UM ENDEREÇO, UMA VIDA, UMA HISTÓRIA.
Os endereços de personalidades brasileiras ou estrangeiras que moraram na cidade do Rio de Janeiro, ao longo dos tempos.
Marlene (1922-2014), estrela da era do rádio no Brasil, foi um dos maiores mitos desse tempo. Gravou mais de quatro mil canções em sua carreira, e virou lenda sua rivalidade com a cantora Emilinha Borba.
Marlene tornou-se a mais querida da Aeronáutica - Emilinha era a preferida da Marinha - e tinha o aposto É a Maior. Seus fãs mais ardorosos criaram a Associação Marlenista (Amar),nos anos 1950, que desde então guardou tudo que diz respeito à cantora.
Marlene, nome artístico de Victória Martino Bonaiuti, depois Martino Bonaiuti Delfino dos Santos, adotou o nome artístico em homenagem à atriz alemã Marlene Dietrich.
Em 1943, partiu para o Rio de Janeiro, onde, após ser aprovada no teste com Vicente Paiva, passou a cantar no Cassino Icaraí, em Niterói. Ali permaneceu por dois meses até conhecer Carlos Machado, que a convidou para o Cassino da Urca, contratando-a como vocalista de sua orquestra.
Em 1946, houve a proibição dos jogos de azar e o fechamento dos cassinos por decreto do presidente Eurico Gaspar Dutra. Marlene, então, mudou-se com a orquestra de Carlos Machado para a Boate Casablanca. Dois anos depois, tornou-se artista do Copacabana Palace a convite de Caribé da Rocha, que a promoveu de crooner a estrela da casa.
Marlene lançou seu primeiro disco, um 78 rotações com os sambas Swing no Morro e Ginga Ginga, Morena, em 1946. Estreou no programaCésar de Alencar, na Rádio Nacional, com grande sucesso, em 1948 e no ano seguinte, eleita Rainha do Rádio, passou a ser cantora exclusiva do programa Manuel Barcelos, também da Rádio Nacional. Ainda nesse ano, gravou dois de seus maiores sucessos, acompanhada d'Os Cariocas, Severino Araújo e Orquestra Tabajara: os baiões Macapá e Que nem jiló (Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga).
A partir de 1956 gravou mais de 30 LPs e mais de 60 sucessos, alguns clássicos, como Lata d'Água, Zé Marmita, Sapato de Pobre, Mora na Filosofia,
Se é pecado Sambar, Tome Polca, Apito no Samba.
Cena do filme "Tudo Azul", dos anos 1950, com Marlene, A Maior, cantando Lata dágua de Luiz Antonio e Jota Jr. A Incomparável está ao lado do ator Luiz Delfino, na época seu esposo.
Foi das poucas artistas brasileiras que não perdeu público quando a televisão surgiu, nos anos 50, nem foi relegada quando a Bossa Nova, a Jovem Guarda e o Tropicalismo mudaram os padrões da música brasileira. Na televisão, Marlene participou de novelas como "Chiquinha Gonzaga" (1999), "Viver a vida" (1984), "O amor é nosso" (1981), "Bandeira 2" (1971). No cinema, participou de filmes como "Profissão mulher" (1982), "A volta do filho pródigo" (1978), "Balança, mas não cai" (1953), "Pif-Paf .... Maria" (1945) e "Corações sem piloto" (1944).
Nos anos 1950,cumpriu temporada de quatro meses no Teatro Olympia, em Paris, a convite da cantora Edith Piaf (foto à esquerda) , que a conheceu no Rio. e dela disse:
"Carnavalesca, mas dramática. Completa !
Chamada de capa da revista O CRUZEIRO, sobre a turnê, dizia:"Marlene, rainha do samba, com tamborim e pandeiro faz carnaval em Paris"
Marlene foi casada com o ator Luis Delfino e teve um filho, Sergio Henrique. Foi Nossa Vizinha Ilustre de Copacabana, morou no edifício Vitória Régia, na Avenida N.S. de Copacabana 484, esquina com a Rua Paula Freitas. No final da vida, mudou-se para Rua Siqueira Campos. E também, no bairro da Urca, na mesma rua em morou Carmem Miranda, na Avenida São Sebastião 2.
Marlene "foi uma cantora do rádio que conseguiu se renovar. Uma das poucas que transgrediram – não só pelo repertório, mas também pelo estilo”, afirma o pesquisador Rodrigo Faour.
Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) poeta, escritor, jornalista, cronista e tradutor brasileiro, considerado por muitos o mais influente poeta brasileiro do século XX. Foi um dos principais poetas da segunda geração do Modernismo brasileiro.
Nascido em uma família de fazendeiros de Itabira MG, em 31 de outubro de 1902, Drummond iniciou seus estudos em sua cidade natal, rumando depois para Belo Horizonte para o Colégio Anchieta de Nova Friburgo, de onde foi expulso por "insubordinação mental", após um incidente com seu professor de português.
Por pressão de sua família, cursou farmácia em Ouro Preto, casando-se ao término do curso com Dolores Dutra de Moraes. Entretanto, não exerceu esta profissão, fundando, em 1925, com outros escritores, "A Revista", que, embora tenha tido somente três edições, foi importante para a afirmação do movimento modernista em Minas Gerais.
Convidado por Gustavo Capanema exerceu a chefia de gabinete do Ministério da Educação até 1945. Com a saída de Capanema do governo, deixou o ministério e assumiu o cargo de editor da “Imprensa Popular”, jornal comunista de Luiz Carlos Prestes, de onde se afastou poucos meses depois, por discordar da orientação editorial do jornal. Foi então chamado para trabalhar no Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (DPHAN), onde permaneceu até se aposentar em 1962.
