domingo, 15 de setembro de 2019

IBRAHIM SUED



  . Rua Joaquim Nabuco, 258 apto 201 - Ipanema  

Uma mistura de malandro com aristocrata, Ibrahim Sued (1924-1995) foi um dos mais importantes colunistas sociais brasileiros, e tornou-se conhecido pelos seus famosos bordões:
“De leve“, 
“Ademã que eu vou em frente“, 
“Olho vivo, que cavalo não desce escada”, 
“Os cães ladram e a caravana passa”
dentre outros.


Nenhuma descrição de foto disponível.

Além de um jeito de falar diferente e de gestos marcantes, parecia que conseguia atrapalhar-se ao dar uma notícia.

Nascido em uma família muito pobre, Ibrahim era filho de imigrantes árabes e morava no bairro do Botafogo. Tendo concluído somente o primeiro grau (o antigo ginasial), aos 17 anos começou a trabalhar no comércio, mas, devido aos frequentes atrasos, acabou dispensado. Morou também em muitas pensões baratas de Copacabana, antes de se tornar famoso.

Exerceu várias atividades até conseguir, em 1946, um emprego de repórter fotográfico, dando plantão nas redações das sete da noite às sete da manhã. Enviado para fotografar a visita do general americano Dwight Eisenhower ao Brasil, conseguiu um clique que o tornou famoso.

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Percebendo que algo diferente estava para acontecer, preparou a máquina e conseguiu fotografar o momento em que o líder da UDN, Otávio Mangabeira, fez um gesto dando a impressão de que ia beijar a mão de Einsehower. Muitos críticos utilizaram a foto para combater o chamado “servilismo” brasileiro em relação aos Estados Unidos.

Entretanto, a foto apenas criava uma “ilusão de ótica” devido ao ângulo em que os dois personagens se posicionavam. Na realidade, Mangabeira estava apenas cumprimentando o americano. Ilusão ou não, foi a partir desta foto  - publicada na capa do jornal O Globo no dia 9 de agosto de 1946 - 
que sua sorte como fotógrafo mudou. Começou a trabalhar com Joel Silveira na revista Diretrizes e travou contato com a nata da sociedade carioca, passando a frequentar as festas do high society.

Elegante, bom de papo e simpático, logo angariou amizades e começou a participar das rodas boêmias da cidade, fundando, juntamente com Carlinhos Niemeyer, Sérgio Porto, Paulo Soledade e Heleno de Freitas o famoso “Clube dos Cafajestes”.

Por essa época, passou também a publicar pequenas notas na seção “Vozes da Cidade”, do recém-criado jornal Tribuna da Imprensa, e na seção “Zum-Zum” do jornal Vanguarda, ganhando destaque e tornando-se conhecido como jornalista.

As portas então se abriram para o “turco” e ele passou a assinar as colunas sociais da revista Manchete e do jornal O Globo. Foi quando ele criou as listas “das dez mais”: as dez mais belas mulheres, as dez mais elegantes e as dez melhores anfitriãs da sociedade carioca. O resultado era sempre alvo de muita curiosidade, expectativa e também de muita polêmica e disputa.

Esperto e atento aos novos tempos, Ibrahim se inspirou nos famosos colunistas americanos e passou a publicar notas políticas e, principalmente, a tecer comentários sobre as pessoas da alta sociedade que ele frequentava. Com seu estilo leve e irônico e com seu jeito peculiar de escrever, misturando os bordões que ele mesmo criava, tornou-se leitura obrigatória nas altas rodas sociais. Ele passou inclusive a dar conselhos de etiqueta aos “figurões da República”, e a conviver com as personalidades mais famosas do Brasil e do exterior.

Nos anos 50, em parceria com Mário Jardim, compôs algumas músicas que foram gravadas por artistas como Cauby Peixoto, Bill Far, Ester de Abreu e Neusa Maria, tendo sido acusado de plagiar o samba “Decepção”, fato que teve grande repercussão na imprensa da época.

Seu casamento com Maria da Glória Drumond, a Miss Minas Gerais 1949  - que ficou conhecida como Glorinha Sued - , em 1958, foi um dos maiores eventos sociais do ano. Aconteceu em 13 de março de 1958 na Capela da Reitoria da UFRJ. Foi até capa da revista Manchete.

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 " A noiva chegou nervosa e atrasada quase uma hora. O noivo lançou nova moda masculina para casamento: casaca mais curta e calças sem listras. Para a lua de mel ela levou 19 vestidos. E êle 32 ternos. Ficarão na Europa dois meses...
Dom Hélder Câmara celebrou o casamento..."

Ibrahim foi catapultado para a TV, onde passou a comandar na TV Rio o programa “Ibrahim Sued e Gente Bem“, entrevistando famosos, exibindo filmes sobre eventos importantes e tecendo comentários relacionados ao high society.

Em 1965, Ibrahim foi contratado pela TV Globo, onde permaneceu por quase dez anos, apresentando suas colunas ao vivo, sempre com seu estilo irônico e elegante. Em junho de 1974, o programa “Ibrahim Sued Repórter” foi suspenso da grade de programação da Globo devido aos jogos da Copa do Mundo na Alemanha, saindo definitivamente do ar em agosto do mesmo ano. Ibrahim passou então a apresentar um quadro no programa Fantástico, exibido pela TV Globo aos domingos.

