quinta-feira, 1 de agosto de 2019

ROBERTO BURLE MARX


  . Estrada Roberto Burle Marx, 2019 - Barra de Guaratiba  




“Nos 110 anos de seu nascimento, 
quem sabe iniciamos a recuperação 
de parte de seu importante legado carioca”.
 Sergio Magalhães



Imagem relacionadaO artista plástico  nasceu em São Paulo (1909-1994) , filho de um judeu alemão e de uma pernambucana descendente de franceses. Ainda criança, se mudou com a família para o Rio de Janeiro, onde passou a maior parte da vida e morreu aos 84 anos.

Arquiteto por formação, foi também desenhista, pintor, gravador, litógrafo, escultor, tapeceiro, ceramista, designer de joias e decorador.

Sua infância foi passada no Rio de Janeiro, quando, aos 19 anos, seguiu com a família para a Alemanha, para cuidar de um problema nos olhos que quase lhe custou a visão. Curiosamente, foi lá que ele despertou sua atenção para as artes e para as plantas nativas do Brasil, depois de visitar o Jardim Botânico de Dahlen, em Berlim, onde se integrou à vida cultural da cidade, frequentando teatros, óperas, museus e galerias de arte, travando contato com as obras de pintores como Van Gogh, Picasso e Paul Klee.

De volta ao Brasil, vizinho de Lúcio Costa no bairro carioca do Leme, veio do amigo arquiteto o incentivo para que se matriculasse na Escola Nacional de Belas Artes, que hoje pertence à UFRJ. Ali teve a oportunidade de conviver com outros grandes nomes conhecidos mundo afora, como Oscar Niemeyer e Hélio Uchôa.

Resultado de imagem para jardim para a residência da família Schwartz burle marxData de 1932 seu primeiro projeto de jardim para a residência da família Schwartz, no Rio de Janeiro, (foto ao lado) a convite dos arquitetos Lucio Costa e Gregori Warchavchik.

Entre 1934 e 1937, ocupou o cargo de diretor de parques e jardins em Recife, onde passou a residir. Nesse período, vinha com frequência ao Rio de Janeiro para assistir as aulas de Candido Portinari e Mário de Andrade, no Instituto de Arte da Universidade do Distrito Federal.

Em 1937, retornou definitivamente ao Rio de Janeiro e começou a trabalhar como assistente de Candido Portinari, datando desta época a integração de sua obra paisagística à arquitetura moderna, experimentando formas orgânicas e sinuosas na elaboração de seus projetos.

Burle Marx foi Nosso Vizinho Ilustre em Barra de Guaratiba.

Em 1949, o paisagista adquiriu, junto com seu irmão Guilherme,  um sítio de 800.000 m², no Rio de Janeiro - Sítio Santo Antônio da Bica -   e por lá existia apenas uma grande plantação de bananas, uma casa antiga de fazenda e uma pequena capela do séc. XVII, dedicada a Santo Antonio. Burle Marx resolveu restaurar as construções e levou para o sítio toda a sua coleção de plantas, que começou quando ele tinha apenas 7 anos. Tudo nesse espaço de 468.500m² foi levado por Roberto Burle Marx, que em companhia de botânicos, realizou inúmeras viagens por diversas regiões do país para coletar e catalogar exemplares de plantas, reproduzindo em sua obra a diversidade fitogeográfica brasileira. Roberto se mudou definitivamente para o sítio em 1973.

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Sua obra atinge uma linguagem particular a partir da década de 1950. A tendência para a abstração consolida-se e a paleta muda, passando a incluir muitas nuances de azul, verde e amarelo mais vivos. Em suas telas o trabalho com a cor está associado ao desenho, que se sobrepõe e estrutura a composição. Inspirando-se constantemente em formas da natureza, suas pinturas e desenhos refletem a indissociável experiência de paisagista e botânico

Na década de 1970, tem marcante atuação como ecologista, defendendo a necessidade da formação de uma consciência crítica em relação à destruição do meio ambiente.

O estudo da paisagem natural brasileira é um elemento fundamental nos projetos de Burle Marx. Sua obra tem caráter inovador: trabalha como botânico e pesquisador, realiza excursões pelo país, descobre espécies vegetais, incorpora as plantas do cerrado, espécies amazônicas e do sertão nordestino em suas obras. Inclui em seus parques e jardins elementos arquitetônicos como colunas e arcadas, encontrados em demolições; utiliza ainda mosaicos e painéis de azulejos, recuperando a tradição portuguesa.