Além de ser considerado um dos maiores poetas brasileiros, Drummond brilhou também no jornalismo como cronista - “Correio da Manhã”, a partir de 1954, e “Jornal do Brasil”, de 1969 até 1984 - como radialista - colaborou com os programas "Vozes da Cidade", da Rádio Roquete Pinto e "Cadeira de Balanço" da Rádio Ministério da Educação - e como tradutor de famosos autores como Balzac, Laclos, Proust, García Lorca, Mauriac e Molière.
Primeira crônica no Correio da Manhã, sobre a falta de água no Rio.
Do início de suas primeiras obras - “Alguma Poesia”, publicada em 1929, numa edição de 500 exemplares, paga por ele mesmo, e “Brejo das Almas”, de 1934 - até o derradeiro poema, em 31 de janeiro de 1987 ,"Elegia a um Tucano Morto", que integrou "Farewell", último livro organizado pelo poeta, escreveu textos marcantes. Seus temas eram preferencialmente o indivíduo, a terra natal, a família e as vivências de menino, os amigos, o choque social e a violência humana, o amor e a própria poesia. Foram consideradas suas principais obras"Claro Enigma", "Contos de Aprendiz", "A Mesa", "Passeios na Ilha", "Viola de Bolso", "Fazendeiro do Ar"; "Poesia até Agora", "Viola de Bolso Novamente Encordoada", "Fala, Amendoeira" e "Ciclo", além de “Rio de Janeiro em Prosa &Verso” (em colaboração com Manuel Bandeira) e “Reunião (10 Livros de Poesia”), "Tempo, Vida, Poesia" e 21 poemas para "Bandeira, a Vida Inteira", edição comemorativa do centenário de Manuel Bandeira. Passando por três obras primas: “Sentimento do Mundo” (1940), “José” (1942) e “Rosa do Povo” (1945).
Carlos Drummond de Andrade morreu no Rio de Janeiro, no dia 17 de agosto de 1987, aos 85 anos, poucos dias após a morte de sua filha única em Buenos Aires, a cronista Maria Julieta Drummond de Andrade.
Drummond foi nosso vizinho ilustre de Copacabana, bairro que fez morada desde que chegou ao Rio nos anos 1930. Primeiro na Rua Joaquim Nabuco, nº 81, onde residiu 36 anos, até 1962, quando a casa foi demolida.
Na segunda residência ficou até o fim da vida, no apartamento 701 do Edifício Luiz Felipe, da Rua Conselheiro Lafayete, 60, na divisa com Ipanema.
Ali trabalhava a partir das nove da manhã depois de ler os jornais, com sua Olivetti Studio, depois uma Remington, com uma passagem breve por uma máquina elétrica e cercado por estante com muitos livros
Também foi homenageado pelo carnaval carioca: o poeta deu o título de campeã à Estação Primeira da Mangueira com o samba-enredo “No Reino das Palavras”, em 1987.
Sua estátua, inspirada em sua foto, está localizada na Praia de Copacabana, no mesmo banco que costumava ficar, e está sempre cercada por admiradores e turistas.
Frases e ditos de Drummond:
“Os bolsos dos poetas só servem para guardar poesias.”
“Os homens distinguem-se pelo que fazem, as mulheres pelo que levam os homens a fazer”.
”Ninguém é igual a ninguém. Todo ser humano é um estranho ímpar”.
"Eu não disse ao senhor que não sou senão poeta?
"A dominante é a individualidade do autor,
poeta da ordem e da consolidação,
ainda que sempre,
e fecundamente, contraditórias."
Em tempo: Há 90 anos, em 1928, Carlos Drummond de Andrade publicava na "Revista de Antropofagia" o poema "No Meio do Caminho", que ficou conhecido como "o poema da pedra" e que chocou a crítica literária da época.
Sergio Marcus Rangel Porto - Sergio Porto (1923-1968) - cronista carioca dos melhores, começou sua carreira jornalística no final dos anos 40, depois da passagem pelo Banco do Brasil, e alcançou a fama por seu senso de humor refinado e a crítica mordaz aos costumes.
Além de jornalista se descrevia como "marido, pescador, colecionador de discos (só samba do bom e jazz tocado por negro, além de clássicos), ex-atleta...".
Sobrinho de Lúcio Rangel, pelas mãos do tio começou a escrever na revista Sombra, e depois alçou vôo próprio nos jornais Última Hora, Tribuna da Imprensa e Diário Carioca e também na revista Manchete. Sérgio Porto atuou como redator de programas humorísticos, tanto no rádio e televisão, quanto no teatro. Entre estas participações se destacam os shows escritos juntamente com Nestor do Holanda e Antonio Maria para atores cômicos como Ronald Golias e Chico Anísio, que então iniciavam suas carreiras na televisão. O mais famoso desses shows foi, certamente, Times Square, na TV Rio.
Inspirado no colunista Jacinto de Thormes, pseudônimo de Maneco Muller, precursor do colunismo social no Brasil e criador da listas das As Dez Mais Elegantes, Sergio Porto, criou Stanislaw Ponte Preta e também "As Certinhas do Lalau", onde cada edição falava de uma musa da temporada. Tudo começou ao ser solicitado para substituir o colunista do jornal ele se recusou, mas aceitou a sugestão, dada por Otto Maria Carpeaux, de usar um pseudônimo para comentar os fatos do dia de maneira crítica, ou mesmo cômica. Inicialmente pensou em Serafim Ponte Grande, o protagonista do livro homônimo de Oswald de Andrade.