O ápice de sua carreira foi a comemoração dos 30 anos de existência de sua coluna, em junho de 1983, em um evento grandioso que contou com a presença de “ tout Rio”. De Roberto Marinho ao General Garrastazu Médici, mais de mil e quinhentos convidados foram prestigiar Ibrahim, com direito a fogos de artifício, passistas de escola de samba, tudo ao estilo Ibrahim, ou seja, grandiosíssimo.

Em 1993, resolveu deixar o jornalismo diário e passou a publicar apenas uma coluna aos domingos no jornal O Globo. 

Ibrahim Sued foi nosso vizinho ilustre no Arpoador, 
 à Rua Joaquim Nabuco, 258 apto 201
quase chegando à avenida Vieira Souto.




Em 1 de outubro de 1995, Ibrahim Sued morreu aos 72 anos, no Rio de Janeiro.



Curiosidades:

  • De 1972 a 1986, Ibrahim Sued publicou 5 livros: 

. “20 anos de caviar”, . “O Segredo do meu Su… Sucesso”, . “Aprenda a receber: Etiqueta, Nova Etiqueta”,. “30 anos de Reportagem” e . “Vida, Sexo, Etiqueta e Culinária (Do Rico e do Pobre).”

  • Em 2004, ganhou uma estátua localizada em frente ao Hotel Copacabana Palace, na Avenida Atlântico, esculpida em bronze pelo artista Marcos André Salles.

  •  foto Estátua de Ibrahim Sued

  • Recebeu, em vida, o título de Professor Emérito do Curso de Jornalismo outorgado pela Faculdade da Cidade do Rio de Janeiro.

  • E também foi homenageado pela Escola de Samba Acadêmicos de Santa Cruz, durante o carnaval carioca de 1985, com o enredo “Ibrahim, de leve eu chego lá“. Clique abaixo e ouça o samba-enredo.

  • Foi capa e entrevista do número 1 do jornal O PASQUIM
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domingo, 1 de setembro de 2019

ZOZIMO BARROSO DO AMARAL



 Rua Prudente de Moraes, 1440 - Ipanema  


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Zózimo Bráulio Barrozo do Amaral, o jornalista carioca da zona sul, Zózimo Barrozo do Amaral (1941- 1997) foi o colunista social de uma época em que a televisão ainda não traduzia para seu público o que acontecia nas grandes praças da moda e do bem viver. Estudou Direito mas não exerceu. Aos 22 anos, vestiu um terno e se apresentou à redação do jornal O Globo para começar a trabalhar como “repórter para assuntos de cidade.” Como tinha tanto a aparência (com olhos azuis cativantes) quanto os modos de gente fina, no ano seguinte foi escolhido para colaborar com Álvaro Americano, então titular da coluna social Carlos Swann. Passado mais um ano, com o pedido de demissão de Americano, Zózimo assumiu o comando da coluna.

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Entre o final dos 50 e o começo dos anos 80, o Rio de Janeiro foi a capital do glamour e do hedonismo. E Zózimo Barrozo do Amaral, seu cronista-mor. Em "O Globo" e no "Jornal do Brasil". a coluna de Zózimo,foi a melhor maneira de estudar o comportamento social do Rio nas últimas décadas do século XX. Suas notas coincidiam com o fim de um tipo de encontro social. O high society começou a sair de casa para se divertir nas discotecas, como as famosas Regine’s e Hippopotamus. Zózimo, pessoalmente, acompanhou esse movimento e, ótimo dançarino, era visto toda noite nesses points. Divertia-se e saía de lá cheio de informação.

A coluna de Zózimo, das mais bem-informadas, noticiava as transformações da sociedade brasileira, antecipando o que viria a acontecer. Em sua coluna também comentava notícias sobre economia e, como editor, foi responsável pelo chamado "Caderno B" e também editorava o "Informe JB".

" Se Jacinto de Thormes renovou o colunismo social 
com um texto sofisticado
se Ibrahim Sued em seguida acrescentou a hard news
Zózimo completou a receita aproveitando-se disso tudo e salpicando-a de ... humor"
                                                            Joaquim Ferreira dos Santos










Em 1969 o audacioso jornalista de vinte e sete anos disse ...

"Está na hora de as pessoas saberem
quem é Zózimo Barrozo do Amaral.”


...e se despediu de O Globo,para assumir uma coluna com seu nome no Jornal do Brasil
e revolucionar a crônica social.


Zózimo era um torcedor do Flamengo. Vibrava com as vitórias.

JB, 5/12/1978



Mas sempre foi  veemente com os erros do clube. Uma vez culpou as cervejas tomadas por Zico no Hippopotamus como responsáveis por um fiasco do jogador numa partida no Maracanã, dois dias depois. Quanto aos outros clubes?  O colunista ignorava solene e desinteressadamente.

Na década de 1970, um relatório do Departamento de Ordem Política e Social, o DOPs, classificava Zózimo Barrozo do Amaral como “lobo que se escondia por trás da pele de cordeiro e do colunismo social.” Os agentes do DOPs simplesmente não conseguiam interpretar corretamente algumas notas das colunas que Zózimo publicou em “O Globo” e no “Jornal do Brasil” – e por isso mandaram prender três vezes um burguês de fino trato sob a alcunha de esquerdista.