O Sítio Santo Antônio da Bica foi doado ao governo federal em 1985, passando a chamar-se Sítio Roberto Burle Marx, e constitui um valioso patrimônio paisagístico, arquitetônico e botânico.

“Obras tombadas de Burle Marx formam um roteiro único 
que começa nos jardins do Palácio Capanema,
 vai à praça do aeroporto Santos Dumont, 
inclui o Parque do Flamengo, 
presente monumental que a cidade recebeu 
do talento desse artista 
e de gestores públicos de grande competência, 
chegando, depois, na obra-prima 
de mosaicos de pedra portuguesa da Avenida Atlântica, Copacabana, bairro que é a síntese do Rio para o mundo”.

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Com 7 quilômetros de extensão, o parque inclui os jardins do Museu de Arte Moderna, do Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, além da praça Salgado Filho, em frente ao aeroporto Santos Dumont.<br>

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segunda-feira, 15 de julho de 2019

IRMÃOS BERNARDELLI



Continuando a comemoração dos 110 anos 
do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, 
destacamos dois outros nomes 
ligados à sua história.



Os irmãos Bernardelli,  Rodolpho e Henrique, foram grandes artistas do século XIX, que  influenciaram dezenas de artistas do século XX. Vieram para o Brasil  com seus pais, para serem preceptores das princesas Isabel e Leopoldina, a convite do imperador d.Pedro II.





Rodolpho Bernardelli  -  José Maria Oscar Rodolpho Bernardelli y Thierry -  (1852-1931)

Nasceu em Guadalajara e faleceu no Rio de Janeiro.
Foi escultor, professor e naturalizou-se brasileiro.
Um dos maiores escultores brasileiros, deixou uma extensa produção, entre obras tumulares, monumentos comemorativos e bustos de personalidades. Considerado um dos reformadores do ensino artístico no Brasil, Rodolfo Bernardelli alcança uma posição tão destacada no círculo de artes, o que o leva a assumir o cargo de primeiro diretor da recém-instituída Escola Nacional de Belas Artes. Por lá chega vitorioso, contava com a simpatia da Família Imperial e já era um artista reconhecido. Como  maior nome da escultura nacional passa a receber uma série de encomendas, incluindo alguns monumentos de grande porte.Fica na escola entre 1890 e 1915, e nesse  período propõe, inclusive, a edificação da nova sede na avenida Rio Branco.

Figura miúda, rosto avermelhado contornado por uma barbicha bem desenhada, personalidade calma, comedida, homem que nunca levantava a voz mas que impunha respeito, severo e ao mesmo tempo dotado de fina ironia, atencioso e íntegro, dono de grande magnetismo pessoal. Foi amado, respeitado e até mesmo reverenciado por uma grande legião de amigos, homens como Benjamim Constant, Quintino Bocayuva, Olavo Bilac, Machado de Assis, Aluízio e Arthur de Azevedo, Raul Pompéia, Leopoldo Miguez, Angelo Agostini, Pereira Passos, Paulo de Frontin.

Mas a opinião não era unânime. Outros o acusavam de ser extremamente vaidoso, sempre se utilizando de subterfúgios para aparecer. Era visto ainda como autoritário, prepotente e sobretudo ingrato. Faziam parte desse grupo Vitor Meirelles e Antonio Parreiras, dentre outros.

No atelier da rua da Relação, um galpão construído num terreno que havia recebido do governo, Rodolpho Bernardelli vivia e trabalhava. Ali executou grande parte de sua obra. Também recebia os amigos, uma roda formada por literatos, jornalistas, políticos ocupando altos postos, artistas, nomes que formavam a sociedade culta da época e muitos dos quais foram retratados pelo artista, como se pode ver pela coleção so Museu Nacional de Belas Artes.

Um movimento de professores e alunos o afastou da direção da Escola Nacional de Belas Artes em 1915. No ano seguinte pediria a aposentadoria e só voltaria a colocar os pés na Escola, já bem idoso, para receber uma homenagem em forma de busto, feito por seu aluno Correia Lima. Nesse espaço de tempo ele viveria praticamente afastado do mundo, em seu novo atelier na praia de Copacabana, dedicado unicamente à escultura e ao convívio dos amigos mais fiéis. Morreria em abril 1931, mas não antes de dar um passeio de bonde para se despedir de seus monumentos

Da obra de Rodolpho Bernardelli vale destacar inúmeros bustos de personalidades públicas, obras tumulares e diversos monumentos comemorativos, realizados principalmente para a cidade do Rio de Janeiro, como os dedicados ao General Osório, 1894, ao Duque de Caxias, 1899, a José de Alencar, 1897 e o grupo escultórico Descobrimento do Brasil, 1900. 