Daí chegou à solução que até hoje habita o imaginário de quem teve o prazer de ler suas colunas e livros: Stanislaw Ponte Preta como o sobrinho de Tia Zulmira, a anciã do casarão da Boca do Mato, primo do nefando Altamirando e do distraído Rosamundo. Com essa criação, Sérgio, Stanislaw, entrou para o jornalismo como um dos mais mordazes críticos das mazelas de nosso país.
Este seu alter ego, Stanislaw Ponte Preta , o filho que se tornou mais celebre que o pai, nasceu no início da década de 50, na Última Hora. Sérgio, com seu enorme senso de ridículo, era um feroz opositor das chamadas colunas sociais, as precursoras das revistas de famosos da atualidade.
Muitas vedetes e atrizes foram eleitas "certinhas" pela pena do jornalista, como Anilza Leoni, Diana Morel, Rose Rondelli, Maria Pompeo, Irma Alvarez, Carmen Verônica, Zélia Hoffman , dentre 142 selecionadas, de 1954 a 1968.
Sempre muito modesto, mas com seu maravilhoso e imbatível senso de humor, se auto-intitulava “introdutor da grossura na filosofia humorística”. Lançou o FEBEAPÁ - Festival de Besteiras que Assola o País, que tinha como característica simular as notas jornalísticas, parecendo noticiário sério. Era uma forma de criticar a repressão militar. Em um deles noticiou a decisão da ditadura militar de mandar prender o autor grego Sófocles, que morreu há séculos, por causa do conteúdo subversivo de uma peça encenada na ocasião.
Amava os livros e os discos, milhares, que ouvia às vezes enquanto trabalhava, atendendo ao telefone a todo instante, recebendo amigos, contando piadas, e continuando a batucar na máquina, insistindo para que o visitante ficasse, sob a afirmação (verdadeira) de que estava acostumado a escrever no meio da maior confusão.
Era um mestre das frases :
. "Quem dá aos pobres e empresta, adeus!"
. "Mais duro do que nádega de estátua"
. "Em rio de piranha jacaré nada de costas."
. "Mais inútil do que um vice-presidente."
. “Televisão é uma máquina de fazer doidos”
. "Mais por fora do que umbigo de vedete."
. "No Brasil as coisas acontecem, mas depois,
com um simples desmentido, deixaram de acontecer."
Em 1966 compôs o Samba do Crioulo Doido, uma sátira para o Teatro de Revista, em que procurava ironizar a obrigatoriedade imposta às escolas de samba de retratarem nos seus sambas de enredo somente fatos históricos. A composição fez parte do musical Pussy Pussy Cats, uma peça de teatro rebolado escrita por Sérgio Porto, produzido por Carlos Machado. Hoje, a expressão do título é usada, no Brasil, para se referir a coisas sem sentido, a textos mirabolantes e sem nexo.
Outra grande contribuição de Sérgio Porto para a música brasileira foi a redescoberta de Cartola.
No ano de 1957, Cartola havia desaparecido e trabalhava como lavador de carros e vigia de um edifício no bairro de Ipanema. Então, foi reconhecido por Sérgio, que começou a ajudar o músico a retornar aos palcos e retomar sua carreira.
Carioquíssmo, criado e Nosso Vizinho Ilustre em Copacabana, na rua Leopoldo Miguez, quando sua casa natal foi vendida para uma imobiliária, passou a morar em um apartamento no mesmo endereço, de número 53. Foi casado com Dirce Pimentel de Araújo, com quem teve três filhas: Gisela, Ângela e Solange ( foto acima)
Foto acima foi tirada em 22 de Maio de 1952 no calçadão da Praia do Leme.
O noivo Sergio Porto, a noiva Dirce,
de frente Fernando Sabino e de perfil Otto Lara Resende.
Casaram-se na Igreja Nossa Senhora do Rosário no Leme.
O prédio à Rua Leopoldo Miguez, 53
construído no mesmo local da casa da família de Sérgio Porto
e onde continuou a viver.
Uma curiosidade
No seu último caderninho de telefones só encontraram telefones de mulheres, de A a Z. Evidentemente os números não tinham a mesma finalidade.
Personagem de peso da história do Brasil do século XX, responsável por grandes mudanças na arte e na imprensa brasileiras,Assis Chateaubriand (1892-1968),Nosso Vizinho Ilustre de Copacabana, instalou-se no extinto Hotel dos Estrangeiros - na antiga Praça José de Alencar, no Catete - ao chegar ao Rio de Janeiro, transferindo-se, em 1924, para o Hotel Copacabana Palace e, finalmente, para aVila Normanda, situada na Avenida Atlântica, 2406, uma das mais belas mansões da cidade naquela época, adquirida da família Guinle. Hoje o local abriga um edifício que leva o mesmo nome: Vila Normanda.
...“era um casarão de pedra de três andares,
revestido de madeira entalhada à mão,
com um enorme gramado
e um bosque de coqueiros,
que dava um ar tropical à arquitetura
européia”.
Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Mello, mais conhecido como Assis Chateaubriand ou Chatô, foi jornalista, empresário, mecenas e político, destacando-se como um dos homens públicos mais influentes do Brasil nas décadas de 1940 a 1960. Foi também advogado, professor de direito, escritor, embaixador e membro da Academia Brasileira de Letras.
Nascido em Umbuzeiro, interior da Paraíba, Chateaubriand estudou no Ginásio Pernambucano, em Recife, até os 15 anos, quando ingressou na Faculdade de Direito, onde, mais tarde, lecionaria Filosofia do Direito Romano. Começou sua carreira jornalística, ainda estudante, escrevendo para os jornais "Gazeta do Norte”, “Jornal Pequeno” e “Diário de Pernambuco”.