Zózimo também renovou os nomes do que se chamava “alta sociedade carioca” e criou um elenco curiosamente diversificado. Destacava também as mulheres que eram simplesmente bonitas, personagens de novas classes profissionais que surgiam.


O Globo, 7/12/1993


Mas estava surgindo um novo dinheiro, e o glamour se perdia. A cidade se transformara: do black-tie à camiseta da feijoada. E Zózimo via esse novo mundo -  não tinha paciência para essa gente -  e recusava convites dos novos ricos. 

Zózimo Barrozo do Amaral foi nosso vizinho ilustre no bairro de Ipanema, na Rua Prudente de Morais, 1440.






O jornalista Zózimo Barrozo do Amaral foi casado duas vezes. Primeiro com a artista plástica Márcia Barrozo do Amaral, e depois com Dorita Moraes Barros. De seu primeiro casamento teve um filho, Fernando.

Zózimo tem seu lugar no Leblon, em uma escultura que o eternizou aos 40 anos de idade. A estátua assinada pelo escultor Roberto Sá, foi inaugurada em 2001 no local de passagem do jornalista, no final avenida Delfim Moreira, no posto 12, em um a praça que leva seu nome.

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Curiosidades

Nas entrevistas, ele dizia ter como meta arrancar a cada manhã pelo menos um riso do leitor na mesa do café. Conseguiu gargalhadas inesquecíveis. Tirava sarro de quem quer que fosse, até mesmo de amigos.

O nome de Zózimo tem aparecido, em meio a grandes grifes da literatura internacional, em antologias de melhores frases de todos os tempos.



quarta-feira, 21 de agosto de 2019

CHACRINHA



  . Avenida Atlântica, 2688 - Copacabana  


Este quase médico revolucionou a comunicação no rádio e na tv brasileiras.

“Alô, Terezinha”! 
Quem não se comunica se trumbica”. 


Bordões hilários, figurino extravagante e a buzina estridente inconfundível contribuíram para tornar Chacrinha um dos maiores comunicadores da televisão brasileira. O Velho Guerreiro exerceu seu talento único, entretendo, ao longo da carreira, os mais diversos tipos de público.


José Abelardo Barbosa de Medeiros, o Chacrinha (1917 - 1988) nasceu em Surubim, Pernambuco, em 30 de setembro de 1917 e foi nosso vizinho ilustre na Ilha do Governador, em Copacabana e na Barra, onde faleceu. 

Aos 10 anos de idade, sua família mudou-se para Campina Grande, na Paraíba. De volta à Pernambuco, aos 17, foi estudar no Recife e, em 1936, ingressou na faculdade de Medicina. No ano seguinte, teve o primeiro contato com o rádio na Rádio Clube de Pernambuco, iniciando ali sua carreira como locutor, ao dar uma palestra sobre alcoolismo. Apesar de sucessivas crises financeiras na família, Chacrinha teve uma infância tranquila.

Além de locutor, Chacrinha assumiu também no Recife as baquetas do Bando Acadêmico do Recife. 

Dois anos depois de ingressar na Faculdade de Medicina, em 1938, foi operado de uma apendicite supurada. Ainda convalescente da delicada cirurgia, decidiu viajar como baterista no navio Bagé rumo à Alemanha. Porém, naquele dia, estourou a Segunda Guerra Mundial e ele desembarcou no Rio de Janeiro, então capital federal, onde iniciou sua carreira radiofônica na Rádio Vera Cruz.

Em 1943, já trabalhando na Rádio Clube Niterói, lançou o programa de marchinhas de carnaval “Rei Momo na Chacrinha”. Em 1944, Abelardo criou o “Cassino da Chacrinha”. Fez tanto sucesso que passou a ser conhecido como Abelardo “Chacrinha” Barbosa. Pouco depois, assumiu o apelido como nome artístico.

Em 1956, estreou na TV Tupi com os programas Rancho Alegre e Discoteca do Chacrinha. 

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Em seguida, foi para a TV Rio ...

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...quando coroou Roberto Carlos como Rei       

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 Elke  despontando como jurada



e, em 1970, foi contratado pela Rede Globo. 


Chegou a fazer dois programas semanais: A Buzina do Chacrinha (no qual apresentava calouros, distribuía abacaxis -  e perguntava “Vai para o trono, ou não vai?" - e a Discoteca do Chacrinha. Dois anos depois retornou à Tupi. Em 1978, transferiu-se para a TV Bandeirantes e, finalmente, em 1982, retornou à Globo, fundindo seus dois programas.

Cassino do Chacrinha foi o grande sucesso das tardes de sábado na TV Globo.

Os Jurados e as Chacretes

Os jurados ajudaram a criar o clima de farsa dos programas, marca registrada do comunicador, dos quais destacam-se Carlos Imperial, Aracy de Almeida, Rogéria, Elke Maravilha e Pedro de Lara, dentre tantos que passaram pelos programas.

