sábado, 2 de setembro de 2017

MANOEL JOSÉ LEBRÃO



  . Rua Cândido Mendes , 86 - Glória  


Morador da Glória, bairro que o homenageou dando seu nome a uma de suas pequenas travessas, Manoel José Lebrão (1868 -1933)  foi um dos fundadores da Confeitaria Colombo, símbolo do glamour do Rio da Belle Époque e parte da história desta cidade e do Brasil.

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Há 123 anos, no dia 17 de setembro de 1894, Manoel Lebrão abria, na Rua Gonçalves Dias 32/36, as portas da confeitaria que se transformaria em um dos principais ícones cariocas. Ele foi o mentor, criador, fundador e dono da Colombo, eleita um dos 10 mais belos cafés do mundo.

Nascido no Minho, em Portugal, Lebrão chegou ao Brasil em 1881, aos 13 anos de idade, e iniciou sua trajetória profissional no ramo da pastelaria na Confeitaria Carioca, onde atuou até 1894, quando fundou a Confeitaria Colombo, em sociedade com Joaquim Borges de Meirelles. Sua decoração art nouveau compara-se ao que existe de melhor e mais representativo deste estilo na Europa: reluzentes espelhos belgas, belíssimo mobiliário em jacarandá e bancadas de mármore italiano, decoram esta confeitaria que, desde 1983, está inscrita no Patrimônio Histórico e Artístico do Rio de Janeiro.


Ainda hoje, mantendo sua tradição de bons serviços, a Confeitaria Colombo é um dos atrativos culturais e turísticos mais famosos da Cidade Maravilhosa.

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Honra da casa, a máxima o freguês tem sempre razão foi filosofia ali criada e implantada pelo velho Lebrão. Também por Lebrão a confeitaria foi a primeira a adotar uniforme para funcionários, o quilo, como medida de referência, a primeira a dar férias aos seus funcionários e percentuais dos lucros, além dos salários. Todos os avanços que pudessem melhorar seu negócio, Lebrão observava cuidadosamente. Até inovações de sabores como a omelete que leva tomate, queijo-de-minas e orégano, criação sua.
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" Pai da Roda, Papai Lebrão
era como lhe chamavam
porque esquecia dívidas,
servia doses duplas por doses simples,
ouvia a todos,
contornava discussões e brigas,
pagava o bonde,
emprestava dinheiro e
aceitava como pagamento de contas
anúncios em versos exaltando a Colombo."



Ponto de encontro de escritores, jornalistas, poetas, artistas e políticos e integrada ao cotidiano da cidade, então capital da República, a Confeitaria Colombo era considerada uma extensão da Academia Brasileira de Letras. Era a casa preferida de nomes como Olavo Bilac, Machado de Assis, José do Patrocínio, João do Rio, Chiquinha Gonzaga, Washington Luiz, Epitácio Pessoa, José Lins do Rego, Getúlio Vargas, Heitor Villa Lobos, Juscelino Kubitschek e muitos outros, servindo de palco para inúmeros debates e até mesmo decisões históricas e políticas.

Foi também espaço de recepções memoráveis a visitantes ilustres do Brasil, como o rei Alberto da Bélgica, em 1920, e a rainha Elizabeth da Inglaterra, em 1968, imortalizada na literatura e no cinema nacional, como cenário de diversos livros e filmes, e consagrada na música popular com a famosa marchinha de carnaval “Sassaricando”, sucesso de 1952, na voz da vedete Virgínia Lane, sua frequentadora assídua.

Resultado de imagem para manoel lebrãoLebrão não foi apenas o fundador da Colombo e o maior produtor de marmelos de Teresópolis, cidade onde deixou marcas profundas e é benemérito. Além da Quinta Lebrão, elegante mansão construída com as mesmas linhas de sua casa da aldeia de Sopo, em Portugal, ele foi também o responsável pela construção, naquela cidade serrana, da Escola Higino da Silveira, cujo projeto é réplica do Hospital de Cerveira.


Pelo seu valor como empresário, Manoel Lebrão recebeu diversas homenagens, tanto no Brasil como em Portugal:

- em 2001, uma estátua lhe foi erigida em Vila Nova de Cerveira, em frente ao hospital de Cerveira, na avenida que leva seu nome;

- ele também empresta seu nome à Travessa Manoel Lebrão, na Glória, bairro onde foi nosso vizinho ilustre, à Rua Cândido Mendes , 86.


e à Rua Manoel José Lebrãoem Teresópolis;

- foi um dos benfeitores do Real Gabinete Português de Leitura no RJ;

- a empresa de Lebrão foi uma das primeiras empresas a apoiar a criação da Câmara Portuguesa de Comércio e Indústria, criada em 1867, e um dos maiores financiadores da Santa Casa de Misericórdia.

Quando saiu do empreendimento, Manoel Lebrão deixou a Confeitaria Colombo nas mãos de Eloy José Jorge, sobrinho de Meirelles e mais dois sócios, ex-funcionários, que tocaram o negócio adiante e ampliaram o sucesso.


sexta-feira, 1 de setembro de 2017



Neste mês o tema é a carioca
Confeitaria Colombo,
a aniversariante do dia 17 de setembro.

Lugar abençoado que contemplou duas viradas de século 
marco do comércio carioca  que se iniciou como uma fábula:

"ERA UMA VEZ DOIS PORTUGUESES:
Manoel e Joaquim..."


... e se tornou uma história de sucesso empresarial, 
intimamente ligado à vida da cidade e seus moradores.

NOSSOS VIZINHOS ILUSTRES DE SETEMBRO são
personalidades ligadas  a essa história.

Manoel José Lebrão
Eloy José Jorge
José Lins do Rego
Olavo Bilac




sábado, 26 de agosto de 2017

NEWTON MENDONÇA


  . Rua Prudente de Moraes, 1033  - Ipanema  



Carioca, Newton Mendonça - Newton Ferreira de Mendonça -   (1927/1960) foi importantíssimo para o surgimento da Bossa Nova.Aluno de piano mais constante do maestro Villa-Lobos, começou sua trajetória como pianista de orquestra e de boate.


