quinta-feira, 14 de junho de 2018

MARECHAL MENDES DE MORAES


  . Rua Senador Pedro Velho, 12 - Cosme Velho  


Resultado de imagem para angelo Mendes de MoraesComo prefeito do Distrito Federal Ângelo Mendes de Morais (1894 -1990) foi responsável pela construção e inauguração do Estádio Mario Filho para sediar o Campeonato Mundial de Futebol, realizado pela primeira vez no Brasil, em 1950, e que hoje é um dos ícones de nossa cidade. Neste templo do futebol, admirado internacionalmente, a seleção canarinho conheceu a glória em jogos memoráveis e a grande derrota da Copa de 50.

General-de-divisão do Exército Brasileiro, Mendes de Morais foi nomeado em junho de 1947 prefeito do Distrito Federal pelo então presidente da República Eurico Gaspar Dutra. Deixou a prefeitura em março de 1951, já no governo de Getúlio Vargas, reintegrando-se às funções militares como general-de-exército.


Resultado de imagem para angelo Mendes de Moraes
Na inauguração do Maracanã, Mendes de Moraes à direita da foto,
 ao lado do cardeal do Rio D. Jaime de Barros Câmara e o presidente Dutra


Nas eleições de outubro de 1958, Mendes de Morais foi eleito deputado federal pelo Distrito Federal e, em dezembro seguinte, deixou a chefia do Departamento de Produção e Obras do Exército para assumir uma cadeira na Câmara dos Deputados. Com a transferência da capital federal para Brasília, em abril de 1960, e a criação do estado da Guanabara, passou a representar esse estado na Câmara.

Em sua carreira militar foi também adido militar do Brasil no Peru, na França e na Itália, passando para a reserva no posto de marechal. Foi ainda delegado à Conferência de Paz de Paris, membro fundador do Parlamento Latino-Americano e membro da Comissão Parlamentar de Genebra, na Suíça, tendo desempenhado várias missões nos EUA, Chile e Alemanha.

Mendes de Morais foi nosso vizinho ilustre no Cosme Velho, na Rua Senador Pedro Velho, 12  em um casarão de seis andares, com 585 m2 de área construída, tombado pelo patrimônio histórico, onde funciona atualmente é a residência do arquiteto Thoni Litsz, responsável pelas obras de restauração do imóvel.


aspecto da casa nos anos 1970

aspecto atual, após a restauração

Erguido no século passado, o solar guarda muitas histórias. Foi construído pelo médico Celito Lemos em 1912 e vendido posteriormente ao também médico João França. Vendido mais uma vez, em 1931, a Mendes de Morais, nosso vizinho ilustre morou no Solar até sua morte, em 1990, tendo sido responsável pela introdução de destaques da decoração do imóvel como os vitrais executados pela casa Vitrea.












sexta-feira, 1 de junho de 2018

MARIO FILHO


 . Avenida Princesa Isabel, 38 - Leme   

Grande jornalista esportivo, nasceu em Recife em 3 de junho de 1908. Responsável pelo primeiro jornal dedicado inteiramente ao futebol, O Mundo Esportivo, irmão do também escritor Nelson Rodrigues, revolucionou o modo como a imprensa mostrava os jogadores e descrevia as partidas, adotando uma abordagem mais direta e livre de complicações, inspirado no linguajar dos torcedores.

Resultado de imagem para MARIO FILHO
Mario, um rubro-negro tímido, e Nelson, um tricolor apaixonado, imortalizaram o clássico entre Flamengo e Fluminense. O primeiro o fomentou como ninguém; o segundo foi quem melhor o descreveu. 
O Fla-Flu teria outra dimensão sem eles. Aliás, a expressão Fla-Flu muitos julgam ter sido criada pelo próprio Mário.