Em 1915, mudou-se para o Rio de Janeiro, passando a colaborar com o "Correio da Manhã”. Em menos de uma década, assumiu a direção de "O Jornal", embrião da maior cadeia de imprensa do país. Chateaubriand tornou-se dono de um império jornalístico - Os Diários Associados: 34 jornais, 36 emissoras de rádio, uma agência de notícias, uma revista semanal ("O Cruzeiro"), uma mensal ("A Cigarra"), revistas infantis e uma editora.
Foi também pioneiro da televisão no Brasil, criando a TV Tupi em 1950. Os Diários Associados chegaram a possuir 18 estações de televisão.
Simpatizante da Aliança Liberal, Chateaubriand apoiou o movimento revolucionário de 1930, que levou Getúlio Vargas ao poder. Contudo, dois anos depois, seu apoio à Revolução Constitucionalista o levaria ao exílio.
Figura polêmica e controversa, odiado e temido, Chateaubriand foi chamado de Cidadão Kane brasileiro e acusado de falta de ética, por supostamente chantagear empresas que não anunciavam em seus veículos. Seu império teria sido construído com base em interesses e compromissos políticos, incluindo uma proximidade tumultuada e proveitosa com o Presidente Getúlio Vargas, de quem conseguiu a promulgação de uma lei que lhe deu direito à guarda de sua filha Teresa, a qual não teria reconhecido após o nascimento, fruto de um affair com uma jovem de 15 anos. Esta lei ficou conhecida como “Lei Teresoca”.
Com o lema "Deem asas ao Brasil”, lançou e promoveu a Campanha Nacional de Aviação, através da construção de aeroclubes e aeroportos no interior do país, embora fosse um dos representantes da emergente burguesia nacional, assumiu posições favoráveis ao capital estrangeiro.
Com seu espírito inquieto e empreendedor, fundou o Museu de Arte de São Paulo – MASP - em 1947, adquirindo na Europa do pós-guerra uma coleção de obras de grandes artistas europeus, graças à colaboração de Pietro Maria Bardi.
No Museu D´Orsay, em Paris, na exposição Portraits de Cezanne, está a pintura Portrait de madame Cézanne en rouge, comprada por Assis Chateaubruand para o MASP. De 200 pinturas expostas, esta é a única que está em um Museu da América do Sul.
Chatô ficou também conhecido por dar oportunidades e apoio a escritores e artistas desconhecidos em sua época, como Graça Aranha, Anita Malfatti, Di Cavalcanti e Cândido Portinari.
Eleito senador pela Paraíba em 1952, e, em 1955, pelo Maranhão, renunciou ao mandato para assumir a embaixada do Brasil em Londres.
Foi o quarto ocupante da Cadeira 37 da Academia Brasileira de Letras, eleito em 30 de dezembro de 1954, na sucessão de Getúlio Vargas. Entretanto, a maior parte de sua obra não se encontra publicada em livros, e, sim, dispersa em artigos para a imprensa.
Com o tempo, Chateaubriand foi dando menos importância aos jornais e voltando sua atenção para o rádio e a televisão, sempre investindo em novas tecnologias. Na década de 1960, porém, o maior império das telecomunicações do país estava endividado e Chatô sofre uma trombose que o deixa paralisado. Ele passa então a comunicar-se e publicar seus artigos através de uma máquina de escrever adaptada pela IBM.
Chateaubriand morreu em 1968 e foi velado ao lado de duas pinturas: um cardeal de Velázquez e um nu de Renoir, simbolizando, segundo Bardi, as três coisas que mais amou: o poder, a arte e a mulher.
Curiosidade:
Ao visitar Nova York, em 1946, para receber o prêmio de jornalismo Maria Moors Cabot, concedido pela Universidade de Columbia, Assis Chateaubriand foi fotografado pelo jornal The New York Times que o apresentou como “ o milionário dono de 28 jornais, 13 rádios, 3 revistas e uma agência de propaganda, uma espécie de Hearst brasileiro”.
João Saldanha jornalista, escritor e treinador de futebol brasileiro.
João Alves Jobim Saldanha nasceu em Alegrete, no estado do Rio Grande do Sul, no dia 3 de julho de 1917, e mudou-se para o Rio de Janeiro em 1934.
Neste 2017 comemoramos cem anos desse gaúcho-carioca!
João Saldanha da Portela, da Banda de Ipanema; de Noel Rosa e Luiz Carlos Prestes ; da praia de Copacabana, da Rua Miguel Lemos; primo por parte de mãe de Tom Jobim, do humor ácido, da crítica precisa, o João Sem Medo, como o apelidou Nelson Rodrigues
Atuou profissionalmente, como jogador, por alguns anos no Botafogo, mas abandonou a carreira e se graduou em jornalismo.
Incentivado por amigos e por sua esposa na época, Ruth (irmã do jornalista Ruy Viotti), aceitou o convite para fazer um teste para integrar a equipe da Rádio Guanabara (atual Bandeirantes AM), montada por Édson Leite. A partir daí, acumulou passagens marcantes pelas rádios Nacional, Globo, Tupi e Jornal do Brasil, TVs Rio, Manchete e Globo (onde apresentou seus comentários esportivos no programa Dois Minutos com João Saldanha) e assinou colunas nos jornais Última Hora, O Globo, Jornal do Brasil e revista Placar. Com toda sua experiência vivida no futebol, não media palavras ao criticar jogadores, treinadores e dirigentes, conquistando fãs e desafetos.
Em 1957, o Botafogo, contratou-o como seu técnico, apesar de sua total falta de experiência. O clube ganhou o campeonato estadual daquele ano, em uma final histórica, em que goleou o Fluminense por 6x2 num time que contava com Garrincha, Didi e Nilton Santos.
Em 1969, ele foi anunciado como novo treinador da seleção nacional.