Teve sua primeira música gravada, Você Morreu Pra Mim, parceria com Fernando Lobo, gravada pela sambista Dora Lopes.




“No final da década de quarenta,
a música de Newton Mendonça já era muito diferente
daquela que se fazia à época.
Uma nova estrutura harmônica integrava-se
a uma melodia bela e surpreendente ...
efeitos inéditos...
Era o prenúncio de uma nova música, de uma revolução que se conforma e eclode no final dos anos 50: a Bossa Nova.”

Marcelo Câmara
                       (livro CAMINHOS CRUZADOS)

Da amizade com Tom Jobim surgiu uma das parcerias que mais se destacaram naquela época, renovando o ambiente musical existente e criando uma nova linguagem, que denominariam mais tarde como Bossa Nova. Tom e Newton, não tinham noção da proporção que iria tomar aquelas belas horas de descontração dos dois pianistas.  O início dessa história começa em 1957, com a música Foi a Noite, na voz de Agostinho dos Santos, considerado por alguns especialistas como marco inicial da Bossa Nova.



Newton Mendonça nasceu no bairro do Cachambi, à Rua Capitão Rezende, 78, morou na infância em Todos os Santos, na Rua José Bonifácio, 44 e mudou-se na adolescência para a zona Sul. Morou em Botafogo, Copacabana e  no bairro que marcou sua vida: Ipanema. 





Newton Mendonça foi nosso vizinho ilustre de Ipanema, na Rua Nascimento Silva , na Rua Barão da Torre e depois na Rua Prudente de Moraes, 1033, apartamento onde compôs grande parte de sua obra. No atual prédio desse endereço tem uma placa.




Newton Mendonça compôs 40 músicas e quase todas foram sucesso. Formou com Tom Jobim o par perfeito em harmonia, melodia e inspiração: a dupla " New-Tom". E com ela veio Meditação, Caminhos Cruzados, Discussão, Só Saudade, Samba de Uma Nota Só, Desafinado, Incerteza, Teu castigo, Perdido nos teus olhos, Luar e batucada, Brigas, Domingo azul do mar, Tristeza, Sem você, e por aí vai...

Como Newton ouvia muito jazz e música erudita, entendia que a margem para improvisos nesse ritmo novo que surgia, era importante e podia ficar lindo.  Samba de Uma Nota Só, é um exemplo disso. Tão simples que Tom não acreditava que fosse dar certo.



Newton tem mais de quinze canções sem parceiros, dentre elas: Canção do Azul, Seu Amor Você, O Tempo Não Desfaz, Nuvem, Canção do Pescador- que ganhou o troféu Noel de Ouro, primeiro lugar na Festa da Música Popular, em 1960, no balneário paulista do Guarujá. Festival precursor do modelo de festivais que as TVs Excelsior e Record fariam.


E há ainda 9 canções inéditas com Vinicius de Moraes e por volta de 20 canções com Tom Jobim.

O músico morreu aos 33 anos em 1960, sem ver o sucesso mundial da Bossa Nova.


Curiosidade

No filme Desafinados, produzido em 2006 e dirigido por Walter Lima Jr., o ator Rodrigo Santoro abre com uma música inédita, QUERO VOCÊ, não editada (porém autorizada), de Newton Mendonça e Tom Jobim.




sábado, 19 de agosto de 2017

GAROTO


  . Rua Constant Ramos , 30 - Copacabana  

Imagem relacionadaAníbal Augusto Sardinha , músico que ganhou o apelido de Garoto (1915 – 1955) porque já tocava na rádio como “moleque do banjo” e “garoto do banjo”, quando tinha ainda 11 anos.

Quando se fala em Garoto, lembra-se logo do autor de Gente Humilde e Duas Contas. Mas ele foi muito mais que isso.





Imagem relacionadaJá no início da carreira, nos anos 1930, nos Estados Unidos  passou a acompanhar, como convidado, Carmen Miranda e o Bando da Lua. (Garoto, primeiro à esquerda, em pé).
Gravou com Carmen e pra ela destacam-se os arranjos para as músicas South American Way , Touradas em Madri, O que é que a baiana tem?

Nos EUA, Garoto foi ouvido por ilustres músicos americanos, como Duke Ellington, Art Tatum e Jesse Crawford, que o chamou de “O Homem dos Dedos de Ouro”.

Com seu conjunto vocal e instrumental chamado Garoto e Seus Garotos, acompanhou diversos artistas como Ciro Monteiro, Dircinha Batista, Aracy de Almeida, Orlando Silva e Francisco Alves; tocou com a pianista Carolina Cardoso de Menezes, participou com seu violão dos dois primeiros discos de Luiz Gonzaga, até a partir de 1942, iniciar o período mais fértil da sua vida artística, estreando na Rádio Nacional.
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 A participação de Garoto na Rádio Nacional foi intensa: além de atuar em Um Milhão de Melodias como integrante da orquestra e, muitas vezes, como solista, tinha os próprios programas: Garoto e seus Instrumentos e Garoto e Seus Solos. Além disso, integrava a Orquestra All Stars, dirigida pelo maestro Carioca, apelido de Ivan Paulo.

Seu violão se tornou marcante.

"Foi ele quem primeiro adotou no violão 
os acordes dissonantes 
com os chamados intervalos de sétima maior, 
nona e décima terceira, 
assim como os intervalos aumentados, 
que tanto se popularizaram no
Brasil a partir da Bossa Nova."

 Baden Powell, Raphael Rabello, Paulo Bellinati, Yamandu Costa e Marcus Tardelli, só para citar alguns dos maiores violonistas brasileiros, consideraram Garoto como o pai do violão moderno, o reformulador da linguagem harmônica do violão.


