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Victor Meirelles de Lima (1832-1903), pintor e professor do Brasil Império, teve um importante papel na formação de diversos pintores durante os 30 anos em que lecionou na Academia Imperial de Belas Artes. Algumas das mais conhecidas e consagradas obras de Victor Meirelles são cenas de batalhas.
Considerado um dos mais importantes representantes da pintura histórica brasileira do século XIX, Vitor Meirelles é o autor da “Primeira Missa do Brasil”, pertencente ao acervo do Museu Nacional de Belas Artes, em cuja pintura o artista utilizou a descrição da carta de Pero Vaz de Caminha. Foi sua primeira grande obra, executada entre os anos de 1858 e 1860, e lhe valeu fartos elogios no prestigioso Salão de Paris, de 1861.
“Primeira Missa do Brasil”

O artista nasceu na Vila Nossa Senhora do Desterro, hoje Florianópolis, no dia 18 de agosto de 1832. Filho de pai português e mãe brasileira logo cedo manifestou interesse pelo desenho, passando seu tempo desenhando paisagens.
Estudou francês, filosofia e latim com o padre Joaquim Gomes d’Oliveira e, em 1845, iniciou seus estudos artísticos com o argentino Marciano Moreno. Estudou também com José Correia de Lima, aluno de Debret. Foram dois anos estudando desenho e três anos voltados para a “pintura histórica”.
Com apenas 14 anos, sua habilidade chamou a atenção do Conselheiro do Império Jerônimo Francisco Coelho que, em 1847, o levou para o Rio de Janeiro e o matriculou na Academia Imperial de Belas Artes. No ano seguinte, foi premiado com uma medalha de ouro.
Com o quadro São João Batista no Cárcere, ganhou, em 1852, uma viagem para a Europa onde viveu por oito anos, entre Itália e França.

Em Roma, Meirelles estudou com Nicola Consoni, da Academia de São Lucas, seguindo, em seguida, para Veneza, onde se encantou com a técnica e o colorido dos pintores venezianos. Aprimorou sua técnica, copiando as obras de Ticiano, Tintoretto e Lorenzo Lotto.
Em 1857, com a renovação de sua bolsa de estudos, ele seguiu para Paris, onde permaneceu por mais três anos, tendo como mestres Léon Cogniet, André Gastaldi e Paul Delaroche, da Escola de Belas Artes, dedicando-se a estudar a obra de Horace Vernet, reconhecido por suas pinturas de batalhas.
Já consagrado, retornou ao Brasil, instalando seu ateliê no Convento de Santo Antônio, sendo condecorado por D. Pedro II, com o grau de Cavaleiro da Imperial Ordem de Cristo e da Imperial Ordem da Rosa. Em 1864, pintou os retratos de D. Pedro II e da Imperatriz Tereza Cristina, produzindo nos anos seguintes diversas obras por encomenda da família imperial, dentre elas o Juramento da Princesa Isabel.
Nesta época, a Igreja era uma importante patrocinadora das artes. Atuava como mecenas, sustentando artistas, que criavam obras belíssimas, sob encomenda de seus patrocinadores.
A obra conhecida como “Invocação a Nossa Senhora do Carmo”, encomendada por D. João Esberard, então arcebispo do Rio de Janeiro, para servir de fundo ao altar mor da catedral da cidade, foi a última obra do artista. O quadro foi retirado e guardado após a morte do arcebispo. Voltou a ficar em exposição em 1915, desta vez no prédio que abrigou o Liceu de Artes e Ofícios. Quando a instituição foi transferida para a sede da Praça Onze, o quadro foi doado ao Museu Nacional de Belas Artes, onde permanece até hoje.

Em 1868, instalado a bordo do navio Brasil, onde permaneceu por seis meses, Meirelles retratou a Guerra do Paraguai, direto da zona de conflito, pintando telas de grandes dimensões.
No final do século XIX, Meirelles dedicou-se à pintura de “panoramas”, fundando a empresa Meirelles & Langerock, uma parceria que produziu, entre outros, o Panorama Circular do Rio de Janeiro e Entrada da Esquadra Legal no Porto do Rio de Janeiro.
Estudos para o Panorama



‘A descoberta da fotografia, importante auxiliar das artes e ciências, e que há mais de meio século preocupava o espírito de doutos tornando-se objeto de estudo de alguns sábios da Inglaterra e da França, só nesses últimos tempos atingiu ao grande aperfeiçoamento que apresenta e que bem pouco deixa a desejar’.
Foi com essas palavras que Victor Meirelles iniciou o capítulo “Fotografia”, que constou no Relatório sobre a II Exposição Nacional de 1866. O pintor deixou claro seu amplo conhecimento sobre o assunto, desde sua história até as peculiaridades dos processos fotográficos já desenvolvidos. Mostrou-se também entusiasmado com as aplicações da fotografia. Seu julgamento das obras expostas expressava rigor crítico e admiração. Usou em sua avaliação valores e parâmetros que eram, tradicionalmente, utilizados na crítica de pinturas como, por exemplo, os efeitos de luz e a nitidez das imagens. Com sua apreciação, Meirelles incentivou o diálogo entre a fotografia e a pintura.

A casa onde viveu Vitor Meirelles no Rio de Janeiro, hoje em dia é sede do Centro de Movimento Debora Colker. A arquitetura do prédio retrata tipo de residência com a fachada alinhada com a calçada. A casa abrange toda a extremidade do terreno e é uma casa típica do fim do segundo reinado e início e do século 20.
O Museu Victor Meirelles fica na sua cidade natal, Florianópolis, à Rua Rafael Bandeira, nº 41, no sobrado onde o artista nasceu.
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