segunda-feira, 1 de outubro de 2018

ANIVERSÁRIO DO BLOG!







Há dois anos iniciamos este blog, e, ao longo deste tempo, foram resgatados 90 endereços de ilustres moradores de nossa cidade, suas atividades, pinceladas sobre suas biografias, e sua importância no contexto de nossa história, além de fatos pitorescos 

sobre os perfilados. 
Procuramos lançar um novo olhar 
sobre a ligação existente entre moradia e trajetória de vida. 
Entre habitat e inspiração.

“...Rua Nascimento e Silva, 107...”, como diz a canção...

Escritores, pintores, cantores, músicos, empresários, jornalistas, atores, homens e mulheres foram alvo de nossa pesquisa e de nossas escolhas. Grandes figuras de seu tempo 

que foram nossos vizinhos ilustres 
de calçada, de rua, de bairro 
e que, muitas vezes, desconhecemos.

Conquistamos leitores e seguidores e esperamos continuar merecendo sua leitura e seus comentários.


Muitos outros endereços ainda vamos relembrar!


Agradecemos  a visita de todos ao longo desse tempo,
e fica o convite pra seguirem curtindo e revendo
esses cantinhos cariocas de tanta história.




sexta-feira, 14 de setembro de 2018

DJANIRA



  . Rua Almirante Alexandrino, 2603 - Santa Teresa   


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De origem humilde, nascida em Avaré, interior paulista, descendente de imigrantes austríacos e neta de índios guaranis, Djanira (1914-1979) mudou-se ainda criança com a família para Porto União, em Santa Catarina. Ao regressar à sua cidade natal, trabalhou nos cafezais da região e suas lembranças da gente simples do campo foram projetadas em seus quadros.


Na foto com seu cão Horácio

Ao se instalar em Santa Teresa, no Rio de Janeiro, em 1939, adquiriu a Pensão Mauá, que se tornou local de convívio de diversos artistas e intelectuais da época. Em 1940, Djanira passou a ter aulas com os pintores Emeric Marcier e Milton Dacosta, seus hóspedes na pensão. Nesse mesmo ano, passou a frequentar o curso noturno do Liceu de Artes e Ofícios.

Pintora autodidata, buscava inspiração em cenas do cotidiano e nas paisagens brasileiras e reproduziu em sua pintura, de maneira singela e poética, a paisagem nacional em um estilo chamado de arte primitiva, com linhas e cores simplificadas. Em sua obra coexistem uma diversidade de cenas, como as festas folclóricas, as temáticas religiosas, o cotidiano dos tecelões, os colhedores de café, os batedores de arroz e os vaqueiros.

Comparada à Portinari, Djanira representou com perfeição a alma brasileira.

Pintora, desenhista, ilustradora e cenógrafa, Djanira foi a primeira artista latino-americana a ser representada no Museu do Vaticano, com a obra "Sant’Ana de Pé". É de sua autoria também o mural "Candomblé", encomendado por Jorge Amado para sua casa em Salvador, além do painel “Santa Bárbara”, com 130 m2, primeiramente instalado no Túnel Santa Bárbara, em Laranjeiras, e, posteriormente transferido para o Museu Nacional de Belas Artes.


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Djanira visitando o interior do Túnel Santa Bárbara onde inicialmente foi instalado seu painel

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O painel Santa Bárbara, o maior painel do Brasil, atualmente no Museu Nacional de Belas Artes

Muito religiosa, em 1963, entrou para a Ordem Terceira Carmelita, da qual recebeu o hábito com o nome de Irmã Teresa do Amor Divino. Em 1972, recebeu um diploma e uma medalha do Papa Paulo VI.

Djanira
foi nossa vizinha ilustre em Santa Teresa,
no condomínio Vila Jardim Cecília, à Rua Almirante Alexandrino, 2603. 



O carrinho azul é um monotrilho dos moradores da vila

No apartamento onde morou , Djanira produziu a maioria de suas pinturas, gravuras e desenhos.