O artista executou ainda as estátuas que ornamentam o prédio do Theatro Municipal, em 1905.


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Henrique Bernardelli (1858 - 1936) nasceu em Valparaiso no Chile, e também naturalizou-se brasileiro.

Foi  pintor, desenhista, gravador, professor. Matriculado na Academia Imperial de Belas Artes, juntamente com o irmão, foi aluno , dentre outros de  Victor Meirelles. De 1878 a 1886 fica na Europa aprimorando estudos e na volta ao Brasilvrealiza no Rio de Janeiro uma exposição individual que causa interesse e polêmica no meio local. São apresentadas, entre outras obras, Tarantela, Maternidade, Messalina, Modelo em Repouso e Ao Meio Dia.

Lecionou na Escola Nacional de Belas Artes de 1891 a 1905, e depois, juntamente com o irmão, passou a lecionar em um ateliê particular, na Rua do Ouvidor, no Rio de Janeiro.

Henrique Bernardelli foi o primeiro pintor brasileiro a extrair todos os fundamentos de sua experiência artística dos processos, hábitos técnicos e cores da pintura italiana praticada por muitos artistas do século XIX. O que havia de mais particular na sua obra era o aspecto de uma pintura nova para o que aqui se conhecia. A diferença de um academismo francês, uma nova visão para a pintura, que muito havia de popular, naturalidade das coisas, dos fatos.

Temperamento irrequieto, nervoso. Tinha forte peito, músculos desenvolvidos e reforçados pelo exercício das caminhadas ao ar livre, pelo alto das montanhas, o que refletia em sua obra, que era vigorosa, original, cheia de calor, cheia de ousadia.

Na década de 1890 fez os painéis O Domínio do Homem sobre as Forças da Natureza e A Luta pela Liberdade, para a Biblioteca Nacional , ambos no Rio de Janeiro. Utilizou a técnica de afresco na execução de 22 medalhões que retratam personalidades e artistas ligados ao ensino das artes no Brasil. Essas obras adornam a fachada do Museu Nacional de Belas Artes.

Em 1986, para marcar os 50 anos da sua morte, os Correios emitiram selo reproduzindo sua obra, Maternidade.

Em sua vasta obra merecem, também, destaque importantes trabalhos decorativos, pintura de painéis, no interior do Theatro Municipal.


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Apoteose à Poesia, 
decoração de Henrique Bernardelli 
para cúpula anexa ao foyer do Theatro Municipal, 1906.


Os irmãos Bernardelli foram nossos vizinhos ilustres em Copacabana.

Duas imagens da casa Bernardelli em 1910:


1. Óleo sobre tela de José Pinelo Llull


 2. Foto do palacete toscano construído pelo arquiteto Sylvio Rebechi, em 1908


A casa Bernardelli, ficava na esquina da Rua Belford Roxo com a Av. Atlântica, onde hoje é a Praça do Lido.
A casa, uma das pioneiras no bairro, construída antes mesmo da Av. Atlântica ter suas obras iniciadas e da Av. N.S. de Copacabana, neste trecho, ainda ser um vasto areal, era notada de longe nas fotos até o final dos anos 20, quando com o aumento das construções na Av. Atlântica e o fim da pendenga judicial que bloqueava a ocupação de grande parte do Posto 2, começou a ser escondida e passar desapercebida.
Com a morte de Rodolpho Bernardelli em 1931 e de Henrique em 1936, era dada como certa a demolição da casa, que ficou fechada por muitos anos, gerando na comunidade de Copacabana um pouco comum, naquela época, desejo preservacionista da residência.
 O tema foi debatido pela Imprensa, inclusive na revista Beira-Mar. Os moradores queriam preservar a casa, não só em lembrança dos dois brilhantes artistas, como também pelo significado que a casa tinha em relação à ocupação do bairro. Muitos queriam que nela fosse instalada uma escola.
Mas os apelos foram em vão e, no final dos anos 40, a casa, em relativo mau estado, foi ao chão pelas mãos da Construtora Corcovado, a que mais destruiu o bairro no período.
O semanário Beira-Mar através de Théo-Filho - um dos escritores mais lidos no Brasil nos anos 20 - deu a manchete: 

"Consumou-se, afinal, o atentado!"