Para a Copa do Mundo de 1970,formou um time-base em sua maioria por jogadores do Santos e do Botafogo, os melhores times da época e os conduziu a 100% de aproveitamento nos seis jogos Eliminatórias.Com As feras do Saldanha, expressão que surgiu de uma frase sua, quando teria dito que convocaria somente "feras", a seleção brasileira reconquistou a autoestima e a confiança do torcedor, que tinha perdido depois da pífia campanha na Copa do Mundo de 1966.
Por supostos desentendimentos com a comissão técnica sobre a condução dos treinamentos foi dispensado do comando da seleção meses antes do mundial, voltando ao jornalismo.
Considerado um dos maiores cronistas esportivos brasileiros, a expressão "Meus Amigos" tornou-se sua marca registrada, posto que iniciava seus comentários com ela.
Colecionou durante anos diversas histórias que não se negava a contar nas rodas de boêmios nos bares cariocas. De temperamento explosivo, chegou a correr armado atrás do goleiro Manga que o acusou de “gaveteiro”. Armado também ameaçou um farmacêutico que recusou-se a atender sua empregada.
Escreveu três livros onde relatava alguns desses fatos curiosos, na sua trajetória no esporte: “Meus amigos...”, “Os subterrâneos do futebol” e “Futebol e outras histórias”.
Durante a Copa de 90 se tornou um grande crítico do esquema apresentado pela seleção.Foi para a Itália com a saúde já debilitada, contrariando uma decisão médica. Demonstrava durante as transmissões na TV Manchete dificuldade para falar e para respirar. Assistiu chateado a eliminação brasileira para a Argentina. Comentando Itália x Argentina, no dia 03 de julho começou a se sentir mal e foi levado para o hospital. Morreu vítima de insuficiência respiratória aguda.
No dia seguinte à sua morte o jornalistaVillas Boas Corrêapublicou uma crônica em que disse
"O futebol brasileiro fica devendo a João Saldanha a paixão de toda uma vida consumida no fogo de alma indomável, iluminada por uma das mais lúcidas e prontas inteligências que conheci, a bravura do exemplo e de um tipo de coragem ... "
Uma estátua de João Saldanha existe na Calçada da Fama do Maracanã. Em tamanho natural, a obra tem a assinatura do cartunista Ique. Saldanha foi casado quatro vezes e deixou quatro filhos Vera, Sônia, Ruth e Joãozinho. Curiosidade Rápido e inteligente nas palavras, cunhou frases inesquecíveis, como
“Se concentração ganhasse jogo, o time da penitenciária seria campeão invicto.”
“Quando o presidente Médici formou o gabinete dele, não me consultou; de modo que para formar o meu time, não preciso perguntar a ele.”
“Meu time é formado por onze feras. É preciso desafrescalhar essa história de canarinhos.”
“Pelé é para o futebol brasileiro o que Shakespeare é para a literatura inglesa.”
“Quatro homens, um ao lado do outro, só em parada militar.”
“Se macumba ganhasse jogo, o campeonato baiano terminaria empatado.”
“Campo de futebol não é loteamento. Ninguém é dono de lote, de posição fixa.”
sábado, 1 de julho de 2017
O blog tem como tema em JULHO, duas importantes comemorações: 125 ANOS DO BAIRRO DE COPACABANA e 100 ANOS DE JOÃO SALDANHA
NOSSOS VIZINHOS ILUSTRES DE JULHO
. JOÃO SALDANHA . CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE . ASSIS CHATEAUBRIAND . SERGIO PORTO . LYGIA CLARK
Da infância pobre ao reconhecimento nacional, Dercy Gonçalves (1907 – 2008) foi Nossa Vizinha Ilustre no “Edifício Jacy" , da década de 1950, localizado na Rua Pompeu Loureiro nº106, em Copacabana. Com dez andares e vinte apartamentos, a construção foi residência da atriz, cantora e humorista.
Famosa por sua participação na produção cinematográfica brasileira das décadas de 40 e 50, as célebres chanchadas, Dolores Gonçalves Costa, mais conhecida como Dercy Gonçalves, nasceu em Santa Maria Madalena e estaria completando, segundo sua certidão de nascimento, 110 anos nesta sexta-feira, dia 23 de junho de 2017.
Reconhecida pelo Guinness Book como a atriz com maior tempo de carreira na história do showbiz (86 anos),a sua origem foi o teatro de revista.
Celebrada por suas entrevistas irreverentes, bom humor e emprego constante de palavras de baixo calão, foi um dos maiores expoentes do teatro de improviso no Brasil.
Filha de um alfaiate e de uma lavadeira, Dercy nasceu no interior do estado do Rio de Janeiro, em 1905, mas só foi registrada em 1907, como ela mesma contava. Abandonada pela mãe ainda pequena foi criada pelo pai alcoólatra. Desde cedo manifestou aptidão para a carreira artística e fez suas primeiras apresentações no coral da igreja, em procissões e festas locais. Começou assim a alimentar o sonho de ser cantora e a cidade se tornou pequena para seu talento e espírito transgressor.
Aos 16 anos, conheceu e fugiu com Eugenio Paschoal, cantor da Companhia Maria Castro, que visitava a cidade, entrando definitivamente para o mundo do espetáculo. Com o nome artístico de Dercy Gonçalves, formou com Paschoal a dupla Os Paschoalinos, cuja estreia se deu na cidade de Leopoldina, em Minas Gerais.