No início dos anos 1930 passou a trabalhar no jornal O Globo, ao lado de Roberto Marinho, seu companheiro em partidas de sinuca. Em 1936 comprou de Roberto Marinho o Jornal dos Sports  e lá, Mário criou os Jogos da Primavera em 1947, os Jogos Infantis em 1951, o Torneio de Pelada no Aterro do Flamengo e o Torneio Rio-São Paulo, que cresceu e se tornou o atual Campeonato Brasileiro.
No final dos anos 40, Mário conseguiu convencer a opinião pública carioca de que o melhor lugar para o novo estádio seria no terreno do antigo Derby Club, no bairro do Maracanã, e que o estádio deveria ser o maior do mundo, com capacidade para mais de 150 mil espectadores. Após sua morte e estádio levou seu nome.



manchete do Jornal dos Sports da inauguração do Maracanã

Ele foi vanguardista. Acima de tudo, percebeu que havia duas personagens que realmente interessavam no esporte: o jogador e o torcedor. 

Mario Filho foi nosso vizinho ilustre no bairro do Leme, à avenida Princesa Isabel, n° 38cuja Lista de Assinantes do Rio de Janeiro e do Distrito Federal de 1949 indica o telefone 37-1065.


Uma curiosidade

Era dia de Flamengo x Botafogo em 1959.
Entre os vivos, raros eram aqueles que conheciam a preferência rubro-negra na alma de Mario Filho. Ele decidiu levar seu neto para assistir ao jogo no Maracanã. Até aí, nada de anormal. Como responsável pelo "Jornal dos Sports", cabia a ele acompanhar o futebol de perto.

O estranho aconteceu quando saiu um gol do Flamengo. O pequeno Mario Neto, sentado junto ao avô, olhou para a cadeira ao lado e, por um segundo, não viu ninguém ali. O jornalista estava no chão, onde caiu após comemorar o gol do Flamengo. Quando se acomodou, diante da cara de espanto do menino, Mario Filho alertou: "Meu neto, não pense besteira, não. É que vamos vender mais jornais."

Balela. Na verdade, ele não queria que o garoto soubesse de seu carinho pelo Flamengo. E seguiu desconfiado de que o neto fosse abrir o bico mais cedo ou mais tarde. Daí concluiu: era melhor comprá-lo. No dia seguinte, ao abrir os olhos, o menino levou um susto: tinha uma bicicleta no seu quarto e um papel pequenininho colado, escrito: "Fiz minha parte." A bicicleta era a parte dele. A  parte do neto seria não contar para ninguém. 


domingo, 13 de maio de 2018

LIMA BARRETO



  . Rua Major Mascarenhas, 32 - Todos os Santos   

Afonso Henriques Lima Barreto (1881-1918) jornalista e escritor, publicou romances, sátiras, contos, crônicas e uma vasta obra em periódicos, principalmente em revistas populares ilustradas e periódicos anarquistas do início do século XX.


“Seu projeto literário
é pautado em sua experiência,
e a questão da raça
era fundamental para ele”. 
                                        Lilia Schwarcz em  biografia lançada
                                         na Feira Literária de Paraty de 2017, 
                                       a qual ele foi o autor homenageado).


Resultado de imagem para lima barreto

 Carioca de Laranjeiras, nascido sete anos antes da Abolição na Rua Ipiranga, Lima Barreto vivia entre o subúrbio (morou no Méier e no Cachambi) e os bares do centro da cidade. Negro, neto de escravos, o escritor Lima Barreto teve a sorte de ter como padrinho o Visconde de Ouro Preto, um dos políticos mais importantes do Império.

Filho de um tipógrafo e de uma professora, Lima era um leitor voraz e seus pais entendiam que a verdadeira libertação só seria alcançada através da educação. Logo cedo ficou órfão de mãe.

Sua trajetória foi extraordinária. Estudou nos melhores colégios, chegando a cursar a Escola Politécnica, um privilégio alcançado por poucos naquela época, em que o analfabetismo registrava taxas superiores a 80%.

Entretanto, não foi fácil sua adaptação ao ambiente universitário, onde quase todos os colegas eram ricos, sem mencionar o preconceito que sofria por ser negro, fato registrado em seus livros. Em 1904, foi obrigado a abandonar o curso universitário, pois seu pai havia enlouquecido e ele teve que assumir o sustento dos três irmãos menores.

De 1907 a 1915, Lima Barreto publicou suas três principais obras: “Recordações do Escrivão Isaías Caminha”, “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, considerada sua obra-prima, e “Morte de M. J. Gonzaga de Sá. Todos três romances contêm fortes traços biográficos.

Um fato curioso na biografia do escritor era sua posição com relação ao futebol. 

