sábado, 18 de fevereiro de 2017

LAMARTINE BABO


 . Rua Jorge Lóssio, 36 casa 2 - Tijuca   


Lamartine de Azeredo Babo, ou simplesmente Lamartine Babo (1904-1963) o compositor brasileiro, autodidata, autor de valsa, opereta, samba-canção, hinos, marchinhas de carnaval e juninas, músicas maravilhosas que foram do humor refinado e a irreverência ao profundo sentimento.  

 Lalá, como era conhecido, era uma das pessoas mais bem humoradas e divertidas de sua época, daí suas letras primorosas nas marchinhas carnavalescas - cantadas até hoje - como O Teu Cabelo Não Nega, Grau 10, Linda Morena, Cantores do Rádio, Joujou e Balangandãs, Ride Palhaço História do Brasil  - letra considerada verdadeiro painel surrealista e premonitoriamente tropicalista, que abriu o caminho poético/popular do absurdo que Stanislaw Ponte Preta trilhou mais tarde com o Samba do Crioulo Doido -  dentre outras.

Também, quando falamos em futebol é impossível não lembrarmos que Lamartine Babo compôs hinos de 11 clubes cariocas. E tudo começou por acaso, quando ele compôs uma marchinha para o Flamengo no carnaval de 1945, que acabou virando o hino informal do time até hoje. Diante do enorme sucesso. Heber de Boscoli, que fazia o programa ‘Trem da Alegria’ com Lamartine propôs o desafio dele compor um hino por semana para os outros clubes de futebol do Rio. O resultado é que no final da década de 40 todos os 11 times que disputavam o Campeonato Carioca já tinham os seus hinos.



Nasceu na Rua das Violas, atual  Teófilo Otoni, no centro da cidade do Rio de Janeiro, depois a família logo mudou-se para o bairro da Tijuca, expulsa do centro da cidade que ingressava na Belle Époque.  Já adulto, morou na Rua Frei Caneca, 163 (último andar) e depois em uma vila - existente até hoje - na Rua Jorge Lóssio, 36 casa 2


Solitário até 1951, casou-se nesse ano com Maria José Barroso,  a Zezé, que conhecera num hospital de Petrópolis quando animava doentes cantando e contando piadas, em trabalho voluntário.






Em 1981, no carnaval, só deu Lalá.

A escola de samba carioca 
Imperatriz Leopoldinense conquistou seu primeiro bicampeonato com o enredo "O teu cabelo não nega", de Arlindo Rodrigues, uma comovente e divertida homenagem ao compositor.





No dia 13 de junho de 1963, quando se recuperava de um enfarte sofrido alguns meses antes, Lamartine Babo foi ao Golden Room do Hotel Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, assistir ao ensaio de um musical de Carlos Machado inspirado em suas marchinhas de carnaval e que tinha por título a mais famosa delas: O Teu Cabelo Não Nega
Entrevistado para um telejornal, quis saber se a conversa iria ao ar no mesmo dia. 
“Hoje não, porque temos a entrevista de Tom Jobim,
que chegou dos Estados Unidos”
,
 respondeu o repórter. 
“Ah! Quer dizer que agora eu estou um tom abaixo?”
Foi o último de seus muitos e célebres trocadilhos. Três dias depois, sem ter chegado a ver a estreia do espetáculo, Lalá morria.

Curiosidade... 
...é o fato de um dos hinos mais belos não só da carreira de Lamartine como do futebol brasileiro ser plágio.

Na verdade o hino do América foi baseado na música “Row Row Row”, trilha de um musical da Broadway chamado “Ziegfeld Follies”, composta em 1912. Lamartine provavelmente conheceu a música quando o musical virou um filme recheado de estrelas, como Fred Astaire, Judy Garland e Gene Kelly e ganhou o festival de Cannes em 1947.





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