"Foi iniciada a demolição da casa dos 
irmãos Bernardelli" (Rodolpho e Henrique)...
o palacete toscano da Avenida Atlântica, ... 
construído pelo arquiteto Sylvio Rebechi, em 1908... 

Os antigos palacetes de Copacabana
- como este onde moraram o escultor e o pintor - 
começavam a desaparecer para a construção 
dos prédios de apartamentos 
em concreto armado, os arranha-céus".

Na Praça do Lido hoje existe uma escultura dos irmãos, inaugurada no centenário de Rodolfo.




segunda-feira, 1 de julho de 2019

ELISEU VISCONTI


Neste mês de julho, 
o Theatro Municipal do Rio de Janeiro 
completa 110 anos. 
Por isso vamos destacar personalidades 
ligadas à sua história.


  . Ladeira dos Tabajaras, 155 - Copacabana  


“A arte não pode parar. Modifica-se permanentemente. Agrada agora o que antes era detestado. Isto é evolução e não é possível fugir dos seus efeitos. O homem não para. Vai sempre adiante. Os futuristas, os cubistas, são expressões respeitáveis, artistas que tateiam, procurando alguma coisa que ainda não alcançaram. Eles agitam, sacodem, renovam. São dignos, por conseguinte, de toda admiração”.





Nascido na Itália, Eliseu d'AngeloVisconti (1866-1944) veio para o Brasil aos 7 anos e se tornou um dos mais importantes pintores impressionistas de nosso país. Sua vontade de ser brasileiro era tamanha que, em sua biografia, Fernando Barata escreve que ele teria imigrado para o Brasil com 1 ano de idade. O erro de Frederico Barata, mais amigo que biógrafo, com certeza foi proposital, pois Visconti se entristecia sempre que tinha contestada sua brasilidade.


“Há quase setenta anos que habito o Rio,
tenho o direto a ser carioca; 
local onde o meu espírito se formou 
e abriu-se à sensação estética 
que até hoje me prende à vida 

Sua vinda para o Brasil deu-se por influência de D. Francisca de Souza Monteiro de Barros, a baronesa de Guararema, aluna de pintura de Victor Meirelles e que se tornaria sua grande incentivadora e protetora. Como seus irmãos mais velhos, passou a viver na Fazenda São Luiz, em São José de Além Paraíba, de propriedade de Luiz de Souza Breves, o barão de Guararema.

Se a intenção do barão e da baronesa ao trazer os irmãos Visconti para o Brasil era ter mão de obra para a lavoura de café, a afeição da baronesa pelos irmãos frustraria esses planos e logo os afastaria da fazenda. Essa afeição, declarada em cartas da baronesa, ajudou Eliseu a superar a ausência dos pais, que nunca vieram ao Brasil e a iniciar sua brilhante carreira artística. 

Ainda jovem, Eliseu mudou-se para o Rio de Janeiro e se instalou no bairro do Andaraí, iniciando seus estudos de música com o compositor Vincenzo Cernicchiaro, no Club Mozart, na Rua da Constituição. Mas as lições de solfejo com Henrique Alves de Mesquita afastaram Eliseu da música. E o talento pelas artes plásticas prevaleceu, quando a baronesa viu um de seus desenhos, representando a figura de uma camponesa romana.

A conselho da baronesa, Visconti abandonou as aulas de música e iniciou os estudos de desenho e pintura no Liceu de Artes e Ofícios. Naqueles idos de 1882, a baronesa era a proprietária do antigo solar da marquesa dos Santos, em São Cristóvão, hoje Museu do Primeiro Reinado. Lá conservava precioso acervo de arte, com certeza mais um incentivo ao jovem Visconti. 

Sem abandonar o Liceu, ingressou na Imperial Academia de Belas Artes do Rio de Janeiro, em 1885, estimulado por D. Pedro II. O imperador, um ano antes, em uma de suas visitas ao Liceu, impressionado com uma escultura de Visconti, aconselhou o jovem Eliseu a continuar seus estudos na Academia: 

“Por que o senhor não entra na Academia? 
O senhor deve entrar o quanto antes na Academia”

Disse-lhe D. Pedro II ao ser apresentado a Visconti. O imperador gostava de pessoalmente distribuir os prêmios aos alunos da Instituição.

