuía dentre suas características, a virtude da reflexão. Agir por meio de impulsos, definitivamente, não fazia parte de sua personalidade. Intelectual ímpar, registrou seu amor à música e ao Brasil em diversas obras. Foi crítico, colecionador de discos, professor, pesquisador, escritor e musicólogo. Um obstinado, designado a apreender e propagar a música regional, tantas vezes esquecida e marginalizada.

Admitiu em carta ao amigo Manuel Bandeira sua homossexualidade , de maneira lúcida, dizendo “Mas em que podia ajuntar em grandeza ou melhoria pra nós ambos, pra você, ou pra mim, comentarmos e eu elucidar você sobre a minha tão falada (pelos outros) homossexualidade? Em nada..." No entanto seu biógrafo Jason Tércio aposta que o escritor era mais bissexual do que puramente homossexual.
Em nada isso afeta a sua obra, nem seu caráter. Sem nenhuma relevância.


Curiosidades
. Sabe-se que Mário de Andrade apreciava o bem comer e o bem beber. Rachel de Queiroz, em um depoimento sobre Mário de Andrade, em 31 de agosto de 1992, contou sobre o doce de bêbedo.

" O Mário ficou na Ladeira de Santa Teresa e subia a pé até a minha casa. A gente tinha um convívio de comadres: faltava um açucrinha, um ajudava o outro. Quando ele ia receber uma visita, às vezes, eu ajudava com alguma coisa; quando eu ia receber amigos, ele vinha com uma receita. E ele tinha um famoso doce, que era horrível, que ele chamava doce de bêbedo. Ele pegava umas compotas, feitas quase sem açúcar, e entremeava com manjar branco, feito sem açúcar. Punha um pouco de leite de coco, punha para gelar e ficava aquela espécie de gelatina, mas era muito ruim. Ele ficava muito indignado, porque ninguém gostava do doce de bêbedo. E nós dizíamos: ‘Mas nós ainda não somos suficientemente bêbedos pra chegar a esse grau de refinamento."

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Mário de Andrade estampou a nota de Cr$ 500.000,00 (Quinhentos mil cruzeiros), que entrou em circulação no ano de 1993. O Brasil vivia um período de inflação galopante na época em que foi lançada. Com o surgimento do Plano Real, no entanto, ela logo foi tirada de circulação.

À frente de seu tempo, Mário de Andrade permaneceu sempre atual face aos olhos daqueles que se propõem a estudá-lo, a relê-lo e revisitá-lo - hoje a obra de Mário de Andrade já é de domínio público- reconhecendo sempre a importância que teve (e tem) para a consolidação do entendimento acerca das bases culturais brasileiras.




quinta-feira, 11 de abril de 2019

Vale relembrar...



   Em tempos de calamidades na cidade, 
vale relembrar
  o grande gestor  que essa nossa cidade teve.

Clique no link abaixo e (re)leia mais sobre 
NOSSO VIZINHO ILUSTRE
CARLOS LACERDA.




segunda-feira, 1 de abril de 2019

MANUEL BANDEIRA



 Avenida Beira Mar, 406  apartamento 409 - Centro  



Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho, nosso poeta Manuel Bandeira (1886-1968) nasceu no Recife, no dia 19 de abril de 1886, e mudou-se para o Rio de Janeiro aos dez anos, passando por vários endereços na cidade nos bairros da Lapa, Centro, Santa Teresa e Copacabana.







Em 1924, publicou um de seus mais conhecidos poemas, no livro Dissoluto “Vou-me embora para Passárgada”, obra que está completando 95 anos, mantendo intacto seu frescor.

"...Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada..."


Ouça o próprio poeta recitando o poema.


Escritor, professor, crítico de arte e historiador literário, Manuel Bandeira fez parte da primeira geração modernista de escritores brasileiros. Adepto do verso livre, da língua coloquial, da irreverência e da liberdade criadora, e com uma obra recheada de lirismo poético, seus principais temas foram o cotidiano e a melancolia.