Depois de sua morte, mais de 800 obras foram doadas ao Museu Nacional de Belas Artes – MNBA, enquanto parte do acervo permaneceu com o viúvo, o poeta e historiador José Shaw de Motta e Silva, o Motinha e com Rachel Trompowsky Taulois da Motta e Silva, amiga de Djanira e que se casou com Motinha após a morte da pintora.


Imagem relacionada

“Djanira fazia uma arte popular, 
mas com uma sofisticação única, 
de forma semelhante ao que 
Pixinguinha fez na música. 
Era uma artista única”.
                                          galerista Evandro Carneiro


Djanira da Motta e Silva faleceu no Rio de Janeiro, no dia 31 de maio de 1979.


sábado, 1 de setembro de 2018

JULIA LOPES DE ALMEIDA



  . Rua Joaquim Murtinho, 587 - Santa Teresa   

Júlia Lopes de AlmeidaNo grupo de escritores e intelectuais que se mobilizaram para criar a ABL, uma grande figura da Literatura Nacional daquele tempo ficou de fora por um pequeno detalhe, e não foi a língua, foi a saia. A carioca Júlia Lopes de Almeida (1862 - 1934), aniversariante de setembro, ficou de fora desse “panteão” por causa desse pequeno detalhe: era mulher. 

A História se esqueceu de contar a trajetória de escritores mulheres. Júlia, por exemplo, escreveu romances e peças de teatro além de livros infantis, fazendo muito sucesso na sua própria época. Também escreveu para diversos jornais e revistas, como a Gazeta de Campinas, A Semana, A Mensageira.

Júlia teve uma carreira de escritora e jornalista de mais de 40 anos. Ela defendia a educação feminina, o divórcio e a abolição da escravatura. Já preocupada com a questão do cuidado, ela defendia também a instalação de creches, naquela época. Apontada por umas como feminista e por outras como uma mera reprodutora da ideologia dominante da época. 

Desde cedo mostrou forte inclinação pelas letras, embora no seu tempo de moça não fosse de bom-tom nem do agrado dos pais, uma mulher dedicar-se à literatura. Inicia seu trabalho na imprensa aos 19 anos, em A Gazeta de Campinas, numa época em que a participação da mulher na vida intelectual é rara e incomum. Três anos depois, em 1884, começa a escrever também para o jornal carioca O País, numa colaboração que dura mais de três décadas. Mas é em Lisboa, para onde se muda em 1886, que se lança como escritora.

De volta ao Brasil, em 1888, logo publica seu primeiro romance, Memórias de Marta, que sai em folhetins em O País.

Seu estilo é marcado pela influência do realismo e do naturalismo francês, e uma das suas crônicas veio a inspirar Artur Azevedo ao escrever a peça O dote. Júlia era chamada de A George Sand Brasileira e foi uma das poucas a participar, no início do século XX, da série de conferências, inaugurada por Coelho Neto e Olavo Bilac, que gerou inúmeras polêmicas sobre o papel da mulher na sociedade brasileira.

Em entrevista ao escritor João do Rio, o marido de Júlia,  o poeta e teatrólogo português Filinto de Almeida confessou

"Há muita gente que considera D. Júlia 
o primeiro romancista brasileiro.
Pois não é? 
Nunca disse isso a ninguém,
mas há muito que o penso. 
Não era eu quem deveria estar na Academia,
era ela."

Mulher à frente de seu tempo, Júlia com uma linguagem leve, simples, cativou seu público, escreveu e publicou mais de 40 volumes entre romances, contos, narrativas, literatura infantil, crônicas e artigos. Foi abolicionista e republicana além de mostrar, em suas obras, idéias feministas e ecológicas.
Em duas fases da vida, no início do seculo XX e ao final da vida, nos anos 1930.
"Por que não o hei de enganar do mesmo modo? Em consciência, não há homens nem mulheres: há seres com iguais direitos naturais, mesmas fraquezas e iguais responsabilidades...Mas não há meio dos homens admitirem semelhantes verdades. Eles teceram a sociedade com malhas de dois tamanhos – grandes para eles, para que seus pecados e faltas saiam e entrem sem deixar sinais; e extremamente miudinhas para nós."