Outro elemento para o sucesso dos programas para TV foram as chacretes: dançarinas, que faziam coreografias bastante simples e ingênuas para acompanhar as músicas. Além da coreografia ensaiada, as dançarinas recebiam nomes exóticos e chamativos como Rita Cadillac, Índia Amazonense, Fátima Boa Viagem, Suely Pingo de Ouro, Fernanda Terremoto etc. Apesar de vestidas de forma decorosa e rigorosamente acompanhadas pelo apresentador, que lhes proibia, por exemplo, encontrarem-se com fãs, elas fizeram parte do universo erótico de gerações de espectadores do programa. 

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Chacrinha com as chacretes, Rita Cadillac, a primeira à direita


Cinema

Chacrinha atuou em filmes brasileiros dos anos 60 e 70, geralmente interpretando ele mesmo. No filme Na Onda do Iê-iê-iê, de 1966, ele encena seu programa de calouros "A Hora da Buzina", exibido na TV Excelsior. Dentre os calouros, estavam Paulo Sérgio (como ele mesmo) e Silvio César (que interpretava o personagem César Silva).

Nos filmes, Chacrinha recita diversos de seus bordões: "Vai para o trono ou não vai?", "Como vai, vai bem? Veio a pé ou veio de trem?", "Cheguei, baixei, saravei". Há também outras frases engraçadas, quando ele diz que "Graças a Deus o programa acabou", ou então "Alguns calouros saem daqui contratados por alguma fábrica de discos, outros vão para a cadeia".

Carnaval e Morte

O Velho Guerreiro, assim chamado por Gilberto Gil em “Aquele Abraço”, foi homenageado pela Escola de Samba Império Serrano, em 1987, com o enredo "Com a boca no mundo - Quem não se comunica se trumbica". Foi a única vez que Chacrinha desfilou em uma escola de samba. Surgiu no último carro alegórico, que reproduzia o cenário de seu programa, rodeado pelas chacretes, por Russo (seu assistente de palco) e por Elke Maravilha.

Durante o ano de 1988, já doente, foi substituído em alguns programas por Paulo Silvino. Ao voltar à cena, no mês de junho, passou a comandar o programa com João Kléber.

Faleceu no dia 30 de junho de 1988, aos 70 anos, às 23h30, de infarto do miocárdio e insuficiência respiratória (tinha câncer no pulmão).

Em setembro de 87, seu aniversário de 70 anos foi comemorado com um jantar oferecido em sua homenagem pelo então Presidente da República, José Sarney.

O último programa “Cassino do Chacrinha” foi ao ar em 2 de julho de 1988. 


Curiosidades:

. Quando o bacalhau encalhou nas Casas da Banha, seu patrocinador na TV Tupi, Chacrinha arrumou um jeito de reverter a situação. Durante o programa, virava-se para o auditório:

"Vocês querem bacalhau?" 

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A plateia disputava a tapa o produto. As vendas explodiram e ele explicou: "Brasileiro adora ganhar um presentinho." 

. A cidade do Rio homenageou o Velho Guerreiro com uma estátua na Lagoa, na confluência das Ruas General Garzon e Lineu de Paula Machado. Ela foi erguida, em meados de 2010 e é obra do artista IQUE.


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sábado, 10 de agosto de 2019






Clique na imagem acima e reveja um pouco da sua trajetória




WALTER CLARK


No mês que se comemora o Dia da Televisão, dois nomes que marcam esse veículo de comunicação.

 Rua Baronesa de Poconé, 233, Lagoa  



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Walter Clark Bueno, ou somente Walter Clark ( 1936 - 1997) nasceu em São Paulo,mas mudou-se aos seis anos de idade para a capital carioca, onde começou a trabalhar aos 16 anos de idade, na Rádio Tamoio, de propriedade de Assis Chateaubriand. Lá ele desempenhou as funções de secretário e auxiliar do radialista Luís Quirino.



Imagem relacionadaSua carreira ganhou grande impulso a partir de 1956, aos 20 anos, quando foi contratado pela TV Rio, primeiro como assessor comercial, passando por diversos cargos até chegar a principal diretor executivo.

Na TV Rio implantou um conceito de faixa nobre na programação, um telejornal inovador, o telejornal Pirelli, e novelas que arrebataram o Brasil. Até 1962, a programação das tevês era irregular, não obedecia a um esquema fixo, segundo o tipo de programa o público de cada faixa horária. Foi Walter, junto com José Otávio de Castro Neves, que lançou naquele ano, na TV Rio, o “Esquema 63”: cada horário com um mesmo tipo de programa, ao longo de toda semana. A essa forma de distinguir a programação eles deram o nome de “grade”, até hoje em uso.

Em 1965 foi chamado por Roberto Marinho para assumir a direção executiva da TV Globo, com a finalidade de reestruturar a área comercial da jovem emissora e reformular a programação.
Um acontecimento marcou a vida de Clark à frente da Globo, e da própria emissora, quando toda a programação foi interrompida para que apenas o jornalismo fosse veiculado, cobrindo por três dias consecutivos as enchentes que assolaram o Rio de Janeiro.
Uma campanha, denominada SOS Globo, tornou a emissora simpática à opinião pública, que começou a ganhar mais telespectadores.