Em 1903, já formado em Letras no Rio de Janeiro, começou a estudar Arquitetura em São Paulo, não concluindo o curso em virtude da fragilidade de sua saúde. Em busca da cura para a tuberculose, morou em Minas Gerais, no Rio de Janeiro e na Suíça, onde permaneceu por um ano.

De volta ao Brasil, em 1914, dedicou-se à literatura, sua verdadeira paixão. Após anos de trabalhos publicados em periódicos e revistas, teve editado seu primeiro livro de poesias “A Cinza das Horas” (1917).

Nessa obra, merece destaque a poesia “Desencanto” escrita na região serrana do Rio de Janeiro, Teresópolis, em 1912, durante a recuperação de sua saúde:


“Eu faço versos como quem chora
De desalento... de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.
– Eu faço versos como quem morre.

Ao tomar posse na Academia Brasileira de Letras, em 1940, para ocupar a Cadeira 24, vaga com a morte do escritor Luís Guimarães Filho e durante a qual usou um fardão emprestado, por ser contra seu uso, Bandeira fez um belíssimo discurso, do qual destacamos o seguinte parágrafo:
"A comoção com que neste momento vos agradeço a honra de me ver admitido à Casa de Machado de Assis não se inspira somente na simpatia daqueles amigos que a meu favor souberam inclinar os vossos espíritos. Inspira-se também na esfera das sombras benignas, a cujo calor de imortalidade amadurece a vocação literária”.
Manuel Bandeira publicou uma vasta obra até sua morte, desde contos, poesias, traduções e críticas literárias, vindo a falecer em Copacabana, na Rua Aires Saldanha, 72, quase esquina da Rua Miguel Lemos, aos 82 anos, em 13 de outubro de 1968, vítima de hemorragia gástrica.



As moradias de Manuel Bandeira nunca deixaram de estar presentes em sua poesia. 


Foi nosso vizinho ilustre 

. em Santa Teresa - num quarto da Rua do Curvelo, nº 53
   (hoje Rua Dias de Barros),  casa já demolida

. na Lapa, na Rua Moraes e Vale, 57,
  onde tinha o curioso número de telefone 2-0399

. no Centro, no Edifício São Miguel, seu local preferido,
   na Avenida Beira-Mar, 406

.em Copacabana, na Rua Aires Saldanha ,72


No Edifício São Miguel, como o pátio do prédio vivia coberto por lixo, 
Bandeira escreveu uma carta-poema para o prefeito da cidade 
na ocasião, Hildebrando de Góis:


"Excelentíssimo prefeito...

Peça vistoria e visita...

É um pátio, mas é via pública

E estando ainda por calçar,

Faz a vergonha da República

Junto à Avenida Beira-Mar "



Edifício São Miguel, 
na Avenida Beira-Mar, 406, Centro do Rio




Edifício Presidente Penna,
na Rua Aires Saldanha nº 72, 
quase esquina da Rua Miguel Lemos.




Curiosidade:
Se você já ouviu o conselho para tocar um tango argentino, em face de um problema sem solução, saiba que o conselho deriva deste verso de Manuel Bandeira:

Pneumotórax
Febre, hemoptise, dispneia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e que não foi.
Tosse, tosse, tosse.
Mandou chamar o médico:
— Diga trinta e três.
— Trinta e três… trinta e três… trinta e três…
— Respire.
— O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.
— Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
— Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.







sexta-feira, 8 de março de 2019

RACHEL DE QUEIROZ



  . Rua Rita Lutolf, 43 - Leblon  

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Possuidora de uma vasta obra, Rachel de Queiroz (1910-2003) escreveu romances, contos e crônicas, além de literatura infanto-juvenil, antologias e peças de teatro. De 1930 a 2002 foram publicadas cerca de 17 obras da autora, que a credenciam como uma das grandes escritoras brasileiras do século XX, motivo de nossa homenagem em comemoração ao Dia Internacional da Mulher.