Formou o conjunto Bossa Clube, depois o conjunto Clube da Bossa que se apresentavam na Rádio Nacional, sendo o Clube da Bossa às terças-feiras às 17:45, oferecendo aos seus ouvintes uma série de arranjos modernos,e, como crooner exclusivo, Lúcio Alves.

Nos anos 1950, Garoto conviveu intensamente com alguns dos nomes que se destacaram na Bossa Nova. Luiz Bonfá, Dick Farney, o quarteto vocal Os Cariocas,Tom Jobim, Billy Blanco, Dolores Duran, Johnny Alf, Sylvia Telles, Candinho, Luiz Eça, Chico Feitosa e Carlos Lyra eram admiradores de Garoto, de suas harmonias inovadoras e de suas composições que prenunciavam aquele movimento.

Paulista de nascimento, foi criado no subúrbio de Lins de Vasconcelos, morou em Braz de Pina, e depois migrou para a Zona Sul. Foi nosso vizinho ilustre de Copacabana, na Rua Constant Ramos 30 apartamento 1002.



 “Quando apresento esta obra no exterior, todos perguntam se é minha e em que ano a fiz. Sem esconder, digo que foi produzida em 1923 pelo fenomenal gênio brasileiro das cordas, cujo nome artístico é Garoto. Não o conheci, mas Garoto, humildemente, suplico a sua benção. Quanto orgulho tenho de ser brasileiro, bem como da brasilidade musical de ser e interpretar um gênio das cordas,
como foi você, Garoto!"

                                                  violonista Yamandu Costa



Curiosidade

A parceria com Manuel Bandeira.

O jornal Última Hora, em edição de 02/05/1955, véspera da morte de Garoto, deu a seguinte nota, com o título “Garoto vai gravar”:“Garoto, o do violão (São Paulo Quatrocentão), vai gravar, dentro de poucos dias, duas novas músicas na Odeon. Trata-se, de um lado, de Tema e Variações, de Manuel Bandeira e, do outro lado, Ausência, de Edna Savaget.”

A inusitada parceria entre Bandeira e Garoto aconteceu da seguinte maneira: numa reunião musical na casa de Fernando Tude de Souza, então diretor da Rádio Ministério da Educação, o violonista encontrou o poema de Manuel Bandeira, Tema e Variações, numa das páginas da revista Café Society.

Sentindo-se tocado pelo poema, Garoto o musicou em menos de meia hora. Em uma das reuniões do Clube dos Amigos do Samba, realizada no Automóvel Clube do Brasil, Garoto fez uma gravação desta música para oferecer ao poeta

(“Bandeira sambista”, Correio da Manhã, 26/03/1955, Flagrantes).



sábado, 12 de agosto de 2017

DURVAL FERREIRA


  . Rua São Salvador , 59  - Laranjeiras  

Imagem relacionadaDurval Ferreira (1935- 2007) - Durval Inácio Ferreira - carioca de nascimento, foi arranjador, instrumentista e compositor. Autodidata, começou a aprender violão com a mãe, que tocava bandolim, passando a estudar sozinho o instrumento, até entrar em contato com músicos do quilate de João Donato, Luís Eça, Johnny Alf, Herbie Mann e Tom Jobim, que ajudaram a lapidar seu talento.

Imagem relacionadaApresentou-se pela primeira vez ao público, em 1959, no Liceu Franco-Brasileiro, e, no ano seguinte, no famoso espetáculo do anfiteatro da Faculdade de Arquitetura da Praia Vermelha, “A Noite do Amor, do Sorriso e da Flor”, considerado por Ricardo Cravo Albim como o primeiro registro de um festival de bossa nova, quando teve como companheiros de cena, dentre outros, Luiz Carlos Vinhas, Roberto Menescal, Hélcio Milito, Nara Leão, Nana e Dori Caymmi, Norma Benguel e Os Cariocas. Estava dado o tom de sua carreira: embora não tão famoso como os outros componentes mais conhecidos da bossa nova, Durval Ferreira foi um notável músico e compositor.

Nascido em Pilares - bairro da Zona Norte carioca bem distanciado da orla e origem atípica de um destaque bossa-novista -  criado na Vila Isabel de Noel Rosa e Johnny Alf, Durval Ferreira foi nosso vizinho ilustre do bairro de Laranjeiras. Morou no 6° andar do bloco C, da Rua São Salvador 59, edifício em frente à praça.
E morando na Praça São Salvador, em Laranjeiras, conheceu o gaitista Maurício Einhorn, que o introduziu no mundo do jazz e com ele assinou grandes clássicos da Bossa-Nova.



Sua primeira composição, Sambop, em parceria com Maurício Einhorn, data de 1958, gravada por Claudete Soares em 60, no LP “Nova Geração em Ritmo de Samba”, pelo selo Copacabana.



Resultado de imagem para durval ferreira musicoNessa época, criou seu primeiro conjunto para acompanhar a cantora Leny Andrade.
O grupo tinha Durval Ferreira, na guitarra; Octavio Bailly Jr., no baixo; Pedro Paulo, no trumpete; Paulo Moura, no sax alto e Dom Um Romão, na bateria.

Em 1962, integrou o conjunto de Ed Lincoln e, como guitarrista, tocou no Sexteto Bossa Rio, de Sérgio Mendes, durante o Festival de Bossa Nova, do Carnegie Hall em Nova Iorque.

Empunhando o violão, participou ainda de gravações do conjunto Tamba Trio e do conjunto “Os Gatos” - Durval Ferreira (violão), Neco (violão), Eumir Deodato (teclados), Paulo Moura (sax alto), Copinha (flauta), Meirelles (flauta), Edson Maciel (trombone), Norato (trombone), Maurício Einhorn (gaita), Maurílio Santos (trompete) e Wilson das Neves (bateria). com os quais gravou sua composição “E nada mais”, em parceria com Lula Freire, incluída no LP Os Gatos,1964.