Ele detestava o esporte e, através de suas crônicas, tornou-se seu mais veemente opositor, o qual ele chamava de “jogo dos pontapés na bola”.

“Tudo tem limite 
e o football 
não goza do privilégio 
de cousa inteligente”

Sobre este tema, publicou dezenas de textos de 1915 até 1922, pouco antes de sua morte, combatendo a prática de qualquer esporte pelos jovens cariocas.

O escritor Carlos Sussekind de Mendonça escreveu em 1921 o livro “O esporte está deseducando a mocidade brasileira”, uma “carta aberta a Lima Barreto”. Embora o alvo do livro fossem os esportes em geral, há muitas alusões ao futebol, causador da falência moral dos jovens, que desenvolvia seus pés e atrofiava seus cérebros.

Tanto Sussekind como Lima opunham-se a nomes da elite cultural do Rio, como Olavo Bilac e Coelho Neto, que defendiam a educação física como forma de aprimorar a saúde física e mental dos jovens.

Este posicionamento levou Lima Barreto e quatro amigos a fundarem, em 1919, a Liga Contra o Futebol, de curta duração, que criticava os clubes por só terem rapazes de classe média e alta entre seus sócios.

“Bendito Futebol”, crônica publicada em 1921, na revista “Careta”, revelava seu inconformismo com as notícias de que a Confederação Brasileira de Desportos decidira não convocar “jogadores de cor” para disputar o Campeonato Sul-Americano em Buenos Aires, com o agravante de que tal medida teria sido sugerida pelo presidente da República Epitácio Pessoa.




A posição do escritor ao futebol não resistiu ao tempo e ele acabou reconhecendo naquele esporte uma das portas abertas para a afirmação do negro no Brasil.


Lima Barreto foi nosso vizinho ilustre em 

. Laranjeiras   nasceu na Rua Ipiranga, 18 
Flamengo -   Rua Dois de Dezembro 
Centro -  Rua das Marrecas 
. Engenho Novo -   Rua 24 de Maio,
. e  ainda Santa Teresa, Catumbi, Boca do Mato, Botafogo
. Todos os Santos, bairro de seus dois últimos endereços: Rua Boa Vista, 76 ( atual Rua Elisa de Albuquerque e Rua Major Mascarenhas, 32, onde morou até morrer.

Um outro bairro onde morou Lima Barreto foi a Ilha do Governador. Esse endereço foi descoberto recentemente e único imóvel ainda existente dos que o escritor habitou.


 a casa no tempo de Lima Barreto

aspecto atual  da casa   Resultado de imagem para lima barreto  ilha do governador


A figura da casa sempre teve uma presença marcante na obra de Lima Barreto e o ambiente tranqüilo da Ilha do Governador ficou registrado em alguns dos 17 livros de Lima Barreto e em crônicas. Nessa casa Lima Barreto viveu parte da infância e a adolescência. A casa ficava na encosta, onde hoje está instalado o Parque de Material Bélico da Aeronáutica.

Com seu espírito inquieto e rebelde e com seu inconformismo com a mediocridade reinante, Lima Barreto se entregou ao álcool, chegando a ser internado por duas vezes.

Com a saúde cada vez mais debilitada, o escritor faleceu no dia primeiro de novembro de 1922, aos 41 anos, em sua casa, no bairro de Todos os Santos, no Rio de Janeiro, em decorrência de um colapso cardíaco, sem conseguir ser aceito na Academia Brasileira de Letras, à qual ele concorreu por três vezes.

Em tempo: Lima Barreto nasceu no dia 13 de maio.



terça-feira, 1 de maio de 2018

PRINCESA ISABEL

 . Rua Pinheiro Machado, 30 - Laranjeiras  

Nesse mês dos 130 anos da Abolição , vamos falar da Princesa Isabel.

Demonstrando grande habilidade política, Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança e Bourbon, a Princesa Isabel,  foi regente do Império do Brasil em três ocasiões, enfrentando inúmeros desafios e momentos graves, e se mostrou uma mulher à frente de seu tempo ao defender, por exemplo, a reforma agrária, a educação pública universal e o sufrágio feminino.
Resultado de imagem para PRINCESA ISABEL

Do nascimento, no Palácio de São Cristóvão, em 1850, até sua morte, em 1921, exilada no castelo da família na Normandia, Isabel emerge como uma mulher forte e determinada, católica fervorosa mas também bem humorada e ardilosa, capaz de manobrar junto ao pai para evitar que seu marido fosse enviado à Guerra do Paraguai.