“Eu nunca fui uma moça bem-comportada. 
Pudera, nunca tive vocação pra alegria tímida, pra paixão sem orgasmos múltiplos ou pro amor mal resolvido sem soluços. 
Eu quero da vida o que ela tem de cru e de belo. 
Não estou aqui pra que gostem de mim. 
Estou aqui pra aprender a gostar de cada detalhe que tenho”.


Nascida em Fortaleza, Rachel residiu em vários endereços em nossa cidade, antes de se fixar no Leblon.

Rachel de Queiroz foi nossa vizinha ilustre no Leblon, 
na Rua Rita Lutolf,  43 , em um prédio que tem o seu nome.







Anteriormente residiu durante 14 anos na Rua Cândido Mendes, no bairro da Glória
e durante 12 anos na Rua Carlos Ilídio, no bairro do Cocotá, na Ilha do Governador
onde seu marido, Oyama, era médico do Hospital Paulino Werneck.

Ela foi tradutora, romancista, escritora, jornalista, cronista e importante dramaturga brasileira, descrevendo em sua obra a ficção social nordestina. Primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras -  em 1977 - foi, também, a primeira mulher a receber o Prêmio Camões, em 1993, pelo romance Memorial de Maria Moura, publicado no ano anterior.

Filha de intelectuais, Rachel de Queiroz nasceu no dia 17 de novembro de 1910 e sua bisavó materna era prima de José de Alencar. Aos 7 anos sua família muda-se para o Rio de Janeiro e, em seguida, para Belém do Pará. Após dois anos, retornam ao Ceará e Rachel torna-se aluna interna do “Colégio Imaculada Conceição”. Com apenas 15 anos de idade, forma-se professora de História.

Sob o pseudônimo de “Rita de Queiroz”, a escritora publica crônicas no Jornal do Ceará e é convidada para permanecer e colaborar nesse jornal como repórter.





Seu primeiro romance, “O Quinze”, publicado em 1930 - a capa da primeira edição ao lado -  retrata a seca de 1915 no Nordeste e a realidade dos retirantes nordestinos. A obra, bem recebida pelo público, foi agraciada com o prêmio da Fundação Graça Aranha.








“Eu sou essa gente que se dói inteira porque não vive só na superfície das coisas”.


Resultado de imagem para rachel de queiroz e o marido oyama de macedoMilitante política e afiliada ao Partido Comunista Brasileiro desde 1930, casa-se, em 1932, com o poeta José Auto da Cruz Oliveira, separando-se em 1939.
No ano seguinte, casa-se com o médico Oyama de Macedo - com ela na foto ao lado -  com quem viveu por 42 anos, até a morte do marido, em 1982.


“Não sou feminista. Acho que a sociedade tem que crescer em conjunto. A associação mulher e homem é muito boa e acho um grande erro combater o homem”.


Anteriormente residiu durante 14 anos na Rua Cândido Mendes, no bairro da Glória, e durante 12 anos na Rua Carlos Ilídio, no bairro do Cocotá, na Ilha do Governador, onde seu marido, Oyama, era médico do Hospital Paulino Werneck.


Curiosidades

. A Escola de Samba União da Ilha falou esse ano de Rachel de Queiroz.
O enredo foi  “ A PELEJA POÉTICA ENTRE RACHEL E ALENCAR NO AVARANDADO DO CÉU”.  Ela foi o elo entre o Ceará, a Ilha do Governador e a União da Ilha, já que por lá morou e chegou até a escrever sobre o Carnaval da região, muito antes da escola ser fundada. "As três marias", "O quinze" e "Memorial de Maria Moura" serviram como inspiração direta de  algumas fantasias e alegorias.

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. Com a chegada da primeira mulher à Academia, seus colegas tiveram que cuidar de detalhes, antes desnecessários: mandaram fazer um banheiro feminino, na sede da ABL,e pensaram em um modelo feminino de fardão.





Aos 92 anos, no dia 4 de novembro de 2003, na cidade do Rio de Janeiro, descansando em sua rede em seu apartamento no Leblon, faleceu Rachel de Queiroz.