Após uma tentativa fracassada de fixar-se em São Paulo, a dupla retornou ao Rio de Janeiro, em 1932, passando a se apresentar na Casa do Caboclo com o espetáculo Minha Terra, cujo sucesso foi interrompido pela tuberculose contraída pela artista. Já afastada de Paschoal e amparada pelo empresário Ademar Martins, Dercy internou-se para tratamento em um sanatório em Minas Gerais. Apaixonado por ela, Ademar, apesar de casado, tornou-se pai de sua filha Decimar, nome formado pela junção de Dercy e Ademar.
Recuperada e de volta ao Rio, Dercy especializou-se em comédia e participou do auge do Teatro de Revista Brasileiro, brilhando nas peças As Filha de Eva e Do que Elas Gostam, com a Companhia Jardel Jércolis, da qual se tornou a principal estrela. Estes espetáculos lotaram durante meses o Teatro República.
Sua estreia no cinema se deu na Cinédia, em 1943, com o filme Samba em Berlim, de Luís de Barros, com quem filmou também Caídos do Céu, em 1946. Já na Cinedistri, alcançou sucessos de bilheteria com os filmes Depois eu Conto, de José Carlos Burle, Absolutamente Certo, de Anselmo Duarte e Uma Certa Lucrécia, de Fernando de Barros.
No embalo de seu grande sucesso no cinema, Dercy registrou em celuloide as peças Cala a Boca, Etelvina e Minervina Vem Aí, ambas de Eurides Ramos.
Sua própria produtora surgiu em 1947: a Companhia Dolores Costa Bastos. Em parceria com Walter Pinto, produziu Tem Gato na Tuba, contracenando com Walter D’Ávila e batendo recordes de bilheteria. Ainda como produtora, lançou Burletas, com Luz del Fuego, Elvira Pagã e Zaquia Jorge e, em 1951, alcançou mais um sucesso: Zum Zum, com a participação de Ankito. Foi nesta época que Dercy transferiu-se para a capital paulista, passando a atuar no Teatro Cultura Artística.
Em 1958, filmou com Watson Macedo aquele que é considerado seu melhor trabalho no cinema: A Grande Vedete. Neste filme, além da irreverência de sempre, Dercy tem oportunidade de interpretar um papel dramático: uma vedete, dona da Companhia, que perde seu lugar de destaque para uma jovem artista, que rouba também o coração de seu namorado.
Nos primórdios da televisão no Brasil, Dercy ingressou na TV Tupi, participando do Grande Teatro. Entretanto, o sucesso só surgiu em 1961, na TV Excelsior, com o programa Viva o Vovô Deville, de Sergio Porto, no quadro A Perereca da Vizinha, e no teleteatro Dercy Beaucoup, de Carlos Manga, com sátiras de personagens como Cleópatra e Julieta.
Dercy chegou a ser a atriz mais bem paga da TV Excelsior, onde, em 1963, conheceu o executivo José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni. Passou também pela TV Rio e, já na TV Globo, com a ajuda de Boni, passou a trabalhar com Walter Clark. De 1966 a 1969, apresentou na TV Globo um programa de variedades, utilidade pública e entrevistas, Dercy de Verdade, um dos primeiros sucessos da emissora, com 70% de audiência aos domingos, que acabou saindo do ar em virtude da intensificação da censura, após a entrada em vigor do AI-5.
Durante a década de 70, Dercy continuou a atuar na televisão, participando do quadro Jogo da Velha, do Domingão do Faustão, ao mesmo tempo em que encenava no teatro comédias de costumes. Suas apresentações conquistavam um público cada dia mais expressivo, apesar de sua irreverência e do moralismo da época. Nesses espetáculos, passou a introduzir monólogos, nos quais relatava dados autobiográficos.
No final dos anos 1980, quando a censura permitiu maior liberalismo na programação, Dercy passou a integrar o corpo de jurados de programas populares, como o de Silvio Santos, e a participar de telenovelas. Montou, também, a peça autobiográfica Burlesque. De volta ao SBT, passou a comandar um programa próprio, que, entretanto, teve curtíssima duração.
Sua carreira foi pautada pelo individualismo, tendo sofrido, já idosa, um desfalque em suas finanças por parte de um empresário inescrupuloso, o que a fez retomar aos palcos, já octogenária.
No dia 23 de junho de 2007, Dercy Gonçalves completou cem anos com uma festa na Praça Coronel Braz, no centro do município de Santa Maria Madalena, sua cidade natal. Na festa, Dercy comeu bolo, levantou as pernas, fazendo graça para os fotógrafos, falou palavrão e saudou o povo, que parou para acompanhar a comemoração. Nunca Dercy foi tão Dercy. Embora oficialmente estivesse completando cem anos, Dercy afirmava que, como seu pai a registrou com dois anos de atraso, estaria, na verdade, completando 102 anos de idade.
Este também foi o mês em que Dercy subiu pela última vez em um palco: na comédia teatral Pout-PourRir, espetáculo criado e dirigido pela dupla Afra Gomes e Leandro Goulart, comemorando "Cem Anos de Humor", com direito à festa, autógrafos de seu DVD biográfico e uma sala recheada de fãs, celebridades e jornalistas.
Foi uma noite inesquecível. Dercy foi entrevistada pelo ator Luís Lobianco e deixou para a posteridade duas frases memoráveis: quando perguntada se ela tinha medo da morte, Dercy, sempre irreverente respondeu: "Não tenho medo da morte, a morte é linda, mas a vida também é muito boa". No fim da festa, após cortar o bolo com as próprias mãos e atirar nos atores, diretores e plateia, fez o público emocionar-se ainda mais, dizendo: "Eu vou sentir falta de vocês, mas vocês também vão sentir a minha". Homenagens
Em 1985, recebeu o Troféu Mambembe, numa categoria criada especificamente para homenageá-la: Melhor Personagem de Teatro.