A Princesa Isabel era uma mulher bem humorada mas mandona. Embora tenha enfrentado os perigos durante o movimento abolicionista, escondendo escravos fugidos até mesmo dentro do Palácio de São Cristóvão, sempre recusou qualquer movimento para a retomada do regime no Brasil, após o exílio.

Resultado de imagem para PRINCESA ISABEL  
" ...lamento tudo quanto possa armar 
irmãos contra irmãos... 
É assim que tudo se perde 
e que nós nos perdemos. "


Princesa Isabel morou no Palácio Guanabara - que foi chamado de Paço Isabel  na Rua Pinheiro Machado, que  hoje é sede do governo  do Estado do Rio de Janeiro.

Resultado de imagem para palacio guanabara

O Palácio Guanabara, de estilo originalmente neoclássico - hoje após reformas o estilo passou a eclético -  começou a ser construído em 1853, e em 1865 a Princesa Isabel e o Conde D’Eu, recém-casados, mudaram-se para o nobre endereço. Antes de virar Palácio Guanabara, o prédio se chamava Paço Isabel.

Originalmente o palácio fazia parte de um grande sítio que pertencia a Domingos Rozo. Isso no início do século XIX. Após a sua morte, o sítio foi divido em chácaras entre seus herdeiros, e em 1852 uma delas foi vendida a José Machado Coelho, que construiu sua casa no local. Isabel e do Conde d'Eu compraram a casa de José Machado Coelho em 1864.




Uma curiosidade

Até a Proclamação da República, em 1889, o Palácio era propriedade dos Bragança . Com o fim do Império, o local foi decretado bem do Governo Federal em 1891. A família imperial nunca aceitou a incorporação do Palácio Guanabara ao patrimônio da União e recorreram à Justiça para reaver a propriedade, mas perderam. O processo foi reaberto em 1955, e até hoje ele tramita na Justiça, num dos processos mais antigos da história do país

Vê-se que é praxe nesse país, desde lá atrás, tomar a propriedade alheia por decreto.
E, também, a lamentável lentidão da justiça brasileira. 


sábado, 14 de abril de 2018

SYLVIA TELLES



  . Avenida N.S. de Copacabana, 484 - Edifício Vitória Régia 



Resultado de imagem para sylvia telles e candinhoSylvia Telles ( 1934 - 1966), também conhecida como Sylvinha Telles, foi uma das mais importantes intérpretes dos primórdios da bossa nova e Dindi, um de seus grandes sucessos.

Apesar de ser em Botafogo, na Rua Farani, que Sylvinha Telles deu os primeiros passos em sua carreira como cantora, foi em Copacabana que ela compartilhou o mesmo endereço que a cantora Marlene, um dos maiores mitos de nossa música popular. Este endereço tem história. Avenida N.S. de Copacabana, 484. Edifício Vitória Regia.

Segundo o pesquisador João Máximo, 


"Sylvinha foi uma das melhores intérpretes 
da moderna música brasileira, 
entendendo-se como tal a que vai 
de Ponto final - com Dick Farney 
e Amargura, com Lúcio Alves, 
até as canções que Tom e Vinicius 
fizeram depois de Orfeu da Conceição".

Sua estreita relação com a turma jovem da bossa nova teve início em 1958, ao participar do antológico show do Grupo Universitário Hebraico, comandado por Ronaldo Bôscoli, substituindo João Gilberto, e que reuniu Carlos Lyra, Nara Leão e Roberto Menescal. Foi neste show, "Carlos Lyra, Sylvia Telles e os seus Bossa nova", que a expressão "bossa nova" foi divulgada pela primeira vez.

Em 1959, Sylvinha Telles gravou dois LPs com 24 canções, das quais 18 eram de Jobim.



Filha de mãe francesa e do músico carioca Paulo Telles, foi seu irmão Mário Telles, músico como o pai, que a ajudou a vencer a resistência familiar à sua carreira de cantora.