“A gente nasce e morre só. E talvez por isso mesmo é que se precisa tanto de viver acompanhado”.




terça-feira, 5 de março de 2019

VILLA - LOBOS



  . Avenida Graça Aranha, 145 - Centro  


Resultado de imagem para villa lobos canto orfeonicoPrincipal responsável pela descoberta de uma linguagem peculiarmente brasileira em música, Considerado, ainda em vida, o maior compositor das Américas, Heitor Villa - Lobos (1887-1959) compôs cerca de 1.000 obras que contêm nuances das culturas regionais brasileiras, com os elementos das canções populares e indígenas.

Sua mãe queria vê-lo médico, mas influenciado pelo pai, músico amador, já aos 12 anos interessou-se pela intensa musicalidade dos "chorões", representantes da melhor música popular do Rio de Janeiro.Daí que no início dos anos 20, como conseqüência desse envolvimento com o choro, começa a compor um ciclo de quatorze obras, para as mais diversas formações, intitulado "Choros". Aquela música urbana se mescla a modernas técnicas de composição.

O ano de 1915 marca o início da apresentação oficial de Villa-Lobos como compositor, com uma série de concertos no Rio de Janeiro. Na época, casado com a pianista Lucília Guimarães, ganha a vida tocando violoncelo nas orquestras dos teatros e cinemas cariocas, ao mesmo tempo em que escreve suas obras. Mas os jornais publicam críticas contra a modernidade de sua música. Outro instrumento importante na produção musical de Villa-Lobos é o piano, que era tocado por sua primeira mulher, Lucília Guimarães. Ela auxiliou bastante o compositor com correções em suas primeiras obras, já que a formação musical de Lucília era mais sólida que a do marido, que foi, em grande medida, um autodidata.

Já bastante conhecido no meio musical brasileiro, empreende viagens à Europa. Na primeira, 1923, começa a entrar no ambiente artístico parisiense através de Tarsila do Amaral e abre seus ouvidos para a música de Igor Stravinsky. Em 1927, o compositor retorna a Paris para uma temporada de três anos, desta vez em companhia de Lucília Villa-Lobos, sua mulher, e ganha prestígio internacional, forte impressão no público e na crítica, ao mesmo tempo em que provoca reações por suas ousadias musicais. No segundo semestre de 1930, Villa-Lobos - a convite - retorna ao Brasil,  e começa uma nova fase.

"Eu não uso o folclore, eu sou o folclore." 
(I don't use folklore, I am the folklore.)
Disse Villa-Lobos durante sua turnê pela Europa

Preocupado com o descaso com que a música é tratada nas escolas brasileiras, apresenta um revolucionário plano de Educação Musical à Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, que é aprovado. Depois trouxe o projeto, a convite, para o Rio de Janeiro, onde organizou e dirigiu a Superintendência de Educação Musical e Artística que introduziu o ensino da música e do canto coral nas escolas. Com o apoio do então presidente da República, Getúlio Vargas, organiza concentrações orfeônicas grandiosas que chegam a reunir, sob sua regência, até 40 mil escolares, como no "Dia da Independência", o 7 de setembro de 1939. 

Imagem relacionadaAliás, a Era Vargas deu a Villa-Lobos uma grande visibilidade.

Foram publicações, produção de obras patrióticas visando a grande massa brasileira, espelhando o que ele achava: a nação como uma entidade sagrada, e os seus símbolos (entre eles, a bandeira com o lema nacional e o próprio hino nacional) como invioláveis.
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Em 1943 realizou a "Cruzada do Canto Orfeônico" no Rio de Janeiro onde o professor de canto orfeônico passou a ser considerado um fomentador de uma nova identidade nacional.






