sábado, 4 de março de 2017

ANDRÉ FILHO


 . Rua do Matoso, 78 -  Catumbi  



Resultado de imagem para andre filho compositorAntônio André de Sá Filho, ou simplesmente André Filho (1906-1974), apesar de ser o compositor de Cidade Maravilhosa, hino oficial do Rio, e de cerca de 500 canções, foi solenemente ignorado pela Prefeitura da cidade em todas as comemorações pelos seus 450 anos e que se realizaram ao longo de 2015.

Bacharel em ciências e letras, André fazia parte de uma família musical: ele tocava bandolim e violino, além de piano e violão. Suas irmãs, formadas pelo Instituto Nacional de Música, e que escreviam as partituras de suas composições, nunca seguiram a carreira artística.

O título Cidade Maravilhosa foi inspirado em um programa radialístico de grande sucesso à época, apresentado por César Ladeira, onde este lia as "Crônicas da Cidade Maravilhosa", escritas pelo futuro Imortal da Academia Brasileira de Letras, Genolino Amado.

Na década de 1960, no governo de Carlos Lacerda, a marchinha de André Filho foi indicada hino oficial da Guanabara, através de um projeto de lei apresentado pelo deputado Salles Netto, seu colega  de turma no Colégio Salesiano.

Cidade Maravilhosa foi composta em 1934, inscrita em um concurso de marchinhas para o Carnaval de 1935. Gravada por Aurora Miranda e André Filho  não levou o primeiro lugar, mas foi consagrada pelo público. Aurora gravou a marcha por sugestão de sua irmã Carmen Miranda, a qual pretendia lançar a irmã mais nova no cenário artístico e na rádio. Carmen passou, então, a incluí-la em todos os seus shows e no coro de suas gravações. Quando André Filho mostrou-lhe a música, Carmen achou que aquela seria uma oportunidade de ouro para a irmã. O compositor concordou imediatamente e, juntamente com Aurora, gravou Cidade Maravilhosa de forma magistral.






As irmãs Miranda foram as maiores intérpretes da obra do compositor.
Carmen gravou mais de 20 músicas de André, dentre elas Alô Alô Bamboleo, sendo que esta última voltou a fazer sucesso, na voz de Ney Matogrosso. Chico Buarque resgatou outra canção de André Filho, a belíssima Filosofia, composta em parceria com Noel Rosa.



Depois de Cidade Maravilhosa, o compositor experimentou, por cerca de dez anos, um grande sucesso, apresentando um programa na Rádio Nacional, patrocinado pela empresa Café Cruzeiro Extra, que pertencia ao seu avô e cujo slogan, de sua autoria, “Gostoso até sem acúcar”, é lembrado até hoje.

André Filho foi nosso vizinho ilustre em vários endereços da cidade. 

Nasceu pelas mãos de sua avó portuguesa, parteira, no dia 21 de março de 1906, na Rua da Ajuda, residência de sua bisavó. Em seguida, a família mudou-se para a Rua Catumbi, 67 - a casa branca e azul, da foto ao lado, -   onde funciona hoje a Associação Comercial daquele bairro. 
Quando André tinha 12 anos, houve nova mudança para a Rua do Matoso, 78, onde foi composta a célebre marchinha Cidade Maravilhosa. Hoje, este endereço abriga um supermercado.
Em 1942, a família mudou-se para Copacabana, residência de seu avô.
Era um lindo casarão com grandes vitrais coloridos, na Rua Xavier da Silveira, 73 e que ocupava todo o quarteirão até a Rua Miguel Lemos. Ali se reunia a elite musical da cidade e ali foram realizados inúmeros bailes no grande salão da residência que podia abrigar até 100 pares rodopiando pelo grande espaço.

André Filho residiu em Copacabana até morrer em 1974. Após o falecimento de sua avó, em 1976, o casarão foi vendido e demolido dando lugar à construção de um hotel e de um prédio residencial. Curiosamente, a casa de número 75, da mesma rua, foi tombada em 1976 pela Prefeitura da cidade do Rio de Janeiro e hoje pertence ao INSS. A casa de André Filho, não.


Um comentário:

Bruno Oliveira disse...

Parabéns pelo trabalho!
Continuem assim, mantendo viva a memória de personagens ilustres que tiveram um papel primordial na história do RJ.