Dona de um faro musical invejável ajudou a garimpar novos talentos em nossa música popular, como Tom Jobim, Chico Buarque, Maria Bethânia, Caetano Veloso e Roberto Carlos, dentre outros. Foi ela quem foi receber Caetano na Rodoviária Novo Rio, quando ele chegou à nossa cidade, vindo de Salvador.

Seu sonho era ser bailarina, e seu tempo, ela dividia entre as aulas no Sacre Coeur de Marie e as aulas de dança com a professora Madeleine Rosay, do Corpo de Baie do Municipal. Também estudava piano e gostava de cantar, exibindo seu talento nas reuniões que seu irmão promovia, na casa da família, na Rua Farani.

Com apenas 19 anos, apresentou-se escondida do pai, no programa Calouros em Desfile, comandado por Ary Barroso, na Rádio Tupi. Esta apresentação rendeu-lhe um convite para atuar como assistente de palco do Circo do Carequinha, da extinta TV Tupi.

Imagem relacionadaGente Bem e Champanhota, revista musical apresentada no Teatro Follies, em Copacabana, em 1955, marcou o início da carreira de Sylvinha como cantora, e lhe rendeu um compacto simples com as faixas “Amendoim Torradinho” e “Desejo”, de Garoto, José Vaconcelos e Luis Claudio. Durante esta gravação, Sylvinha foi acompanhada pelo namorado e futuro marido, o violonista Candinho, com quem teve sua única filha, a cantora Cláudia Telles, que hoje em dia é a maior divulgadora do repertório de sua mãe.

O casal (foto ao lado) atuou na TV Rio, apresentando o programa “Música e Romance”, recebendo convidados como Dolores Duran, Tom Jobim, Johnny Alf, Garoto e Billy Blanco. Um grande destaque do programa era a interpretação de Sylvinha de “Foi a Noite”, de Antônio Carlos Jobim e Newton Mendonça. Essa canção fez parte do disco lançado pela cantora em 1956, gravação considerada hoje como marco precursor da bossa nova.

Carícia, LP lançado em 1957, traz pela última vez o registro do dueto entre Sylvinha e o ex-marido
Candinho na canção “Tu e Eu”, com que abriam e fechavam o programa Música e Romance.






A maioria de seus discos está fora de catálogo, o que dificulta o seu conhecimento pelas novas gerações.





Pouco antes de morrer, em 1966, na TVE, Rio de Janeiro,
 em entrevista a Fernando Lobo. Ela canta "A felicidade"



domingo, 1 de abril de 2018

ELIZETE CARDOSO



  . Rua Voluntários da Pátria 127 apto 402 - Botafogo  

Foi descoberta aos 16 anos por Jacob do Bandolim, que a levou para cantar na Rádio Guanabara.

Imagem relacionadaA trajetória artística de Elizete Cardoso (1920 - 1990) começou pela família: ela era toda musical. O pai, Jaime Moreira Cardoso era seresteiro e tocava violão. Também convivia com os músicos e religiosos que frequentavam a casa da tia Ciata, na Cidade Nova.

Depois de trabalhar em várias rádios, boates, casas noturnas e ser crooner de orquestra, em 1958 gravou o antológico disco "Canção do Amor Demais", com músicas de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, considerado marco inaugural da Bossa Nova.





Elizeth foi uma das maiores divas da canção brasileira e lançou mais de 40 LPs.
Vários apelidos lhe foram dados, como “A Magnífica” (apelido dado por Mister Eco), a “Enluarada” (por Hermínio Bello de Carvalho) mas de todos, o apelido dado por Haroldo Costa, “A Divina”, foi o que mais ficou associado à cantora.

Além do choro, Elizeth consagrou-se como uma das grandes intérpretes do gênero samba-canção e teve grande ligação com o samba, que fez-se mais forte depois da participação no show "Rosa de Ouro", que originou o LP "Elizeth Sobe o Morro", um de seus discos mais importantes, ao lado de "A Enluarada Elizeth", que contou com a participação de Pixinguinha, Cartola, Clementina de Jesus.Um dos seus maiores sucessos foi Barracão de zinco (Luís Antônio e Oldemar Magalhães).