"Era um espetáculo. 
Tinha algo de vento forte na mata, arrancando e fazendo redemoinhar ramos e folhas; caía depois sobre a cidade para bater contra as vidraças, abri-las ou despedaçá-las, espalhando-se pelas casas, derrubando tudo; quando parecia chegado o fim do mundo, ia abrandando, convertia-se em brisa vesperal, cheia de doçura. Só então percebia que era música, sempre fora música".

da crônica de Carlos Drummond de Andrade publicada 
quando Villa-Lobos morreu 





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Apesar de uma resistência inicial - é o momento da chamada "política da boa vizinhança" praticada pelos Estados Unidos com aliados na 2ª Guerra Mundial -, Villa-Lobos acabou cedendo e aceitando o convite para uma turnê pelos Estados Unidos, em 1944. A partir daí, por lá retorna  várias vezes, onde rege e grava suas obras, recebe homenagens e encomendas de novas partituras.

Villa-Lobos escreveu duas trilhas sonoras para o cinema. A primeira, para o filme "O Descobrimento do Brasil" (1937) , de Humberto Mauro. A segunda foi a trilha sonora do filme "A Flor que não Morreu" ("Green Mansions", 1959) , da MGM, de Mel Ferrer, protagonizado por Audrey Hepburn. 

Villa-Lobos foi nosso vizinho ilustre no Centro do Rio, quando o endereço era Rua Araujo Porto Alegre, 56, hoje Avenida Graça Aranha, 145,com o telefone 22-2453. 
O prédio, hoje comercial, tem uma placa alusiva à moradia do maestro.




Uma curiosidade
As mulheres que influenciaram a arte de Villa-Lobos

A PRIMEIRA Lucília Guimarães (primeira à esq.) com Villa-Lobos (à dir.) numa foto de 1931. Ao lado, reproduções da carta em que o maestro pediu o divórcio e de uma partitura com a letra de Lucília  (Foto: Divulgação )

Lucília Guimarães foi influência decisiva na formação musical de Villa-Lobos. Um divórcio traumático a relegou ao ostracismo.

Durante uma viagem à Europa, em 1936, o músico Heitor Villa-­Lobos surpreendeu sua mulher com uma carta em que pedia o divórcio. Estavam casados havia 22 anos. Ele avisava que não voltaria ao lar. A razão da separação chamava-se Arminda, sua secretária.
Villa-Lobos dedicou a Arminda mais de 50 composições, incluindo a série das Bachianas Brasileiras, sua obra mais conhecida.

Envergonhada por ter sido substituída, Lucília mudou-se para o interior. Foi ser professora de crianças e morreu sozinha em Paraíba do Sul, no interior fluminense, sua terra natal. Não aceitou o divórcio, preservando o sobrenome do marido até o fim da vida.

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. Na foto acima, Lucília Guimarães (primeira à esq.) com Villa-Lobos (à dir.) numa foto de 1931. 

Reproduções da carta em que o maestro pediu o divórcio e de uma partitura com a letra de Lucília 
. Na foto à direita, Villa-Lobos e Arminda


No Brasil, na data de nascimento de Villa-Lobos, 
dia 5 de março
é celebrado o Dia Nacional da Música Clássica.




quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

OSÓRIO DUQUE ESTRADA

Já que estamos falando tanto do HINO NACIONAL...
  . Rua Paissandu, 140 - Flamengo  

Joaquim Osório Duque-EstradaJoaquim Osório Duque-Estrada ( 1870 - 1927)  nasceu em Pati do Alferes,  naquela época ainda pertencente ao município de Vassouras.

Ficou conhecido pela autoria da letra do Hino Nacional Brasileiro. Letra famosa pelas frases em ordem inversa e vocabulário rebuscado.

Era de uma família de militares. Seu pai, tenente-coronel Luís de Azevedo Coutinho Duque-Estrada, figurava entre os amigos do General Osório, de quem Joaquim recebeu o segundo nome. O Marquês do Herval foi seu padrinho. Osório fez seus estudos de humanidades no colégio Pedro II, onde em 1887,  o historiador e professor Sílvio Romero o distinguiu entre os alunos

Osório Duque-Estrada era muito apaixonado, aluno-poeta do Colégio Pedro II, em 1887, ofereceu-nos em seus escritos uma prova de que a República não foi obra de meia dúzia de soldados, e sim desfecho de um longo preparo de opinião. Passou a assinar omitindo o Joaquim.
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É de 1902 a Flora de Maio, o melhor dos seus livros, com prefácio de Alberto de Oliveira.