Em 1886, ao receber de D. Pedro II o prêmio da Medalha de Prata em Ornatos, ouviu do imperador:

  “Vejo que o senhor progride. Isto me causa grande satisfação. 
Quando entra para a Academia”?



carta de agradecimento de Eliseu Visconti para Pereira Passos, 
em 3 de outubro de 1905, 
pelo convite para realizar obras de arte no Theatro Municipal


Emocionado por ter sido reconhecido pelo imperador, Visconti gagueja e não consegue agradecer a D. Pedro, nem lhe comunicar que já ingressara na Academia. Anos depois, o agradecimento veio em forma de homenagem, quando Visconti, já em plena República e mesmo sofrendo críticas, inclui a figura do imperador no pano de boca do Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

Inspirado na Ópera de Paris, a célebre Opera Garnier, e, a convite do prefeito Pereira Passos, realizou a que é considerada sua principal obra: a pintura da boca de cena e do foyer do Municipal, que está completando 110 anos neste mês. O pintor também faria 153 anos no dia 30 de julho deste ano. 


Pintando a boca de cena

A obra da boca de cena pronta


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Visconti no atelier da Rue Didot, com os painéis do Foyer

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 Painel central do Foyer

A foto abaixo, guardada com outros negativos de vidro, pela família, 

por cerca de 100 anos, revela uma foto inédita de Visconti, de 1915, 
sentado num andaime em seu atelier em Paris, diante da pintura do foyer.


VISCONTI NO ANDAIME COM O PAINEL CENTRAL DO FOYER - c.1915

Eliseu Visconti foi nosso vizinho ilustre em Copacabana. 

Ao retornar de Paris, onde frequentou a Academia Francesa de Belas Artes, gozando uma bolsa de estudos concedida por D. Pedro II, Visconti se instalou em uma chácara na Ladeira do Barroso, atual Ladeira dos Tabajaras, em Copacabana. 

Hoje, no local,  Ladeira dos Tabajaras, 155 -  esquina com a Travessa Santa Margarida encontra-se o Edifício Eliseu Visconti.





“Se o fim da arte é despertar a emoção alheia, 
que importam os meios de que o artista lançou 
mão para conseguir essa finalidade”! 


Visconti faleceu no Rio de Janeiro, no dia 15 de outubro de 1944, aos 78 anos de idade.

Uma curiosidade:

Em 2016, ano dos 150 anos de nascimento de Eliseu Visconti, a equipe do Theatro Municipal foi surpreendida com uma feliz descoberta: uma tela com dois metros de diâmetro, sem título atribuído e localizada no teto da antessala do Camarote do Governador.
Após intensas pesquisas na documentação do Theatro e, ao serem examinadas as correspondências de 1933 do então diretor do Municipal, Roberto Doyle Maia, veio a grande constatação: a autoria da obra é de Eliseu D'Angelo Visconti.








domingo, 16 de junho de 2019

AURÉLIO BUARQUE DE HOLANDA



  . Praia de Botafogo, 48 - Botafogo  


Resultado de imagem para aurelio buarque de holandaAo contrário do que se pensa, Aurélio não é pai nem tio de Chico Buarque, mas sim primo, pois sua mãe era irmã de Cristóvão Buarque de Holanda.

Aurélio Buarque de Holanda (1910-1989 )virou sinônimo de dicionário. Seu sucesso transcendeu à sua morte e o nome "Aurélio" significa dicionário. Em 1941 executou um trabalho lexicográfico, colaborando com o Pequeno Dicionário da Língua Portuguesa. Daí em diante, tornou-se um dicionarista de inquestionável sucesso, tanto que para referir-se a dicionário, todos dizem simplesmente "Aurélio".
Novo Dicionário Aurelio Da Lingua Portuguesa: Ferreira, Aurelio ...
Escritor, lexicógrafo, tradutor, filólogo e crítico, Aurélio Buarque de Holanda Ferreira nasceu em Passo de Camaragibe, Alagoas, em 1910, onde iniciou seus estudos e seu interesse pela língua e literatura portuguesas. Embora formado em Direito pela Universidade do Recife, dedicou-se ao magistério, lecionando português, francês e literatura nos colégios Anglo-Americano e Pedro II, na Fundação Getúlio Vargas e no Instituto Rio Branco.