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Walter Clark teve papel decisivo em processos como o desenvolvimento do padrão Globo de qualidade, a implementação do conceito de grade (a programação pensada verticalmente, nas diferentes faixas horárias, e horizontalmente, nos diferentes dias da semana), a profissionalização da publicidade na TV e a modernização em geral do modelo de negócios da TV aberta . 

Clark trouxe para a Globo um nome que também marcou história na empresa da família Marinho: José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, com quem Clark havia trabalhado na TV Rio. Harmoniosa, no princípio, a dupla estabeleceu um jornal (o Jornal Nacional) entre duas novelas, um sucesso na grade da emissora, contando também com o trabalho de Armando Nogueira, um dos mentores do telejornal até hoje no ar.

Sob sua administração, e com a parceria com Boni, outros sucessos da emissora do Jardim Botânico foram criados, como o "Fantástico", "Globo Repórter" e "Globo de Ouro", este último na esteira do "Festival Internacional da Canção", que teve sua primeira edição em 1967.

O nome de Walter Clark ficou tão forte na Globo que chegou a superar até o de Roberto Marinho, o que acabou tornando o relacionamento entre os dois conflituoso. Extremamente talentoso e com algo de visionário,  Walter Clark era também dono de uma vaidade sem limites, traço de personalidade que com o tempo inviabilizou sua permanência na televisão. A saída de Clark da Globo aconteceu em 1977.

Depois da marcante passagem pela emissora, atuou como produtor de cinema, em filmes que tiveram boa repercussão, como "A Estrela Sobe", "Bye Bye Brasil" e "Eu Te Amo", entre outros.

De volta à televisão, em 1981, foi diretor-geral da Rede Bandeirantes, mas por pouco tempo, permanecendo na emissora paulista do Morumbi apenas por um ano.
Voltou à TV Rio em 1988, escreveu sua autobiografia com o jornalista Gabriel Priolli, intitulada "O Campeão de Audiência", publicada em 1991 - onde se disse traído por Boni -  e foi também vice-presidente do Flamengo e presidente da Fundação Roquete Pinto, entre 1991 e 1992.

Casamentos, de fato, foram cinco. O primeiro, aos 22 anos, com Vânia Rocha de Assis, garota-propaganda da TV Rio, com que teve uma filha, Flávia. Ambas já morreram. Segundo foi em 1961, com Sandra Sodré, vedete dos programas de Chico Anísio. O terceiro, com Ilka Soares, em 1962, que lhe deu Luciana. O quarto com Maria do Rosário Nascimento e Silva, em 1970, mãe de Eduarda. E o último em 1987, com Rosana Uva,  com quem teve Amanda. De uma relação breve com Fernanda Bruni, em 1976, nasceu o filho Fernando.

Entre os romances, mais ou menos efêmeros, incluem-se muitas artistas e socialites. No primeiro caso, a lista tem Sandra Bréa, Bete Faria, Sônia Braga e Dina Sfat. No segundo, Lilian Sayão, Silvia Faulkemburgo, Ângela Nabuco. O caso com Sônia Braga foi um dos mais comentados, mas durou pouco, apenas o verão de 1979. “Se com Bete (Faria) eu já viração atração turística quando saíamos à rua, com a Sônia, que estava no auge do sucesso de Dancin’ Days, era quase um evento. Tiravam fotografia, vinham conversar, as crianças pediam autógrafo.”

Mas o romance mais tempestuoso foi com Regina Léclery, ex- Simonsen nascida Rosemburgo, locomotiva carioca que morreu no desastre do avião da Varig em Orly, em 1973. Por causa dela, terminou o casamento com Ilka Soares e quase, também, o com Maria do Rosário.

Ele deixou quatro filhos: Luciana, filha do casamento com Ilka Soares; Eduarda, filha de Clark e Maria do Rosário Nascimento e Silva; Fernando,  filho do casamento com Fernanda Bruni, e Amanda, do casamento com Rossana ClarkA quinta filha de Walter Clark, Flávia,  filha de Vânia Rocha de Assis, garota-propaganda da TV Rio, morreu em um desastre no mesmo dia do nascimento de Fernando. Em homenagem à filha, Clark deu à sua produtora o nome de Flávia Filmes.

Walter Clark,  foi nosso vizinho ilustre no bairro da Lagoa, na cobertura da Rua Baronesa de Poconé, 233.

O salário mensal de Walter, estimado à época em 1,5 milhão de cruzeiros, lhe permitia um alto padrão de vida. Nessa cobertura duplex com 1 200 metros quadrados encontravam-se móveis coloniais, poltronas modernas, porcelana chinesa, pequenas esculturas egípcias em ferro, budas autênticos, bichos javaneses, tapetes persas, elefantes em louça da índia. Nas paredes, quadros de Manabu Mabe, Di Cavalcanti, Tarsila do Amaral, Cândido Portinari, João Câmara Filho, Djanira da Motta e Silva, além de quatro reproduções de Victor Vasarely assinadas.

As sequências do filme "Eu Te Amo" (1980), de Arnaldo Jabor, ( e produzido por Walter Clark) foram filmadas no interior desse apartamento.


Walter Clark morreu em seu apartamento no Rio de Janeiro, em 24 de março de 1997, aos 63 anos, vítima de insuficiência cardíaca e respiratória.