A arte levou o poeta ao convívio e à amizade de Olavo Bilac, Vicente de Carvalho, Raimundo Correia e Alberto de Oliveira. Ele foi, sem dúvida, menor que os companheiros. Mas aproximou-se dos maiores pela naturalidade do seu canto. Poesia, disse ele uma vez, é emoção; e a emoção é sempre fácil nos seus versos:

Hei de esquecer-te... (digo presunçoso
De cumprir tal protesto) – é bem que esqueça
Quem tanto esquece; altivo e caprichoso,
É justo, um dia, que eu também pareça!...

Hei de varrer de dentro do meu peito
Toda a memória deste amor ingrato! 
E à noite vou beijar, quando me deito, 
Tuas cartas, teu lenço e teu retrato.


Osório Duque-Estrada andava sempre ou muito alegre ou muito zangado. Nos seus dias amáveis, era um conversador cheio de espírito, servido por memória invejável.

Ao magistério, quer na Escola Normal ( atual Instituto de Educação), ou no Colégio Pedro II, levou ele sempre a consciência do professor que exige porque ensina. Era temido pelos maus alunos como era temido pelos maus poetas, em suas críticas literárias nos jornais.

No começo de sua vida pública, serviu como Encarregado de Negócios do Brasil no Paraguai. Para ele o patriotismo era principalmente orgulho nacionalista. Começou a colaborar na imprensa, em 1887, escrevendo os primeiros ensaios na cidade do Rio, como um dos auxiliares de José do Patrocínio na campanha da abolição. Entre 1891 e 1924 colaborou em vários jornais cariocas, entre os quais Correio da Manhã e atuou também como crítico literário do Jornal do Brasil.

Joaquim Osório Duque-Estrada






Na foto ao lado, com a esposa Ilidia Regina Freire de Aguiar, 
com quem teve quatro filhos: Magnus Aguiar Duque Estrada; Cyro Aguiar Duque Estrada; Paulo Aguiar Duque Estrada e Amanda Duque Estrada




Sua letra do Hino Nacional Brasileiro foi um poema escrito em 1909,  há 110 anos, em versos decassílabos e que venceu o  concurso, criado por lei de autoria do escritor Coelho Neto, então deputado, para "a melhor composição poética que se adapte, com todo o rigor do ritmo, à música do Hino Nacional Brasileiro", onde as sílabas tônicas, deveriam garantir o casamento perfeito da nova letra com a velha melodia. No entanto essa letra só foi oficializada como letra do Hino Nacional Brasileiro por meio do Decreto nº 15.671, do presidente Epitácio Pessoa, em 6 de setembro de 1922, véspera do Centenário da Independência do Brasil.

Osório Duque Estrada foi nosso vizinho ilustre no Flamengo 
na Rua Paissandu,140.

E nesta residência faleceu.

O Globo em 7 de fevereiro de 1927

Osório Duque Estrada foi  eleito em 1915 para a cadeira número 17 da Academia Brasileira de Letras, na sucessão de Sílvio Romero, quando foi apresentado por Coelho Neto.

Curiosidades

Osorio Duque Estrada recebeu Cinco Contos de Réis por ter vencido o concurso, e a Letra do Hino escrita em ouro, e teria dado esta peça a uma namorada em sua adolescência. Sumiu!

Osório teve que lutar por 11 anos para que sua letra fosse oficialmente reconhecida e entre 1909 e 1922, dez trechos do Hino foram alterados pelo próprio Osório Duque Estrada.



segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

OSWALDO ARANHA


  . Rua Campo Belo, 199 - Laranjeiras   


Imagem relacionadaOswaldo Aranha (1894- 1960), gaúcho de Alegrete, formou-se em direito pela Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, em 1916, elegendo-se deputado federal em 27. No ano seguinte, com a posse de Getúlio Vargas no governo do Rio Grande, assumiu a pasta de secretário estadual do Interior e Justiça, dando início à sua longa carreira ao lado do caudilho.