Em 1991, foi enredo ("Bravíssimo - Dercy Gonçalves, o retrato de um povo") do desfile da Unidos do Viradouro, na primeira apresentação da escola no Grupo Especial das escolas de samba do Carnaval do Rio de Janeiro. Na ocasião, Dercy causou polêmica ao desfilar, no último carro, com os seios à mostra.
Dercy de Verdade é o título dado à minissérie sobre a vida da atriz, de autoria de Maria Adelaide Amaral, autora também de sua biografia. A minissérie estreou no dia 10 de janeiro de 2012 e teve quatro capítulos.
Em 4 de setembro de 2006, aos 99 anos, recebeu o título de cidadã honorária da cidade de São Paulo, concedido pela Câmara de Vereadores desta capital.
Dercy Gonçalves morreu no dia 19 de julho de 2008, aos 101 ou 103 anos de idade. Encontra-se sepultada em Santa Maria Madalena em um mausoléu especialmente construído para a grande artista. O estado do Rio de Janeiro decretou luto oficial de três dias em sua memória.
O ator brasileiro Jayme Costa (1897-1967) - Jayme Rodrigues Costa - foi um dos mais importantes da história do teatro nacional. Do chamado "velho teatro", da comédia de costumes. Lançou quase 200 originais de autores brasileiros e introduziu Luigi Pirandello, Eugene O'Neill e Arthur Miller nos palcos nacionais.
Seu início na cena profissional foi como cantor do teatro musicado. Montou uma companhia de operetas que se apresentava no Teatro Recreio. Trabalhou com Oduvaldo Vianna, pai, na famosa companhia de comédias do Teatro Trianon. Mais tarde montou seu próprio negócio e passou a viver de viagens pelas capitais e pelo interior até se instalar, no final dos anos 30, no Teatro Glória (na Cinelândia, centro da cidade, depois demolido), onde sua companhia se apresentou durante mais de uma década.
Jayme Costa realizou algumas interpretações memoráveis.
Cabe destacar dois trabalhos dos mais notáveis: A morte do caixeiro viajante,de Arthur Miller, montada em 1951, onde interpretava Willy Loman, o protagonista, e como o pai beberrão de My Fair Lady, com Bibi Ferreira, em 1962, adaptação de Pigmalião, de Bernard Shaw, que vende a honra da filha e, a caminho do casamento, ensaia passos de music-hall.
A partir dos anos 1930 também atuou com destaque no cinema:
.CIDADE MULHER, de Humberto Mauro;
.ALÔ, ALÔ CARNAVAL , de Adhemar Gonzaga;
.TRISTEZAS NÃO PAGAM DÍVIDAS de José Carlos Burle;
.MATEMÁTICA ZERO, AMOR DEZ, de Carlos Christensen;
.A VIÚVA VALENTINA com Dercy Gonçalves;
.OS DOIS LADRÕES, de Carlos Manga;
.MULHERES, CHEGUEI! Com Zé Trindade.
Jayme Costa elegeu o bom humor, a ironia e uma certa
dose de irreverência como características nas suas participações nas chanchadas e atraiu o público que com ele muito se identificou nos seus papéis bonachões e a capacidade de rirem de si mesmos e dos fatos
cotidianos.
Jayme Costa nasceu no Méier e foi nosso vizinho ilustre do Centro, onde residiu muitos anos à Praça Floriano 19 apartamento 47, no antigo edifício em cima do extinto cinema Império, na Cinelândia, onde faleceu aos 69 anos, no dia 30 de janeiro, na volta de uma apresentação de Se Correr o Bicho Pega, Se Ficar o Bicho Come, peça em que estava atuando.
Curiosidade Jayme Costa hoje é nome de uma ruela, entre a Praça Floriano e a Rua Álvaro Alvim, exatamente onde residiu.
Sebastião Bernardes de Sousa Prata era o nome verdadeiro de Grande Otelo (1915 - 1993), um grande ator, cantor e compositor.
Nascido na cidade mineira de Uberlândia, em 18 de outubro de 1915, o artista passou pelos palcos dos principais cassinos, dos grandes shows e do Teatro de Revista no Brasil e teve a vida marcada por tragédias. Seu pai morreu esfaqueado e sua mãe era alcoólatra. Outra grande tragédia viria a abalar, anos mais tarde, a vida de Otelo: sua mulher matou o filho do casal, de seis anos de idade, antes de se suicidar.
Ainda menino, Sebastião fugiu com uma Companhia de teatro mambembe, que passava por Uberlândia, tendo sido adotado pela diretora do grupo, Abigail Parecis, que o levou para São Paulo.
Mas ele fugiu de novo e, após várias entradas e saídas do Juizado de Menores, foi adotado pela família de Antônio de Queiroz, um político influente. A mulher de Queiroz, Dona Eugênia, tinha ido ao Juizado para conseguir uma ajudante para sua cozinha. Mas foi convencida pelo juiz a levar o menino, que sabia declamar, dançar e fazer graça.
Sebastião estudou no Colégio Sagrado Coração de Jesus, cursando somente até a terceira série ginasial. Ingressou, nos anos 20, na Companhia Negra de Revistas, cujo maestro era Pixinguinha, transferindo-se, em 1932, para a Companhia Jardel Jércolis, pai de Jardel Filho e um dos pioneiros do Teatro de Revista no Brasil. Ganhou, então, o apelido de Pequeno Otelo, mas ele preferiu "The Great Otelo", que, posteriormente traduzido para o português, transformou-se em Grande Otelo.
Nosso vizinho ilustre de Copacabana, à Rua Siqueira Campos, 210 .