Curiosidade

3 de dezembro de 1978, final do Campeonato Carioca de 1978. A decisão, disputada em um Flamengo x Vasco, tornou-se marcante. Depois de perder o jogo decisivo do ano anterior para o mesmo rival, a equipe de Gávea foi campeã com um gol antológico, marcado aos 42 minutos do segundo tempo pelo zagueiro Rondinelli, que entrou para a história rubro-negra como “Deus da Raça”.

 O que poucos se lembram é que aquele time era comandado, nos bastidores, por uma figura muito conhecida da Televisão. Walter Clark.

Walter Clark foi um dos principais aliados de Márcio Braga nos primeiros dois mandatos do cartola rubro-negro.Mas ele acabou se decepcionando com o presidente.
Indicado à vice-presidência de futebol, o primeiro contato de Clark com os atletas foi num dia de treino, no vestiário.


" Em meu discurso, disse aos atletas que não estava ali de brincadeira, só para aparecer – isso eu já conseguia naturalmente, sem o Flamengo. Afirmei que estava ali para ser campeão e ainda naquele ano, apesar da nossa péssima situação no campeonato."

 A grande surpresa, porém, fica por conta das palavras de Clark com relação a Rondinelli. Autor do histórico gol do título do Campeonato Carioca de 1978, contra o Vasco, o Deus da Raça não contava com a preferência do vice-presidente de futebol. Ele mesmo conta a história:

"O Rondinelli, zagueirão, não me despertava a menor simpatia. Cometia muitas ingenuidades, errava quando não podia. (…) Eu queria vendê-lo de qualquer jeito, mas a torcida gostava dele. Chamava-o de “Deus da Raça” e tive de me calar. Para minha surpresa, foi justamente ele quem fez o gol que nos deu o título. Subiu para a área, cabeceou e liquidou a fatura."


quinta-feira, 1 de agosto de 2019

ROBERTO BURLE MARX


  . Estrada Roberto Burle Marx, 2019 - Barra de Guaratiba  




“Nos 110 anos de seu nascimento, 
quem sabe iniciamos a recuperação 
de parte de seu importante legado carioca”.
 Sergio Magalhães



Imagem relacionadaO artista plástico  nasceu em São Paulo (1909-1994) , filho de um judeu alemão e de uma pernambucana descendente de franceses. Ainda criança, se mudou com a família para o Rio de Janeiro, onde passou a maior parte da vida e morreu aos 84 anos.

Arquiteto por formação, foi também desenhista, pintor, gravador, litógrafo, escultor, tapeceiro, ceramista, designer de joias e decorador.

Sua infância foi passada no Rio de Janeiro, quando, aos 19 anos, seguiu com a família para a Alemanha, para cuidar de um problema nos olhos que quase lhe custou a visão. Curiosamente, foi lá que ele despertou sua atenção para as artes e para as plantas nativas do Brasil, depois de visitar o Jardim Botânico de Dahlen, em Berlim, onde se integrou à vida cultural da cidade, frequentando teatros, óperas, museus e galerias de arte, travando contato com as obras de pintores como Van Gogh, Picasso e Paul Klee.

De volta ao Brasil, vizinho de Lúcio Costa no bairro carioca do Leme, veio do amigo arquiteto o incentivo para que se matriculasse na Escola Nacional de Belas Artes, que hoje pertence à UFRJ. Ali teve a oportunidade de conviver com outros grandes nomes conhecidos mundo afora, como Oscar Niemeyer e Hélio Uchôa.

Resultado de imagem para jardim para a residência da família Schwartz burle marxData de 1932 seu primeiro projeto de jardim para a residência da família Schwartz, no Rio de Janeiro, (foto ao lado) a convite dos arquitetos Lucio Costa e Gregori Warchavchik.

Entre 1934 e 1937, ocupou o cargo de diretor de parques e jardins em Recife, onde passou a residir. Nesse período, vinha com frequência ao Rio de Janeiro para assistir as aulas de Candido Portinari e Mário de Andrade, no Instituto de Arte da Universidade do Distrito Federal.

Em 1937, retornou definitivamente ao Rio de Janeiro e começou a trabalhar como assistente de Candido Portinari, datando desta época a integração de sua obra paisagística à arquitetura moderna, experimentando formas orgânicas e sinuosas na elaboração de seus projetos.

Burle Marx foi Nosso Vizinho Ilustre em Barra de Guaratiba.

Em 1949, o paisagista adquiriu, junto com seu irmão Guilherme,  um sítio de 800.000 m², no Rio de Janeiro - Sítio Santo Antônio da Bica -   e por lá existia apenas uma grande plantação de bananas, uma casa antiga de fazenda e uma pequena capela do séc. XVII, dedicada a Santo Antonio. Burle Marx resolveu restaurar as construções e levou para o sítio toda a sua coleção de plantas, que começou quando ele tinha apenas 7 anos. Tudo nesse espaço de 468.500m² foi levado por Roberto Burle Marx, que em companhia de botânicos, realizou inúmeras viagens por diversas regiões do país para coletar e catalogar exemplares de plantas, reproduzindo em sua obra a diversidade fitogeográfica brasileira. Roberto se mudou definitivamente para o sítio em 1973.