Foi um dos principais articuladores da sucessão de Washington Luiz na presidência da República e da Revolução de 1930, que levou Vargas ao poder. Com a deposição de Washington Luiz pelos militares, Aranha negociou a transferência do poder para Getúlio, que se tornaria o mais longevo ditador do Brasil. Oswaldo Aranha assumiu, então, a pasta de Justiça e Negócios Interiores.

Político respeitado, buscava o entendimento, abrindo espaço para as soluções negociadas.

Imagem relacionadaNo final de 1931, trocou o Ministério da Justiça, onde havia promovido a anistia de todos os elementos perseguidos por questões políticas desde 1922, pelo Ministério da Fazenda. Nesta pasta, tomou medidas visando o equilíbrio orçamentário da União, renegociou a dívida externa brasileira e transferiu para o governo federal a condução da política de valorização do café, implementada através da compra de estoques excedentes do produto.

Nomeado por Getúlio para a embaixada do Brasil em Washington, em 1934, Oswaldo Aranha retornou ao Itamaraty em 1947, ao assumir o cargo de ministro das Relações Exteriores, apesar de ser um opositor ao Estado Novo. Nesta ocasião declarou:

“ Entrei para o governo não para servir o Estado Novo, mas decidido a evitar a repercussão de seus malefícios internos na situação internacional do Brasil”. 

Responsável pela entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial, ao lado dos Aliados, foi de sua autoria a costura do acordo com os americanos, apesar da resistência dos generais Eurico Gaspar Dutra e Góes Monteiro e do então ministro da Justiça, Francisco Campos, que eram simpáticos à Alemanha nazista.

Segundo o brasilianista Neill Lochery, “Aranha trabalhou para o Brasil entrar do lado certo na guerra e o país se beneficiou disso”, conseguindo vantagens extraordinárias em termos geopolíticos.

Resultado de imagem para oswaldo aranhaNa condição de chefe da delegação brasileira na Organização das Nações Unidas (ONU), Oswaldo Aranha presidiu a histórica sessão que determinou a Partilha da Palestina entre árabes e judeus e a criação do Estado de Israel, em 1947, tendo sido, neste mesmo ano, indicado ao Prêmio Nobel da Paz.








Ao morrer, em janeiro de 1960, Oswaldo Aranha deixou uma longa lista de realizações no Brasil e no exterior.

Oswaldo Aranha foi nosso vizinho ilustre no bairro de Laranjeiras, na Rua Campo Belo, 199,
próxima ao Parque Guinle. 

A casa com 950 m² hoje se encontra alugada e está à venda.



Uma Curiosidade:
Segundo seu neto Pedro Correa do Lago, seu avô é mais conhecido pelo filé que leva seu nome, do que pelo seu importante legado.

O Filé a Oswaldo Aranha é um prato típico carioca. 
Consiste em um filé mignon alto ou um contra filé, temperado com alho frito, acompanhado de batatas portuguesas, arroz branco e farofa de ovos.

O diplomata entre as décadas de 1930 e 1940, toda semana costumava almoçar no Restaurante Cosmopolita e que funciona até hoje na Travessa do Mosqueira, 4, na Lapa, Centro da cidade. Local de concentração de políticos, na época tinha o apelido de "Senadinho". Ali o diplomata costumava pedir um filé alto e pedia doses extras de alho “bem torradinho” em seu filé. O que o tornou diferenciado e acabou levando seu nome. Oswaldo Aranha também pedia o mesmo prato no Café Lamas, que na ocasião também o incorporou ao cardápio, e reivindica a paternidade do prato, alimentando uma polêmica sobre o assunto há décadas.

No Cosmopolita, o filé pesa 550 gramas e é servido na tradicional frigideira de metal.

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 15 de fevereiro - 125 anos de Oswaldo Aranha!