Durval tem inúmeras composições gravadas por artistas brasileiros e norte-americanos, destacando-se “Batida Diferente”, em parceria com Maurício Einhorn, gravada por Roberto Menescal e pelo Tamba Trio, além de várias outras gravações no Brasil e no exterior.


Compôs a trilha sonora do filme “Estranho Triângulo”, direção de Pedro Camargo, e participou, em 1968, do III Festival Internacional da Canção, da TV Globo, com a música “Rua d'Aurora”, interpretada por Fátima e Tibério Gaspar, tendo participado, como jurado, dos III e IV Festivais Internacionais da Canção.

Seus maiores sucessos foram compostos em parceria com o gaitista Maurício Einhorn: “Tristeza de Nós Dois”, incluindo na parceria Bebeto, gravada por Sérgio Mendes;  também “Estamos Aí”, com Maurício Einhorn e Regina Werneck, lançada por Leny Andrade, no antológico show Gemini V e “Nuvem”, com o mesmo parceiro, gravada pelo conjunto Os Gatos.




Durval Ferreira, injustamente um dos menos festejados compositores da bossa nova, morreu no Rio aos 72 anos, em junho de 2007, três anos depois de gravar seu primeiro disco-solo, no qual incluiu algumas de suas mais belas e célebres canções. Pra muitos ele é considerado um precursor da "batida diferente" da bossa nova, por ter distanciado do samba convencional e se aproximado do que viria em seguida.


"O violão dele era completamente diferente 
do de João Gilberto. 
Era outro estilo, 
mas era tão bom quanto".

Marcos Valle


sábado, 5 de agosto de 2017

NARA LEÃO


  . Avenida Atlântica , 2856 - Copacabana  

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Nara Leão ( 1942-1989) foi nossa vizinha ilustre de Copacabana e seu apartamento considerado o berço da bossa-nova. Nascida em Vitória, Nara veio ainda criança para o Rio de Janeiro com sua família, indo morar na Avenida Atlântica 2856, no famoso apartamento onde, mais tarde, passaram a se reunir os jovens que criaram o movimento.
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Extremamente tímida, Nara desistiu de aprender acordeom, instrumento da moda na época, para se dedicar ao violão, sob os cuidados de Roberto Menescal.

Nara e seus novos amigos, trazidos por Roberto Menescal, como Ronaldo Bôscoli, Carlos Lyra e João Gilberto, entre outros, começaram a se reunir em sua casa para buscar ritmos diferentes e fazer uma nova música. Estava definido o ponto de encontro dos artistas que criaram a bossa-nova. Nara Leão tornou-se, então, a musa do movimento.

Com o aumento do interesse pelo novo ritmo, as apresentações nos apartamentos ficaram pequenas. Assim, começaram as apresentações em universidades e boates.

Em 1963, estreou profissionalmente no musical “Pobre Menina Rica”, de Vinícius de Moraes e Carlos Lyra. Apesar da superprodução, o espetáculo não fez o sucesso esperado, que só aconteceu com o lançamento do seu primeiro disco, em 1964, onde Nara surpreendeu com o resgate de músicas de compositores como Cartola e Nelson Cavaquinho, e de músicas engajadas, fugindo da temática da bossa-nova.

A menina tímida, que tinha medo do palco, tornou-se uma mulher com opiniões firmes e contestadoras, chegando a atacar os militares em pleno regime militar:

"Os militares podem entender de canhão
 ou de metralhadora, 
mas não 'pescam' nada de política", 

disse a cantora em uma entrevista em 1966. 

Apesar de o então presidente, Arthur da Costa e Silva, querer enquadrá-la na Lei de Segurança Nacional, uma legião de intelectuais saiu em sua defesa, entre eles o poeta Carlos Drummond de Andrade.

Nara lançou vários compositores e inúmeras músicas ganharam fama em sua voz de pequeno alcance como "Pedro Pedreiro", "Olê Olá" (ambas de Chico Buarque), "Maria Moita" (Carlos Lyra / Vinicius), "Corisco" (Sergio Ricardo/ Glauber Rocha), "Esse Mundo É Meu" (Sergio Ricardo), "Maria Joana", "Pede Passagem" (Sidney Miller), "Recado" (Casquinha/ Paulinho da Viola), "Coisas do Mundo, Minha Nega" (Paulinho da Viola), "João e Maria" (Sivuca / Chico Buarque), "Com Açúcar, com Afeto" (Chico Buarque), "Apanhei-te Cavaquinho" (Ernesto Nazareth / Nara Leão), além de praticamente todos os clássicos da bossa nova.

O emblemático álbum de 1964, pela gravadora Elenco



Foi com a “A Banda”, de Chico Buarque, que Nara ganhou o II Festival de Música Popular Brasileira, em 1966.



Ao lado de João do Vale e Zé Kéti, a cantora foi a estrela do show Opinião, escrito por Oduvaldo Vianna Filho, Armando Costa e Paulo Pontes, um dos mais aclamados da MPB. Por problemas de saúde, foi substituída por Maria Bethânia. Em seguida, estreou o espetáculo 'Liberdade, Liberdade', que foi censurado, permanecendo pouco tempo em cartaz.

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Após um tempo no exílio na Itália e na França, casada com o cineasta Cacá Diegues, Nara teve sua primeira filha, Isabel, e retornou ao Brasil, onde teve o seu segundo filho, Francisco. Nesta fase, dedicou-se quase que exclusivamente aos filhos e ao curso de Psicologia na PUC.

Nara Leão retomou aos poucos sua carreira, cantando com amigos e fazendo shows por todo mundo, principalmente no Japão, onde fazia muito sucesso. Aos 47 anos, na manhã de 7 de junho de 1989, a cantora faleceu devido a um tumor inoperável no cérebro.

