sábado, 29 de julho de 2017

MARLENE


  . Avenida N.S. de Copacabana, 484 - Copacabana  

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Marlene (1922-2014), estrela da era do rádio no Brasil, foi um dos maiores mitos desse tempo. Gravou mais de quatro mil canções em sua carreira, e virou lenda sua rivalidade com a cantora Emilinha Borba. 

Marlene tornou-se a mais querida da Aeronáutica - Emilinha era a preferida da Marinha -  e   tinha o aposto É a Maior. Seus fãs mais ardorosos criaram a Associação Marlenista (Amar),nos anos 1950, que desde então guardou tudo que diz respeito à cantora.

Marlene, nome artístico de Victória Martino Bonaiuti, depois Martino Bonaiuti Delfino dos Santos, adotou o nome artístico em homenagem à atriz alemã Marlene Dietrich.

Em 1943, partiu para o Rio de Janeiro, onde, após ser aprovada no teste com Vicente Paiva, passou a cantar no Cassino Icaraí, em Niterói. Ali permaneceu por dois meses até conhecer Carlos Machado, que a convidou para o Cassino da Urca, contratando-a como vocalista de sua orquestra.

Marlene
Em 1946, houve a proibição dos jogos de azar e o fechamento dos cassinos por decreto do presidente Eurico Gaspar Dutra. Marlene, então, mudou-se com a orquestra de Carlos Machado para a Boate Casablanca. Dois anos depois, tornou-se artista do Copacabana Palace a convite de Caribé da Rocha, que a promoveu de crooner a estrela da casa.

Marlene lançou seu primeiro disco, um 78 rotações com os sambas Swing no Morro e Ginga Ginga, Morena, em 1946. Estreou no programa César de Alencar, na Rádio Nacional, com grande sucesso, em 1948 e no ano seguinte, eleita Rainha do Rádio, passou a ser cantora exclusiva do programa Manuel Barcelos, também da Rádio Nacional. Ainda nesse ano, gravou dois de seus maiores sucessos, acompanhada d'Os Cariocas, Severino Araújo e Orquestra Tabajara: os baiões Macapá e Que nem jiló (Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga).

A partir de 1956 gravou mais de 30 LPs e  mais de 60 sucessos, alguns clássicos, como Lata d'Água, Zé Marmita, Sapato de Pobre, Mora na Filosofia
 Se é pecado Sambar, Tome Polca, Apito no Samba.


Cena do filme "Tudo Azul", dos anos 1950, com Marlene, A Maior, cantando Lata dágua de Luiz Antonio e Jota Jr. A Incomparável está ao lado do ator Luiz Delfino, na época seu esposo.

Foi das poucas artistas brasileiras que não perdeu público quando a televisão surgiu, nos anos 50, nem foi relegada quando a Bossa Nova, a Jovem Guarda e o Tropicalismo mudaram os padrões da música brasileira. Na televisão, Marlene participou de novelas como "Chiquinha Gonzaga" (1999), "Viver a vida" (1984), "O amor é nosso" (1981), "Bandeira 2" (1971). No cinema, participou de filmes como "Profissão mulher" (1982), "A volta do filho pródigo" (1978), "Balança, mas não cai" (1953), "Pif-Paf .... Maria" (1945) e "Corações sem piloto" (1944).

Marlene

Nos anos 1950,cumpriu temporada de quatro meses no Teatro Olympia, em Paris, a convite da cantora Edith Piaf (foto à esquerda) , que a conheceu no Rio. e dela disse:
"Carnavalesca, mas dramática. Completa !
Chamada de capa da revista O CRUZEIRO, sobre a turnê, dizia:"Marlene, rainha do samba, com tamborim e pandeiro faz carnaval em Paris"

Marlene foi casada com o ator Luis Delfino e teve um filho, Sergio Henrique. Foi Nossa Vizinha Ilustre de Copacabana, morou no edifício Vitória Régia, na Avenida N.S. de Copacabana 484, esquina com a Rua Paula Freitas. No final da vida, mudou-se para Rua Siqueira Campos.

Marlene "foi uma cantora do rádio que conseguiu se renovar. Uma das poucas que transgrediram – não só pelo repertório, mas também pelo estilo”, afirma o pesquisador Rodrigo Faour.


"se ela não existisse, 
alguém teria de inventá-la"

Vinicius de Moraes, 1974



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