Elizeth passou por vários endereços no Rio.
Alguns deles são:

. Rua Ceará, 5, estação de São Francisco Xavier - também uma casa de cômodos.  Onde nasceu.
Esta rua desapareceu no início dos anos 1960 para dar passagem à avenida Marechal Rondon; 
Rua do Resende, 87, no Centro - uma casa de cômodos onde a família ocupou dois cômodos; 
. Rua Senador Euzébio, 45, junto à antiga Praça Onze, que também desapareceu com a construção da avenida Presidente Vargas; 
. Rua São José, 8, num quarto do terceiro andar, num prédio ocupado pela Camisaria Fluminenese;
Em 1956, ela se mudou com a família – a mãe dona Moreninha; a filha adotiva Teresa Carmela e esposo; o filho Paulo Valdez que teve com o músico Ari Valdez para o bairro de Botafogo. O apartamento 402 da rua Voluntários da Pátria 127 a ajudou a estar mais próxima de seus compromissos. O moderno edifício havia sido inaugurado naquele ano em Botafogo e fora projetado pelo famoso escritório de arquitetura dos Irmãos Roberto, responsável também pelos projetos do prédio da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e do Aeroporto Santos Dumont.
Nos anos 60 apresentou o programa de televisão Bossaudade , grande sucesso da TV Record, Canal 7, de São Paulo.



Certa vez Vinícius de Moraes, pra ela escreveu uma crônica. Foi em 12 de julho de 1953, intitulada - A Grande Elizeth. Em determinado trecho, diz:

"Elizeth Cardoso me pegou de surpresa, a primeira vez, quando de minha chegada dos Estados Unidos, em fins de 1950, com sua magistral interpretação de “Canção de Amor”, um samba com uma linda melodia e uma letra fraca, mas que, na voz dessa grande dama da música popular brasileira, conseguiu me revirar completamente...  
...uma voz rara entre nossas intérpretes, pois une as qualidades de uma boa voz erudita às de uma gostosa voz popular.
No ano passado encontrei Elizeth em Paris, onde tinha ido o falado baile do gracioso Jacques Fath. Uma tarde, nós pegamos Ademilde Fonseca e ela, e fomos comer ‘paella” valenciana no famoso “Maitena” - um restaurante de tradição, no Boulevard St. Germain. Quase não havia ninguém, e ficamos por ali, comendo o nosso arroz e traçando um vinhozinho, até que deu saudades da Pátria Amada e as duas morenas puseram-se a cantar só para nós.E foi aquele cantar e aquele chorar sem conta. Uma beleza."

Curiosidades

. Elizeth fazia muito sucesso na boate Sacha. Para facilitar a ida e vinda de sua casa em Bonsucesso para a boate, que ficava no Leme, a cantora alugou um apartamento no mesmo prédio da boate. Inexplicavelmente no dia 14/8/1954, ela havia dormido em Bonsucesso quando soube, pelo rádio, que a boate tinha pegado fogo. Ela podia ser uma vítima.


Na gra­va­ção de ‘Che­ga de sa­u­da­de’ Eli­zeth er­rou a le­tra. Em vez de can­tar ‘pa­ra aca­bar com es­se ne­gó­cio de vo­cê vi­ver sem mim’, can­tou ‘pra aca­bar com es­se ne­gó­cio de ja­mais vi­ver sem mim’.
Até hoje não se sabe co­mo os au­to­res dei­xa­ram pas­sar.


Nossos Vizinhos Ilustres e os 60 anos da Bossa-Nova


Comemorando a Bossa-Nova
através de duas ilustres cariocas.



1958 foi o ano da Bossa Nova. 

O gênero musical tornou-se um dos movimentos mais influentes da história da música popular brasileira e ficou conhecido em todo o mundo.


Em comemoração ao aniversário desses 60 anos  

passeamos por dois endereços 

de excepcionais cantoras, 

nossas vizinhas ilustres 

que deram voz à novidade musical: 


Elizeth Cardoso 

Silvinha Telles.



terça-feira, 13 de março de 2018

Jacob do Bandolim


  . Rua Comandante Rubem Silva, 62 - Freguesia, Jacarepaguá  


"Naquela mesa tá faltando ele,
e a saudade dele
está doendo em mim"


Resultado de imagem para JACOB DO BANDOLIMEsses versos famosos são do samba  de 1969, “Naquela Mesa”, gravado por Elizeth Cardoso e composto por Sergio Bittencourt pra seu pai, após sua morte, nosso vizinho ilustre JACOB DO BANDOLIM, que estaria completando cem anos em 2018.