Paralelamente à sua dedicação aos dicionários, Aurélio Buarque de Holanda escreveu, organizou e colaborou na publicação de várias obras, além de traduzir diversos autores consagrados, como Charles Baudelaire, Gustave Flaubert, Pablo Neruda, entre outros.

De seu livro de contos e crônicas “Dois Mundos”, publicado em 1942 e premiado pela Academia Brasileira de Letras em 1944, destaca-se o antológico “O Chapéu de Meu Pai”, traduzido em vários idiomas.

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“Meus olhos se cravam no chapéu. Está no cabide tal como meu Pai o usava - quebrado para a frente - o chapéu marrom, comum, de abas debruadas, o chapéu de meu Pai.

O chapéu fica sozinho, até o dia seguinte, pois geralmente meu Pai não sai de casa à noite de uns tempos para cá. A gente olha o porta-chapéus e adquire a certeza de que o dono da casa não saiu. Não é só porque vê o chapéu: é porque vê a pessoa. Se nos descuidarmos, diremos, apontando o chapéu: - Olhe Seu Manuel ali."

Contratado pelo Ministério das Relações Exteriores, mudou-se para o Rio de Janeiro em 1938 e, de 1947 a 1960, foi responsável pela seção “O Conto da Semana”, no Suplemento Literário do Diário de Notícias do Rio de Janeiro, com a colaboração do amigo Paulo Rónai.

Com Paulo Rónai, Aurélio organizou e traduziu os dez volumes da coleção Mar de Histórias, antologia do conto mundial, que teve seu primeiro volume publicado em 1945. Participou, entre 1944-49, da Associação Brasileira de Escritores, foi membro da Academia Brasileira de Filologia, do Pen Clube do Brasil, do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas, da Academia Alagoana de Letras e da Hispanic Society of America. A partir de 1950, foi responsável pela seção "Enriqueça seu Vocabulário", da revista Seleções, do Reader's Digest. Oito anos depois, todos os seus artigos foram reunidos em um livro, que levaria o mesmo nome.

Aurélio Buarque de Holanda foi nosso vizinho ilustre
à Praia de Botafogo, 48 





Em 1961, foi eleito para ocupar a cadeira número 30 da Academia Brasileira de Letras e, em 1986, recebeu o Prêmio Jabuti de Personalidade Literária do Ano, concedido pela Câmara Brasileira do Livro.







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Casado desde 1945 com Marina Baird (foto ao lado), sua fiel colaboradora, Aurélio Buarque de Holanda faleceu no Rio de Janeiro, no dia 28 de fevereiro de 1989. 













quarta-feira, 12 de junho de 2019

LINDA BATISTA


  . Rua Barata Ribeiro, 625 - Copacabana  


Linda Batista (1919-1988) - Florinda Grandino de Oliveira fez muito sucesso como cantora entre os anos 1930 e 1950, mas sucumbiu às mudanças ocorridas no cenário musical na década de 1960. Irmã de outro mito radiofônico, Dircinha Batista, Linda era querida pela alta sociedade e pelos intelectuais, autêntica representante da fase áurea do rádio carioca.


No próximo dia 14 de junho 
comemora-se seu centenário. 

Nasceu em São Paulo, por exigência da avó, que era paulista e muito supersticiosa. Mas cresceu e estudou nos melhores colégios religiosos do Rio de Janeiro. Aos 10 anos começou a aprender violão com o cantor Patrício Teixeira e acompanhava a irmã em apresentações na Casa do Estudante. Aos 17 anos,  por um mal estar, desmaio, de Dircinha, substituiu-a, estreando como cantora no programa que Francisco Alves fazia na Rádio Cajuti, interpretando Malandro, de Claudionor Cruz.  Obteve sucesso, sendo convidada para outras apresentações nessa emissora. Assim começava sua carreira.


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As irmãs Batista, Linda à direita.

Tornou-se crooner da orquestra de Kolman, no Cassino da Urca - onde sucedeu Carmen Miranda, apresentando-se três vezes por noite -  e, em 1937 foi eleita pela 1ª vez Rainha do Rádio, título que manteve por onze anos consecutivos. Em 1938, pela Odeon, lançou seu 1º disco.

Foi atração dos programas de auditório de César de Alencar e Manoel Barcellos. Com um grito de guerra — "Ôba!" — entrava no palco para deliciar seus fãs com sucessos de autores que lançou, como Lupicínio Rodrigues. "Vingança", dele, foi gravada ao final de uma paixão de Linda que durou 15 anos, e "Risque", um presente do amigo Ary Barroso, para quem ela comprou um piano.