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Curiosidades:

  • Em sua estreia, Nara ficou tão nervosa que se apresentou de costas para o público. 
  • Nara Leão foi uma das primeiras cantoras consagradas a apoiar a Tropicália, o movimento musical que revelou grandes nomes como Caetano Veloso e Gilberto Gil. 

Seu grande parceiro e amigo Roberto Menescal compôs a linda canção Nara, em sua homenagem, juntamente com a compositora Joyce.





sexta-feira, 4 de agosto de 2017

*

O blog neste mês de AGOSTO 
vai comemorar os 55 anos 
do antológico pocket show UM ENCONTRO,
na boate AU BOM GOURMET,  falando de
nossos vizinhos ilustres da BOSSA-NOVA .


O show no Au Bon Gourmet, da avenida Nossa Senhora de Copacabana, 
estreou em 2 de agosto de 1962 com a participação do grupo vocal Os Cariocas
do baixista Otavio Bailly, do baterista Milton Banana e, 
pela primeira vez reunidos num espetáculo, 
de Tom Jobim, Vinícius de Moraes e João Gilberto

Na temporada, por seis semanas, foi lançada “Garota de Ipanema”
com uma introdução especial. 

A direção foi de Aloísio de Oliveira.

sábado, 29 de julho de 2017

MARLENE


  . Avenida N.S. de Copacabana, 484 - Copacabana  


Resultado de imagem para marlene cantoraMarlene (1922-2014), estrela da era do rádio no Brasil, foi um dos maiores mitos desse tempo. Gravou mais de quatro mil canções em sua carreira, e virou lenda sua rivalidade com a cantora Emilinha Borba. 

Marlene tornou-se a mais querida da Aeronáutica - Emilinha era a preferida da Marinha -  e   tinha o aposto É a Maior. Seus fãs mais ardorosos criaram a Associação Marlenista (Amar),nos anos 1950, que desde então guardou tudo que diz respeito à cantora.

Marlene, nome artístico de Victória Martino Bonaiuti, depois Martino Bonaiuti Delfino dos Santos, adotou o nome artístico em homenagem à atriz alemã Marlene Dietrich.

Em 1943, partiu para o Rio de Janeiro, onde, após ser aprovada no teste com Vicente Paiva, passou a cantar no Cassino Icaraí, em Niterói. Ali permaneceu por dois meses até conhecer Carlos Machado, que a convidou para o Cassino da Urca, contratando-a como vocalista de sua orquestra.

Marlene
Em 1946, houve a proibição dos jogos de azar e o fechamento dos cassinos por decreto do presidente Eurico Gaspar Dutra. Marlene, então, mudou-se com a orquestra de Carlos Machado para a Boate Casablanca. Dois anos depois, tornou-se artista do Copacabana Palace a convite de Caribé da Rocha, que a promoveu de crooner a estrela da casa.

Marlene lançou seu primeiro disco, um 78 rotações com os sambas Swing no Morro e Ginga Ginga, Morena, em 1946. Estreou no programa César de Alencar, na Rádio Nacional, com grande sucesso, em 1948 e no ano seguinte, eleita Rainha do Rádio, passou a ser cantora exclusiva do programa Manuel Barcelos, também da Rádio Nacional. Ainda nesse ano, gravou dois de seus maiores sucessos, acompanhada d'Os Cariocas, Severino Araújo e Orquestra Tabajara: os baiões Macapá e Que nem jiló (Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga).

A partir de 1956 gravou mais de 30 LPs e  mais de 60 sucessos, alguns clássicos, como Lata d'Água, Zé Marmita, Sapato de Pobre, Mora na Filosofia
 Se é pecado Sambar, Tome Polca, Apito no Samba.


Cena do filme "Tudo Azul", dos anos 1950, com Marlene, A Maior, cantando Lata dágua de Luiz Antonio e Jota Jr. A Incomparável está ao lado do ator Luiz Delfino, na época seu esposo.

Foi das poucas artistas brasileiras que não perdeu público quando a televisão surgiu, nos anos 50, nem foi relegada quando a Bossa Nova, a Jovem Guarda e o Tropicalismo mudaram os padrões da música brasileira. Na televisão, Marlene participou de novelas como "Chiquinha Gonzaga" (1999), "Viver a vida" (1984), "O amor é nosso" (1981), "Bandeira 2" (1971). No cinema, participou de filmes como "Profissão mulher" (1982), "A volta do filho pródigo" (1978), "Balança, mas não cai" (1953), "Pif-Paf .... Maria" (1945) e "Corações sem piloto" (1944).

Marlene

Nos anos 1950,cumpriu temporada de quatro meses no Teatro Olympia, em Paris, a convite da cantora Edith Piaf (foto à esquerda) , que a conheceu no Rio. e dela disse:
"Carnavalesca, mas dramática. Completa !
Chamada de capa da revista O CRUZEIRO, sobre a turnê, dizia:"Marlene, rainha do samba, com tamborim e pandeiro faz carnaval em Paris"

Marlene foi casada com o ator Luis Delfino e teve um filho, Sergio Henrique. Foi Nossa Vizinha Ilustre de Copacabana, morou no edifício Vitória Régia, na Avenida N.S. de Copacabana 484, esquina com a Rua Paula Freitas. No final da vida, mudou-se para Rua Siqueira Campos. E também, no bairro da Urca, na mesma rua em morou Carmem Miranda, na Avenida São Sebastião 2.

Nenhuma descrição de foto disponível.

Marlene "foi uma cantora do rádio que conseguiu se renovar. Uma das poucas que transgrediram – não só pelo repertório, mas também pelo estilo”, afirma o pesquisador Rodrigo Faour.


"se ela não existisse, 
alguém teria de inventá-la"

Vinicius de Moraes, 1974



domingo, 23 de julho de 2017

CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE


  . Rua Conselheiro Lafayete, 60 - Copacabana  


Resultado de imagem para carlos drummond de andradeCarlos Drummond de Andrade (1902-1987) poeta, escritor, jornalista, cronista e tradutor brasileiro, considerado por muitos o mais influente poeta brasileiro do século XX. Foi um dos principais poetas da segunda geração do Modernismo brasileiro.