Nascido em Laranjeiras e criado em pensão na Lapa -  na Rua Joaquim Silva , 97 - mais carioca impossível, Jacob Pick Bittencourt fixou residência com a família em Jacarepaguá, na Rua Comandante Rubem Silva, 62, Freguesia, ponto de encontro e local dos famosos saraus que reuniam a nata de nossa música popular da época, além de figuras da política, das artes e do jornalismo.



Seu primeiro instrumento foi um violino, presente de sua mãe, a polonesa Rachel Pick. Sua mania em dedilhar o instrumento ao invés de usar o arco, levou-o ao bandolim, que acabou incorporado ao seu nome. Não teve professor, sempre foi autodidata. Tentava repetir no bandolim trechos de melodias cantaroladas por sua mãe ou por pessoas que passavam na rua. 

Jacob chamou, em 1966, os melhores chorões do momento para formar o conjunto mais importante de choro do Brasil, o “Época de Ouro”, formado por ele, no bandolim, Dino, César e Carlinhos, nos violões, Jonas, no cavaquinho, Gilberto, no pandeiro e Jorginho, no ritmo.

Apesar de ter previsto a morte do choro - o que não aconteceu -  em depoimento gravado em 1967, no Museu da Imagem e do Som (MIS), Jacob do Bandolim é seu maior expoente, e “Vibrações”, gravado também em 1967, é considerado o maior LP de choro de todos os tempos, com gravações antológicas de “Lamento”, de Pixinguinha, e de “Brejeiro”, de Ernesto Nazareth.


Uma curiosidade


Há 50 anos, no Teatro João Caetano, Rio de Janeiro, em fevereiro de 1968, aconteceu um dos encontros mais extraordinários da música brasileira.

De um lado, Jacob do Bandolim, acompanhado do Conjunto Época de Ouro. De outro lado, o Zimbo Trio. E, no meio disso tudo, a diva Elizeth Cardoso - cantora descoberta por Jacob do Bandolim - , como se estivesse na sala de estar de sua casa, recebendo amigos queridos.

Desse encontro instrumental ...o sucesso Chega de Saudade, música que o tradicionalista Jacob adorava.

Oito minutos da melhor qualidade!









quinta-feira, 1 de março de 2018

Nossos Vizinhos Ilustres que musicaram o Rio



Nossa cidade 
no mês de seu aniversário, 
através de dois ilustres moradores 


Em comemoração ao aniversário de 453 anos do Rio, passeamos por dois endereços de artistas, nossos vizinhos ilustres que musicaram as belezas e os encantos desta “mui heroica cidade”, a começar revisitando o autor de Cidade Maravilhosa - André Filho. 

Vamos também falar de Jacob do Bandolim,  autor do clássico “Noites Cariocas”, cujo centenário de nascimento está sendo comemorado em 2018.

Dupla de peso, que engrandece a história de nossa cidade, que, segundo as palavras da grande escritora e acadêmica Nélida Piñon, dispõe 


“de uma paisagem cuja beleza
é centro da fantasia brasileira
e nela estão encravados os mitos nacionais...
...Cumprimos no Rio, 
berço, ribalta e cova nossas, 
as etapas de nossas biografias.”

***


Revisitando...André Filho

“Cidade maravilhosa”, a marchinha que se tornou o hino oficial da cidade do Rio de Janeiro, é conhecida  mas poucos conhecem seu autor: o carioca André Filho.

André Filho foi nosso vizinho ilustre em vários endereços da cidade. 

Resultado de imagem para andre filho cidade maravilhosa
 

Clique AQUI e  passeie pelo
ENDEREÇO, VIDA  e HISTÓRIA de André Filho.




quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Nossos Vizinhos Ilustres carnavalescos

É tempo de ...


Resultado de imagem para PARTITURA DE CARNAVAL

A cidade respira o ritmo, o colorido e a alegria da festa.
E a música, claro, composta por nossos vizinhos carnavalescos, que nos ditam o clima.



"Bandeira Branca, Amor
Não Posso Mais
Pela Saudade
Que Me Invade
Eu Peço Paz..."