Imagem relacionadaCantora predileta do presidente Getúlio Vargas  - na foto ao lado com  Linda e Hermínio Belo de Carvalho - frequentava assiduamente o Palácio do Catete. Ele a chamava de "patrimônio nacional".  Diziam até que seria sua amante. Nunca essa história foi confirmada por ela, apesar da intimidade aparente entre os dois.

Também recebeu da UBC e da SBACEM o troféu Noel Rosa, por gravar exclusivamente música brasileira.

Foi uma das maiores cantoras do samba-canção, fez 29 filmes e excursões ao exterior de muito sucesso com a nossa música, um dos símbolos de uma época de ouro, embalando noitadas regadas a champagne francês e despertando centenas de paixões com seu jeito irreverente, a boca vermelha e "vestidos longos, bordados de canutilhos."


Mas foi se afastando a partir dos anos 1960 das atividades artísticas. E só gravou músicas de carnaval, como o sucesso Quero morrer no Carnaval, de Eurico Campos e Luiz Antônio, em 1961.




Na década de 70, o mercado de discos transformou-se , vozes como as das irmãs Batista perderam a vez. Ainda em 1984, Linda se apresentou no Circo Voador no show "Vozes do Brasil", cantando com Ademilde Fonseca, Moreira da Silva e Isaurinha Garcia. Na ocasião, anunciou que pretendia lançar sua autobiografia, "Catete 317".

Mas depois de tantas glórias, viveu tempos muito difíceis ao lado das irmãs Dircinha e Odete, após a morte de sua mãe, Dona Neném, em 1975. Estrelas da música brasileira na década de 30, esquecidas pelo público foram se desfazendo do patrimônio para o sustento. Três apartamentos foram vendidos, a coleção de joias e os casacos de pele tiveram o mesmo destino.

Linda Batista foi nossa vizinha ilustre em Copacabana na Rua Barata Ribeiro 625, para onde mudou com a mãe e as irmãs em 1953.



Linda Batista voltou ao noticiário em 1985, comovendo todo o país: médicos, bombeiros e policiais a tiraram à força do apartamento de Copacabana, - juntamento com as irmãs Dircinha e Odete - depois que Linda, durante um surto psicótico, tentou agredi-las. Após três meses de internação e tratamento médico, mais magra e livre do alcoolismo e da depressão, Linda deixou a clínica. Depois de recuperadas, no entanto,as irmãs decidiram viver em reclusão absoluta, confinando-se no apartamento da Rua Barata Ribeiro, que já abrigara 200 convidados para feijoadas nos fins de semana dos tempos áureos.

Linda Batista  morreu na madrugada de 17 de abril de 1988, vítima de embolia pulmonar, aos 68 anos, no Hospital Evangélico, na Tijuca.


"'Linda morreu de tristeza, 
abandonada e na miséria".
palavras da cantora Marlene


Uma peça de 1998 - Somos Irmãs - foi grande sucesso nos palcos e uma homenagem às Irmãs Batista (Linda e Dircinha). Estreou em 27 de março no Centro Cultural Banco do Brasil e transferiu-se em julho para o Teatro Ginástico, mantendo sempre lotação esgotada. Nos papéis principais, Suely Franco e Nicette Bruno.


Curiosidades

Em reportagem de 4 de julho de 1983,  





declarou




sábado, 1 de junho de 2019

ANTÔNIO HOUAISS



  . Av Epitácio Pessoa, 4560 - Lagoa  



Resultado de imagem para antonio houaissAntônio Houaiss (1915 - 1999) foi um multifacetado. Filólogo, linguista, crítico, lexicógrafo, tradutor, perito-contador, gastrônomo, ensaísta, polígrafo, professor, biólogo, diplomata, enciclopedista, acadêmico.  Nasceu no Rio de Janeiro, o quinto dos sete filhos de imigrantes libaneses maronitas. Mas Antônio Houaiss é conhecido mesmo como filólogo.

Os que com ele conviveram sempre des tacam que desde a juventude, todo o saber, a cultura humanística mesclada com generosidade e afeto, conjunto de qualidades sempre ampliadas a cada momento de sua vida, ele compartilhava com os próximos, e nunca, por saber mais, quis impor ideias políticas aos discípulos. 