Nascido em uma família de fazendeiros de Itabira MG, em 31 de outubro de 1902, Drummond iniciou seus estudos em sua cidade natal, rumando depois para Belo Horizonte para o Colégio Anchieta de Nova Friburgo, de onde foi expulso por "insubordinação mental", após um incidente com seu professor de português.

Por pressão de sua família, cursou farmácia em Ouro Preto, casando-se ao término do curso com Dolores Dutra de Moraes. Entretanto, não exerceu esta profissão, fundando, em 1925, com outros escritores, "A Revista", que, embora tenha tido somente três edições, foi importante para a afirmação do movimento modernista em Minas Gerais.

Convidado por Gustavo Capanema exerceu a chefia de gabinete do Ministério da Educação até 1945. Com a saída de Capanema do governo, deixou o ministério e assumiu o cargo de editor da “Imprensa Popular”, jornal comunista de Luiz Carlos Prestes, de onde se afastou poucos meses depois, por discordar da orientação editorial do jornal. Foi então chamado para trabalhar no Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (DPHAN), onde permaneceu até se aposentar em 1962.

Além de ser considerado um dos maiores poetas brasileiros, Drummond brilhou também no jornalismo como cronista - “Correio da Manhã”, a partir de 1954, e  “Jornal do Brasil”,  de 1969 até 1984 - como radialista -  colaborou com os programas "Vozes da Cidade", da Rádio Roquete Pinto e "Cadeira de Balanço" da Rádio Ministério da Educação - e como tradutor de famosos autores como Balzac, Laclos, Proust, García Lorca, Mauriac e Molière.

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Primeira crônica no Correio da Manhã, sobre a falta de água no Rio. 




Carlos Drummond de Andrade. Alguma poesia (1930) | Dicas de livros ...Do início de suas primeiras obras  - “Alguma Poesia”, publicada em 1929, numa edição de 500 exemplares, paga por ele mesmo, e “Brejo das Almas”, de 1934 - até  o derradeiro poema, em 31 de janeiro de 1987 ,"Elegia a um Tucano Morto", que integrou "Farewell", último livro organizado pelo poeta, escreveu textos marcantes. Seus temas eram preferencialmente o indivíduo, a terra natal, a família e as vivências de menino, os amigos, o choque social e a violência humana, o amor e a própria poesia. Foram consideradas suas principais obras"Claro Enigma", "Contos de Aprendiz", "A Mesa", "Passeios na Ilha", "Viola de Bolso", "Fazendeiro do Ar"; "Poesia até Agora", "Viola de Bolso Novamente Encordoada", "Fala, Amendoeira" e "Ciclo", além de “Rio de Janeiro em Prosa &Verso” (em colaboração com Manuel Bandeira) e “Reunião (10 Livros de Poesia”), "Tempo, Vida, Poesia" e  21 poemas para "Bandeira, a Vida Inteira", edição comemorativa do centenário de Manuel Bandeira. Passando por três obras primas: “Sentimento do Mundo” (1940), “José” (1942) e “Rosa do Povo” (1945).

Carlos Drummond de Andrade morreu no Rio de Janeiro, no dia 17 de agosto de 1987, aos 85 anos, poucos dias após a morte de sua filha única em Buenos Aires, a cronista Maria Julieta Drummond de Andrade.




Drummond foi nosso vizinho ilustre de Copacabana, bairro que fez morada desde que chegou ao Rio nos anos 1930. Primeiro na Rua Joaquim Nabuco, nº 81, onde residiu 36 anos, até 1962, quando a casa foi demolida. 

Na segunda residência ficou até o fim da vida, no apartamento 701 do Edifício Luiz Felipe, da Rua Conselheiro Lafayete, 60, na divisa com Ipanema.

 


Imagem relacionadaAli trabalhava a partir das nove da manhã depois de ler os jornais,  com sua Olivetti Studio, depois uma Remington, com uma passagem breve por uma máquina elétrica e cercado por estante com muitos livros







Também foi homenageado pelo carnaval carioca:
o poeta deu o título de campeã à Estação Primeira da Mangueira
com o samba-enredo “No Reino das Palavras”, em 1987. 

Resultado de imagem para carlos drummond de andrade  Imagem relacionada

Sua estátua, inspirada em sua foto, está localizada na Praia de Copacabana, no mesmo banco que costumava ficar, e está sempre cercada por admiradores e turistas.


Frases e ditos de Drummond:


“Os bolsos dos poetas só servem para guardar poesias.”


“Os homens distinguem-se pelo que fazem, as mulheres pelo que levam os homens a fazer”.


”Ninguém é igual a ninguém. Todo ser humano é um estranho ímpar”.


"Eu não disse ao senhor que não sou senão poeta?


"A dominante é a individualidade do autor, 
poeta da ordem e da consolidação, 

ainda que sempre, 

e fecundamente, contraditórias."



Em tempo: Há 90 anos, em 1928, Carlos Drummond de Andrade publicava na "Revista de Antropofagia" o poema "No Meio do Caminho", que ficou conhecido como "o poema da pedra" e que chocou a crítica literária da época.


*Atualizado em julho 2018

sábado, 15 de julho de 2017

SÉRGIO PORTO


  . Rua Leopoldo Miguez, 53 - Copacabana  

Resultado de imagem para sergio portoSergio Marcus Rangel Porto - Sergio Porto (1923-1968) - cronista carioca dos melhores, começou sua carreira jornalística no final dos anos 40, depois da passagem pelo Banco do Brasil,  e alcançou a fama por seu senso de humor refinado e a crítica mordaz aos costumes.

Além de jornalista se descrevia como "marido, pescador, colecionador de discos (só samba do bom e jazz tocado por negro, além de clássicos), ex-atleta...".