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Sua obra atinge uma linguagem particular a partir da década de 1950. A tendência para a abstração consolida-se e a paleta muda, passando a incluir muitas nuances de azul, verde e amarelo mais vivos. Em suas telas o trabalho com a cor está associado ao desenho, que se sobrepõe e estrutura a composição. Inspirando-se constantemente em formas da natureza, suas pinturas e desenhos refletem a indissociável experiência de paisagista e botânico

Na década de 1970, tem marcante atuação como ecologista, defendendo a necessidade da formação de uma consciência crítica em relação à destruição do meio ambiente.

O estudo da paisagem natural brasileira é um elemento fundamental nos projetos de Burle Marx. Sua obra tem caráter inovador: trabalha como botânico e pesquisador, realiza excursões pelo país, descobre espécies vegetais, incorpora as plantas do cerrado, espécies amazônicas e do sertão nordestino em suas obras. Inclui em seus parques e jardins elementos arquitetônicos como colunas e arcadas, encontrados em demolições; utiliza ainda mosaicos e painéis de azulejos, recuperando a tradição portuguesa.

O Sítio Santo Antônio da Bica foi doado ao governo federal em 1985, passando a chamar-se Sítio Roberto Burle Marx, e constitui um valioso patrimônio paisagístico, arquitetônico e botânico.

“Obras tombadas de Burle Marx formam um roteiro único 
que começa nos jardins do Palácio Capanema,
 vai à praça do aeroporto Santos Dumont, 
inclui o Parque do Flamengo, 
presente monumental que a cidade recebeu 
do talento desse artista 
e de gestores públicos de grande competência, 
chegando, depois, na obra-prima 
de mosaicos de pedra portuguesa da Avenida Atlântica, Copacabana, bairro que é a síntese do Rio para o mundo”.

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Com 7 quilômetros de extensão, o parque inclui os jardins do Museu de Arte Moderna, do Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, além da praça Salgado Filho, em frente ao aeroporto Santos Dumont.<br>

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segunda-feira, 15 de julho de 2019

IRMÃOS BERNARDELLI



Continuando a comemoração dos 110 anos 
do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, 
destacamos dois outros nomes 
ligados à sua história.



Os irmãos Bernardelli,  Rodolpho e Henrique, foram grandes artistas do século XIX, que  influenciaram dezenas de artistas do século XX. Vieram para o Brasil  com seus pais, para serem preceptores das princesas Isabel e Leopoldina, a convite do imperador d.Pedro II.





Rodolpho Bernardelli  -  José Maria Oscar Rodolpho Bernardelli y Thierry -  (1852-1931)

Nasceu em Guadalajara e faleceu no Rio de Janeiro.
Foi escultor, professor e naturalizou-se brasileiro.
Um dos maiores escultores brasileiros, deixou uma extensa produção, entre obras tumulares, monumentos comemorativos e bustos de personalidades. Considerado um dos reformadores do ensino artístico no Brasil, Rodolfo Bernardelli alcança uma posição tão destacada no círculo de artes, o que o leva a assumir o cargo de primeiro diretor da recém-instituída Escola Nacional de Belas Artes. Por lá chega vitorioso, contava com a simpatia da Família Imperial e já era um artista reconhecido. Como  maior nome da escultura nacional passa a receber uma série de encomendas, incluindo alguns monumentos de grande porte.Fica na escola entre 1890 e 1915, e nesse  período propõe, inclusive, a edificação da nova sede na avenida Rio Branco.

Figura miúda, rosto avermelhado contornado por uma barbicha bem desenhada, personalidade calma, comedida, homem que nunca levantava a voz mas que impunha respeito, severo e ao mesmo tempo dotado de fina ironia, atencioso e íntegro, dono de grande magnetismo pessoal. Foi amado, respeitado e até mesmo reverenciado por uma grande legião de amigos, homens como Benjamim Constant, Quintino Bocayuva, Olavo Bilac, Machado de Assis, Aluízio e Arthur de Azevedo, Raul Pompéia, Leopoldo Miguez, Angelo Agostini, Pereira Passos, Paulo de Frontin.

Mas a opinião não era unânime. Outros o acusavam de ser extremamente vaidoso, sempre se utilizando de subterfúgios para aparecer. Era visto ainda como autoritário, prepotente e sobretudo ingrato. Faziam parte desse grupo Vitor Meirelles e Antonio Parreiras, dentre outros.

No atelier da rua da Relação, um galpão construído num terreno que havia recebido do governo, Rodolpho Bernardelli vivia e trabalhava. Ali executou grande parte de sua obra. Também recebia os amigos, uma roda formada por literatos, jornalistas, políticos ocupando altos postos, artistas, nomes que formavam a sociedade culta da época e muitos dos quais foram retratados pelo artista, como se pode ver pela coleção so Museu Nacional de Belas Artes.

Um movimento de professores e alunos o afastou da direção da Escola Nacional de Belas Artes em 1915. No ano seguinte pediria a aposentadoria e só voltaria a colocar os pés na Escola, já bem idoso, para receber uma homenagem em forma de busto, feito por seu aluno Correia Lima. Nesse espaço de tempo ele viveria praticamente afastado do mundo, em seu novo atelier na praia de Copacabana, dedicado unicamente à escultura e ao convívio dos amigos mais fiéis. Morreria em abril 1931, mas não antes de dar um passeio de bonde para se despedir de seus monumentos

Da obra de Rodolpho Bernardelli vale destacar inúmeros bustos de personalidades públicas, obras tumulares e diversos monumentos comemorativos, realizados principalmente para a cidade do Rio de Janeiro, como os dedicados ao General Osório, 1894, ao Duque de Caxias, 1899, a José de Alencar, 1897 e o grupo escultórico Descobrimento do Brasil, 1900. 