Por ocasião do centenário de Antonio Houaiss em 2015, o acadêmico Eduardo Portela falou que

"...temos o dever de homenageá-lo enquanto escritor, enquanto crítico literário, e enquanto referência cidadã. 
Ele soube ser um cidadão brasileiro." 

Uma das facetas mais lembradas de Houaiss é a tradução de Ulisses, de James Joyce. Ele transpôs para o nosso idioma a magia verbal do grande autor irlandês, quarenta e dois anos após a publicação do original. Todas as particularidades léxicas do estilo joyceano poderiam assustar, e até inibir, aqueles que pensassem em verter a obra para a língua portuguesa. Mas este não foi o caso de Antônio Houaiss, que cumpriu a tarefa em menos de um ano.

Certa vez disse que

"A cultura é tudo o que a humanidade faz 
dentro de um contexto: 
é transmissão, é produção e também é performância, 
tudo ao mesmo tempo. 
A nossa cultura está sendo impotente 
para a modernidade."

Jamais abdicou de suas ideias de homem de esquerda, mas nunca quis impor ideias políticas aos discípulos.  Em 1951  ele e outros jovens diplomatas – entre os quais João Cabral de Melo Neto – foram demitidos do Itamaraty sob acusação de organizarem na Casa de Rio Branco uma célula do PCB. Houve pressão diplomática do governo de Portugal, à época chefiado pelo ditador Salazar, por ter sido ele o diplomata encarregado de ler na Assembleia da ONU a nota brasileira contra a política colonialista de Portugal na África e na Ásia. Em 1964, foi aposentado, e seus direitos políticos foram cassados por dez anos. Na realidade, o socialismo foi a  primeira e única opção política.  Fascinado por ele e um radical, acreditava  que ele continuava sendo "a condição para a sobrevivência da humanidade", mesmo depois da queda do muro de Berlim.

 Houaiss fez um dicionário histórico, isto é, um dicionário que procurou acompanhar o vocábulo desde a sua primeira datação. "O Dicionário do Aurélio saiu eminentemente literário, exemplificando as acepções dos seus itens lexicais com textos extraídos da nossa literatura".  Os dois dicionários se completam .

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Colaborou na imprensa do Rio de Janeiro e de São Paulo, tendo sido redator do Correio da Manhã (1964-1965).
Na carreira diplomática, por concurso de provas em 1945, foi vice-cônsul do Consulado Geral do Brasil em Genebra (1947 a 1949), servindo também como secretário da delegação permanente do Brasil em Genebra, junto à Organização das Nações Unidas

Coube a Antônio Houaiss, importante técnico e conhecedor da língua a tarefa de criar as regras para a Comissão Machado de Assis que representou à preservação da memória da literatura clássica brasileira.  Foi o quinto ocupante da cadeira 17, da Academia Brasileira de Letras, eleito em 1º de abril de 1971, na sucessão de Álvaro Lins, e recebido pelo acadêmico Afonso Arinos de Melo Franco em 27 de agosto de 1971.

Antônio Houaiss casou-se em 1942 com Ruth Marques de Salles e não teve filhos. A esposa faleceu em 1988, e ele quase 11 anos depois.
 Foi nosso vizinho ilustre na Av Epitácio Pessoa, 4560 apartamento 1302 , na Lagoa.




Curiosidades

A gastronomia era uma paixão de Antônio Houaiss. 


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Estudava com carinho as diversas variedades da comida brasileira, considerada por ele como um dos itens culturais. A partir dessa relação com a boa culinária, escreveu os livros Magia da cozinha Receitas rápidas 81 receitas de (até) 18 minutos, resultado de suas experiências como cozinheiro. Ficaram famosas as reuniões que promovia, onde se degustavam pratos atraentes e saborosos, com destaque para uma das suas especialidades: a moqueca capixaba.

Ele se gabava de ter a capacidade de fazer diversos pratos ao mesmo tempo, para atender dezenas de pessoas, sem nenhuma ajuda, e com um diferencial de fazer inveja a uma dona de casa ou aos chefs de grandes restaurantes: deixava a cozinha limpíssima.

. Antônio Houaiss era um apreciador da cerveja 

Resultado de imagem para a cerveja e seus mistério livroPara eternizar essa relação, nos legou o livro A cerveja e seus 
mistérios, contando a história da bebida desde os seus primórdios até chegar aos tempos modernos.

Mas ele fazia questão de deixar bem claro: no sentido estrito – até por disposições legais inequívocas : só é cerveja a bebida elaborada com malte, água, lúpulo e levedo.