Sobrinho de Lúcio Rangel, pelas mãos do tio começou a escrever na revista Sombra, e depois alçou vôo próprio nos jornais Última Hora, Tribuna da Imprensa Diário Carioca e também na revista Manchete. Sérgio Porto atuou como redator de programas humorísticos, tanto no rádio e televisão, quanto no teatro. Entre estas participações se destacam os shows escritos juntamente com Nestor do Holanda e Antonio Maria para atores cômicos como Ronald Golias e Chico Anísio, que então iniciavam suas carreiras na televisão. O mais famoso desses shows foi, certamente, Times Square, na TV Rio.

Inspirado no colunista Jacinto de Thormes, pseudônimo de Maneco Muller, precursor do colunismo social no Brasil e criador da listas das As Dez Mais Elegantes,  Sergio Porto, criou Stanislaw Ponte Preta e também "As Certinhas do Lalau", onde cada edição falava de uma musa da temporada. Tudo começou ao ser solicitado para substituir o colunista do jornal ele se recusou, mas aceitou a sugestão, dada por Otto Maria Carpeaux, de usar um pseudônimo para comentar os fatos do dia de maneira crítica, ou mesmo cômica. Inicialmente pensou em Serafim Ponte Grande, o protagonista do livro homônimo de Oswald de Andrade. 

Resultado de imagem para sergio porto e cartolaDaí chegou à solução que até hoje habita o imaginário de quem teve o prazer de ler suas colunas e livros: Stanislaw Ponte Preta como o sobrinho de Tia Zulmira, a anciã do casarão da Boca do Mato, primo do nefando Altamirando e do distraído Rosamundo. Com essa criação, Sérgio, Stanislaw, entrou para o jornalismo como um dos mais mordazes críticos das mazelas de nosso país.

Este seu alter ego, Stanislaw Ponte Preta , o filho que se tornou mais celebre que o pai, nasceu no início da década de 50, na Última Hora. Sérgio, com seu enorme senso de ridículo, era um feroz opositor das chamadas colunas sociais, as precursoras das revistas de famosos da atualidade.

Muitas vedetes e atrizes foram eleitas "certinhas" pela pena do jornalista, como Anilza Leoni, Diana Morel, Rose Rondelli, Maria Pompeo, Irma Alvarez, Carmen Verônica, Zélia Hoffman , dentre 142 selecionadas,  de 1954 a 1968.




Resultado de imagem para febeapá 1a ediçãoSempre muito modesto, mas com seu maravilhoso e imbatível senso de humor, se auto-intitulava “introdutor da grossura na filosofia humorística”. Lançou o FEBEAPÁ - Festival de Besteiras que Assola o País, que tinha como característica simular as notas jornalísticas, parecendo noticiário sério. Era uma forma de criticar a repressão militar. Em um deles noticiou a decisão da ditadura militar de mandar prender o autor grego Sófocles, que morreu há séculos, por causa do conteúdo subversivo de uma peça encenada na ocasião.



Amava os livros e os discos, milhares, que ouvia às vezes enquanto trabalhava, atendendo ao telefone a todo instante, recebendo amigos, contando piadas, e continuando a batucar na máquina, insistindo para que o visitante ficasse, sob a afirmação (verdadeira) de que estava acostumado a escrever no meio da maior confusão.
Era um mestre das frases :

. "Quem dá aos pobres e empresta, adeus!"
. "Mais duro do que nádega de estátua"
. "Em rio de piranha jacaré nada de costas."
. "Mais inútil do que um vice-presidente."
. “Televisão é uma máquina de fazer doidos” 
. "Mais por fora do que umbigo de vedete." 
. "No Brasil as coisas acontecem, mas depois, 
com um simples desmentido, deixaram de acontecer."


Em 1966 compôs o Samba do Crioulo Doido, uma sátira para o Teatro de Revista, em que procurava ironizar a obrigatoriedade imposta às escolas de samba de retratarem nos seus sambas de enredo somente fatos históricos. A composição fez parte do musical Pussy Pussy Cats, uma peça de teatro rebolado escrita por Sérgio Porto, produzido por Carlos Machado. Hoje, a expressão do título é usada, no Brasil, para se referir a coisas sem sentido, a textos mirabolantes e sem nexo.


Outra grande contribuição de Sérgio Porto para a música brasileira foi a redescoberta de Cartola. 

No ano de 1957, Cartola havia desaparecido e trabalhava como lavador de carros e vigia de um edifício no bairro de Ipanema. Então, foi reconhecido por Sérgio, que começou a ajudar o músico a retornar aos palcos e retomar sua carreira.





Carioquíssmo, criado e Nosso Vizinho Ilustre em Copacabana, na rua Leopoldo Miguez, quando sua casa natal foi vendida para uma imobiliária, passou a morar em um apartamento no mesmo endereço, de número 53. Foi casado com Dirce Pimentel de Araújo, com quem teve três filhas: Gisela, Ângela e Solange ( foto acima)




Foto acima foi tirada em 22 de Maio de 1952 no calçadão da Praia do Leme. 
O noivo Sergio Porto, a noiva Dirce, 
de frente Fernando Sabino e de perfil Otto Lara Resende. 
Casaram-se na Igreja Nossa Senhora do Rosário no Leme.



O prédio à Rua Leopoldo Miguez, 53 
construído no mesmo local da casa da família de Sérgio Porto 
e onde continuou a viver.

Uma curiosidade

No seu último caderninho de telefones só encontraram telefones de mulheres, de A a Z. Evidentemente os números não tinham a mesma finalidade. 