Autor da poesia intitulada “Eu sou o Rio”, como ele costumava se apresentar
Grande Otelo destacou-se no cenário cinematográfico brasileiro, durante seis décadas, tendo atuado em cerca de cem filmes, dos quais dez chanchadas de sucesso, ao lado de Oscarito, outro grande comediante da época - nosso vizinho ilustre do post anterior - , como "Carnaval no Fogo", "Aviso aos Navegantes" e "Matar ou Correr".
Aliás, o filme "Matar ou Correr" (1954) é uma das mais bem-sucedidas chanchadas da Atlântida. Carlos Manga dirigiu esta paródia do famoso filme western "High Noon" (Matar ou Morrer), com Gary Cooper. Foi o último filme de Oscarito e Grande Otelo juntos.
Com Oscarito, os dois comediantes satirizam trecho da peça Romeu e Julieta no filme Carnaval no fogo (1949), de Watson Macedo.
Em 1942, Grande Otelo conheceu o cineasta norte-americano Orson Welles, que, entusiasmado com o seu talento, convidou-o a participar do filme It's All True, filmado no Brasil e lançado por aquele diretor.
Durante as décadas de 60 e 80, participou de oito novelas na TV Globo, fazendo, principalmente, papéis cômicos. Um dos seus maiores sucessos na telinha foi a novela Feijão Maravilha, de 1979.
Em 1967 fez um desabafo
recorte de 27 maio de 1967
Como compositor, teve como parceiros, dentre outros, Herivelto Martins em Praça Onze e Vida Vazia
e Monsueto, em A Fonte Secou.
Seu papel em Macunaíma, o herói sem escrúpulos, de Mário de Andrade, em sua versão cinematográfica, dirigida por Joaquim Pedro de Andrade, marcou sua carreira, sendo inesquecível a cena de seu nascimento.
Como ator dramático, Grande Otelo atuou em vários filmes, dentre os quais destacam-se: Lúcio Flávio - Passageiro da Agonia e Rio, Zona Norte.
Em 1993, Grande Otelo morreu de enfarte ao desembarcar na França, onde receberia uma homenagem no Festival de Nantes.
Curiosidade:
No filme Fitzcarraldo (1982), do alemão Werner Herzog, filmado na selva do Peru, Otelo precisava fazer uma cena em inglês, mas resolveu falar espanhol. Quando o filme estreou na Alemanha, aquela foi a única cena aplaudida pelo público.
Oscarito ( 1906 - 1970), pseudônimo de Oscar Lorenzo Jacinto de la Imaculada Concepción Teresa Diaz nasceu em Málaga, na Espanha, mas dizia ser ...brasileiro puro, na batata!
Considerado um dos mais populares cômicos do Brasil, de todos os tempos, por seu carisma, dono de um talento notável, impagável no improviso, nas caricaturas e na irreverência inocente, foi um dos principais responsáveis em aproximar o público do cinema nacional.
Arrancava aplausos da plateia durante as projeções de seus filmes.
Oscarito fez mais de 40 filmes, entre eles “Este Mundo é um Pandeiro” (1947), há 70 anos, em que Watson Macedo definiu os parâmetros que serviram para criar a estética cinematográfica nacional, conhecida como "chanchada": música, alguma crítica social e paródia do cinema americano.
Formou a famosa parceria com Grande Otelo, que consolidou-se em 1945, a partir de Não Adianta Chorar, sob a direção de Watson Macedo. A “dupla do barulho” - como ficaram conhecidos Oscarito e Grande Otelo - fez 17 filmes e nos apresentou momentos marcantes na história do cinema nacional, como a paródia de uma cena da tragédia da peça Romeu e Julieta, de Shakespeare, em Carnaval no Fogo, dirigido por Watson Macedo, em 1949. Impagável.
Oscarito ainda protagonizou muitas outras cenas antológicas como por exemplo a do espelho com Eva Todor em Os Dois Ladrões ( 1960) - surrupiada descaradamente no filme americano Cuidado com as Gêmeas de 1988; a imitando Rita Hayworth como Gilda em Esse Mundo é Um Pandeiro ( 1947); a cantando e dançando rock'n roll em De Vento em Popa ( 1957) quando já tinha 51 anos; ou a paródia do duelo em Matar ou Correr( 1954).
Casado com Margot Louro, atriz, que foi sua partner em muitos filmes da Atlântida, teve dois filhos - José Carlos e Miriam Teresa - e foi nosso vizinho ilustre em Copacabana.
Primeiro, numa residência de peculiar localização, escondida por prédios construídos à sua frente: Rua Toneleros, 180, casa 1, que hoje ainda existe e é moradia de outra famosa, a carnavalesca Rosa Magalhães,
Oscarito, Margot e os filhos na casa da Toneleros
e depois, em um prédio dos mais antigos e tradicionais da orla, Avenida Atlântica, 2710 - 4º andar
prédio branco da Atlântica, onde morou, com a fachada ondulada
A última participação de Oscarito na Atlântida foi Entre Mulheres e Espiões, realizado em 1962, sob a direção de Carlos Manga. Em 1966, ao lado de Dercy Gonçalves, fez sua última atuação em teatro na peça Cocó, my Darling…
Encerrou, definitivamente, sua carreira no cinema, em 1968, com Jovens pra Frente, produção da Ultra-Urânio, direção, argumento e roteiro de Alcino Diniz. Coube ao ator o papel de um padre moderno e simpático.
Faleceu em 4 de agosto de 1970, aos 64 anos de idade.
Curiosidade
Oscarito também cantou algumas músicas de carnaval, sendo a mais famosa a “Marcha do Gago”, de Klecius Caldas e Armando Cavalcanti para o Carnaval de 1950.
O blog tem como tema em JUNHO...
NOSSOS VIZINHOS ILUSTRES DE JUNHO
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