O artista executou ainda as estátuas que ornamentam o prédio do Theatro Municipal, em 1905.


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Henrique Bernardelli (1858 - 1936) nasceu em Valparaiso no Chile, e também naturalizou-se brasileiro.

Foi  pintor, desenhista, gravador, professor. Matriculado na Academia Imperial de Belas Artes, juntamente com o irmão, foi aluno , dentre outros de  Victor Meirelles. De 1878 a 1886 fica na Europa aprimorando estudos e na volta ao Brasilvrealiza no Rio de Janeiro uma exposição individual que causa interesse e polêmica no meio local. São apresentadas, entre outras obras, Tarantela, Maternidade, Messalina, Modelo em Repouso e Ao Meio Dia.

Lecionou na Escola Nacional de Belas Artes de 1891 a 1905, e depois, juntamente com o irmão, passou a lecionar em um ateliê particular, na Rua do Ouvidor, no Rio de Janeiro.

Henrique Bernardelli foi o primeiro pintor brasileiro a extrair todos os fundamentos de sua experiência artística dos processos, hábitos técnicos e cores da pintura italiana praticada por muitos artistas do século XIX. O que havia de mais particular na sua obra era o aspecto de uma pintura nova para o que aqui se conhecia. A diferença de um academismo francês, uma nova visão para a pintura, que muito havia de popular, naturalidade das coisas, dos fatos.

Temperamento irrequieto, nervoso. Tinha forte peito, músculos desenvolvidos e reforçados pelo exercício das caminhadas ao ar livre, pelo alto das montanhas, o que refletia em sua obra, que era vigorosa, original, cheia de calor, cheia de ousadia.

Na década de 1890 fez os painéis O Domínio do Homem sobre as Forças da Natureza e A Luta pela Liberdade, para a Biblioteca Nacional , ambos no Rio de Janeiro. Utilizou a técnica de afresco na execução de 22 medalhões que retratam personalidades e artistas ligados ao ensino das artes no Brasil. Essas obras adornam a fachada do Museu Nacional de Belas Artes.

Em 1986, para marcar os 50 anos da sua morte, os Correios emitiram selo reproduzindo sua obra, Maternidade.

Em sua vasta obra merecem, também, destaque importantes trabalhos decorativos, pintura de painéis, no interior do Theatro Municipal.


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Apoteose à Poesia, 
decoração de Henrique Bernardelli 
para cúpula anexa ao foyer do Theatro Municipal, 1906.


Os irmãos Bernardelli foram nossos vizinhos ilustres em Copacabana.

Duas imagens da casa Bernardelli em 1910:


1. Óleo sobre tela de José Pinelo Llull


 2. Foto do palacete toscano construído pelo arquiteto Sylvio Rebechi, em 1908


A casa Bernardelli, ficava na esquina da Rua Belford Roxo com a Av. Atlântica, onde hoje é a Praça do Lido.
A casa, uma das pioneiras no bairro, construída antes mesmo da Av. Atlântica ter suas obras iniciadas e da Av. N.S. de Copacabana, neste trecho, ainda ser um vasto areal, era notada de longe nas fotos até o final dos anos 20, quando com o aumento das construções na Av. Atlântica e o fim da pendenga judicial que bloqueava a ocupação de grande parte do Posto 2, começou a ser escondida e passar desapercebida.
Com a morte de Rodolpho Bernardelli em 1931 e de Henrique em 1936, era dada como certa a demolição da casa, que ficou fechada por muitos anos, gerando na comunidade de Copacabana um pouco comum, naquela época, desejo preservacionista da residência.
 O tema foi debatido pela Imprensa, inclusive na revista Beira-Mar. Os moradores queriam preservar a casa, não só em lembrança dos dois brilhantes artistas, como também pelo significado que a casa tinha em relação à ocupação do bairro. Muitos queriam que nela fosse instalada uma escola.
Mas os apelos foram em vão e, no final dos anos 40, a casa, em relativo mau estado, foi ao chão pelas mãos da Construtora Corcovado, a que mais destruiu o bairro no período.
O semanário Beira-Mar através de Théo-Filho - um dos escritores mais lidos no Brasil nos anos 20 - deu a manchete: 

"Consumou-se, afinal, o atentado!"

"Foi iniciada a demolição da casa dos 
irmãos Bernardelli" (Rodolpho e Henrique)...
o palacete toscano da Avenida Atlântica, ... 
construído pelo arquiteto Sylvio Rebechi, em 1908... 

Os antigos palacetes de Copacabana
- como este onde moraram o escultor e o pintor - 
começavam a desaparecer para a construção 
dos prédios de apartamentos 
em concreto armado, os arranha-céus".

Na Praça do Lido hoje existe uma escultura dos irmãos, inaugurada no centenário de Rodolfo.