Alguns telefones desse caderninho

Anilza Leoni ..........................57- 6911
Aracy de Almeida .................29- 4145
Dercy Gonçalves ...................37- 5051
Iona Magalhães..................... 37- 6214
Marina Montini .....................56- 0344
Norma Bengell ......................37- 1904
Odete Lara .............................47- 9911
Zélia Hoffman .......................36- 5646


sábado, 8 de julho de 2017

ASSIS CHATEAUBRIAND


  . Avenida Atlântica, 2406 - Copacabana  


Resultado de imagem para assis chateaubriandPersonagem de peso da história do Brasil do século XX, responsável por grandes mudanças na arte e na imprensa brasileiras, Assis Chateaubriand (1892-1968), Nosso Vizinho Ilustre de Copacabana, instalou-se no  extinto Hotel dos Estrangeiros -  na antiga Praça José de Alencar, no Catete -  ao chegar ao Rio de Janeiro, transferindo-se, em 1924, para o Hotel Copacabana Palace e, finalmente, para a Vila Normanda, situada na Avenida Atlântica, 2406, uma das mais belas mansões da cidade naquela época, adquirida da família Guinle. Hoje o local abriga um edifício que leva o mesmo nome: Vila Normanda.

...“era um casarão de pedra de três andares, 
revestido de madeira entalhada à mão, 
com um enorme gramado 
e um bosque de coqueiros, 
que dava um ar tropical à arquitetura 
européia”.
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Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Mello, mais conhecido como Assis Chateaubriand ou Chatô, foi jornalista, empresário, mecenas e político, destacando-se como um dos homens públicos mais influentes do Brasil nas décadas de 1940 a 1960. Foi também advogado, professor de direito, escritor, embaixador e membro da Academia Brasileira de Letras.

Nascido em Umbuzeiro, interior da Paraíba, Chateaubriand estudou no Ginásio Pernambucano, em Recife, até os 15 anos, quando ingressou na Faculdade de Direito, onde, mais tarde, lecionaria Filosofia do Direito Romano. Começou sua carreira jornalística, ainda estudante, escrevendo para os jornais "Gazeta do Norte”, “Jornal Pequeno” e “Diário de Pernambuco”.

Em 1915, mudou-se para o Rio de Janeiro, passando a colaborar com o "Correio da Manhã”. Em menos de uma década, assumiu a direção de "O Jornal", embrião da maior cadeia de imprensa do país. Chateaubriand tornou-se dono de um império jornalístico - Os Diários Associados: 34 jornais, 36 emissoras de rádio, uma agência de notícias, uma revista semanal ("O Cruzeiro"), uma mensal ("A Cigarra"), revistas infantis e uma editora.
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Foi também pioneiro da televisão no Brasil, criando a TV Tupi em 1950. Os Diários Associados chegaram a possuir 18 estações de televisão.
Simpatizante da Aliança Liberal, Chateaubriand apoiou o movimento revolucionário de 1930, que levou Getúlio Vargas ao poder. Contudo, dois anos depois, seu apoio à Revolução Constitucionalista o levaria ao exílio.

Figura polêmica e controversa, odiado e temido, Chateaubriand foi chamado de Cidadão Kane brasileiro e acusado de falta de ética, por supostamente chantagear empresas que não anunciavam em seus veículos. Seu império teria sido construído com base em interesses e compromissos políticos, incluindo uma proximidade tumultuada e proveitosa com o Presidente Getúlio Vargas, de quem conseguiu a promulgação de uma lei que lhe deu direito à guarda de sua filha Teresa, a qual não teria reconhecido após o nascimento, fruto de um affair com uma jovem de 15 anos. Esta lei ficou conhecida como “Lei Teresoca”.

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 Com o lema "Deem asas ao Brasil”, lançou e promoveu a Campanha Nacional de Aviação, através da construção de aeroclubes e aeroportos no interior do país, embora fosse um dos representantes da emergente burguesia nacional, assumiu posições favoráveis ao capital estrangeiro.

Com seu espírito inquieto e empreendedor, fundou o Museu de Arte de São Paulo – MASP - em 1947, adquirindo na Europa do pós-guerra uma coleção de obras de grandes artistas europeus, graças à colaboração de Pietro Maria Bardi. 











No Museu D´Orsay, em Paris, na exposição Portraits de Cezanne, está a pintura Portrait de madame Cézanne en rouge, comprada por Assis Chateaubruand para o MASP. De 200 pinturas expostas, esta é a única que está em um Museu da América do Sul.

Chatô ficou também conhecido por dar oportunidades e apoio a escritores e artistas desconhecidos em sua época, como Graça Aranha, Anita Malfatti, Di Cavalcanti e Cândido Portinari. 

Eleito senador pela Paraíba em 1952, e, em 1955, pelo Maranhão, renunciou ao mandato para assumir a embaixada do Brasil em Londres.
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Foi o quarto ocupante da Cadeira 37 da Academia Brasileira de Letras, eleito em 30 de dezembro de 1954, na sucessão de Getúlio Vargas. Entretanto, a maior parte de sua obra não se encontra publicada em livros, e, sim, dispersa em artigos para a imprensa.


Com o tempo, Chateaubriand foi dando menos importância aos jornais e voltando sua atenção para o rádio e a televisão, sempre investindo em novas tecnologias. Na década de 1960, porém, o maior império das telecomunicações do país estava endividado e Chatô sofre uma trombose que o deixa paralisado. Ele passa então a comunicar-se e publicar seus artigos através de uma máquina de escrever adaptada pela IBM.

Chateaubriand morreu em 1968 e foi velado ao lado de duas pinturas: um cardeal de Velázquez e um nu de Renoir, simbolizando, segundo Bardi, as três coisas que mais amou: o poder, a arte e a mulher.

Curiosidade:

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Ao visitar Nova York, em 1946, para receber o prêmio de jornalismo Maria Moors Cabot, concedido pela Universidade de Columbia, Assis Chateaubriand foi fotografado pelo jornal The New York Times que o apresentou como 
“ o milionário dono de 28 jornais, 13 rádios, 3 revistas e uma agência de propaganda, uma espécie de Hearst brasileiro”.