Imagem relacionada“Bandeira Branca”, a marcha-rancho de Max Nunes e Laercio Alves, de meados dos anos 70, nasceu de um telefonema de Dalva de Oliveira a Max Nunes, dizendo que desde a tumultuada separação de Herivelto Martins, ela vinha alternando bons e maus momentos na carreira. E queria uma marcha de carnaval. Então ele fez Bandeira Branca , que participou do concurso, ganhou, e acabou se tornando o grande sucesso de Dalva. Aliás ela achou até que seria vaiada logo na primeira interpretação. Jamais imaginou que a música fosse se tornar tão popular.

Clique AQUI  ...Convidamos você a passear pelo endereço e histórias de Dalva de Oliveira
___________________________________________________


"Yes, nós temos bananas
Bananas pra dar e vender
Banana menina tem vitamina
Banana engorda e faz crescer..."



Imagem relacionadaNa carnavalização da vida nacional, de autoria de um craque do gênero, Braguinha, surgiu a famosa marchinha de carnaval de 1938,
Yes, nós temos banana, gravada por Carmem Miranda, que exaltou, com bom humor, as qualidades da fruta. Sucesso de ontem e de sempre, alegrando os blocos de rua de todo o Brasil.



Clique AQUI ...Convidamos você a passear pelo endereço e histórias de Braguinha!
_____________________________________________________



"Tomara que chova,
Três dias sem parar, 
... 
A minha grande mágoa, 
É lá em casa 
Não ter água, 
Eu preciso me lavar." 




Imagem relacionada
O verão de 1950 foi importante para o carnaval. Nessa época, uma forte onda de calor assolava a cidade e chuvas não eram freqüentes. Somado a isso, os cariocas sofriam com a falta de água encanada, devido ao aumento populacional e a falta de investimentos do governo. Angustiados com essa situação, os compositores Paquito e Romeu Gentil resolveram agir. E nada melhor, do que protestar com uma marchinha. Tomara que chova de autoria da dupla, foi o grande sucesso do carnaval de 1951, na voz de Emilinha Borba, que cantou inúmeros sucessos de carnaval.

Clique AQUI .. Convidamos você a passear pelo endereço e histórias de Emilinha Borba!




quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

Em Ipanema... o endereço do "General da Banda"



   IPANEMA     



Essa semana tem Banda de Ipanema!

E falar em Banda de Ipanema é relembrar de ...ALBINO PINHEIRO, o sempre comandante da Banda, nosso vizinho ilustre, no bairro de Ipanema, à Rua Almirante Saddock de Sá.

Resultado de imagem para albino pinheiro banda de ipanema

Fundador da Banda de Ipanema -  que abre oficialmente o carnaval carioca, tradicionalmente, dois sábados antes do sábado de Carnaval -  crítico e pesquisador de música popular foi um festeiro-mor, trazendo pra zona sul a boemia da Lapa e as tradições dos carnavais do subúrbio. Daí ser considerado como um dos mais célebres personagens da música e da vida boêmia do Rio de Janeiro.

A Rua Almirante Saddock de Sá começa na Rua Alberto de Campos e é sem saída.

Foi aberta na urbanização de Ipanema em 1922 e recebeu o nome de Rua 32. Depois foi reconhecida como Rua Almirante Saddock de Sá, pelo Decreto nº 4273, de 4/07/193., em homenagem a um dos heróis do movimento tenentista, no início da década de 1920.

Na altura da rua Gorceix existe uma cancela com guarda particular que impede o acesso sem permissão.

Nesse trecho, Albino Pinheiro foi nosso vizinho ilustre, no terceiro andar do edifício da Rua Almirante Saddock de Sá, 145.





Vale (re)visitar e lembrar mais sobre Albino Pinheiro e seu endereço... AQUI! 

Caminhe pelos seus caminhos... e BOM PASSEIO!



segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

IPANEMA e mais um endereço ilustre...



... o de Leila Diniz
leila-diniz-02
nossa vizinha ilustre  
que morou na linda casa situada 
à Av. Epitácio Pessoa, 204, 
no Jardim de Alah.



 

(RE)LEIA sobre o endereço e Leila Diniz...AQUI! e ...caminhe pelos seus caminhos.


BOM PASSEIO!