Júlia Lopes de Almeida, em “Eles e elas”. 2ª ed., Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1922, p. 137.



Júlia Lopes de Almeida foi nossa vizinha ilustre na Rua Joaquim Murtinho, 587, em Santa Teresa,  onde os saraus literários e musicais que promovia junto com Filinto, nos salões de casa, reuniam artistas como o pintor Eliseu Visconti, escritores como Aluísio Azevedo e poetas como Olavo Bilac.

A casa nos dias atuais se encontra bem preservada


Julia em seu escritório


quarta-feira, 15 de agosto de 2018

DUQUE DE CAXIAS



  . Rua Frei Caneca, 4 - Centro   

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Luiz Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias (1803 - 1880), nasceu na fazenda de São Paulo, Vila de Porto da Estrela, na Capitania do Rio de Janeiro, quando o Brasil era Vice-Reino de Portugal. Hoje, é o local do Parque Histórico Duque de Caxias, no município de Duque de Caxias, estado do Rio de Janeiro.

Pouco se sabe da infância de Caxias. Nasceu na Rua das Violas, atual rua Teófilo Otoni, rua onde existiam fabricantes de violas e violões e onde se reuniam trovadores e compositores, e que foi o cenário principal da infância de Caxias. Estudou no Convento São Joaquim, onde hoje se localiza o Colégio D.Pedro II. Em 1818, aos quinze anos de idade, matriculou-se na Academia Real Militar e em outubro de 1822, no Campo de Santana, coube a ele, já tenente , receber das mãos do Imperador D. Pedro I a bandeira do Império recém-criada, na Capela Imperial, em 10 de novembro de 1822.

Sua bravura e competência como comandante e líder na Campanha da Cisplatina, o combate ao movimento da Balaiada o fazem merecedor de condecorações e título nobiliárquico sob o título de Caxias, que "significava disciplina, administração, vitória, justiça, igualdade e glória".

Sempre marcou sua presença pela simplicidade, humanidade e altruísmo com que conduzia suas ações. Seus atos de bravura, de magnanimidade e de respeito à vida humana, conquistaram a estima e o reconhecimento dos adversários.

"Abracemo-nos para marcharmos, 
não peito a peito, 
mas ombro a ombro, em defesa da Pátria, 
que é a nossa mãe comum".


O tino militar de Caxias atinge seu ápice nas batalhas da Campanha contra o Paraguai, cuja liderança atinge a plenitude no seu esforço para concitar seus homens à luta na travessia da ponte sobre o arroio Itororó , onde diz a célebre frase "Sigam-me os que forem brasileiros".

Prestou ao Brasil mais de 60 anos de excepcionais e relevantes serviços como político, administrador público de contingência e, inigualados, como soldado de vocação e de tradição familiar, a serviço da unidade, da paz social, da integridade e da soberania do Brasil Império. 

Em 25 de agosto de 1923, a data de seu aniversário natalício passou a ser considerada como o Dia do Soldado do Exército Brasileiro.

Foi casado com dona Anna Luiza Carneiro Viana de Lima, teve duas filhas Luiza e Anna. Em 1874, aos 71  anos, fez um testamento breve, em que dizia


" ... Recomendo a estes que quero que meu enterro seja feito, sem pompa alguma... Não desejo mesmo, que se façam convites para o meu enterro, porque os meus amigos que me quizerem fazer este favor, não precisam dessa formalidade e muito menos consintam os meus filhos que eu seja embalsamado.
... dispenso as honras fúnebres que me pertencem como Marechal do Exército...
...Declaro que deixo ao meu criado, Luiz Alves, quatrocentos mil réis e toda a roupa do meu uso.
...Deixo ao meu amigo e companheiro de trabalho, João de Souza da Fonseca Costa, como sinal de lembrança, todas as minhas armas, inclusive a espada com que comandei, seis vezes, em campanha, e o cavalo de minha montaria, arreado com os arreios melhores que tiver na ocasião da minha morte.
...Deixo à minha irmã, a Baroneza de Suruhi, as minhas condecorações ...e a meu irmão, ...meu candieiro de prata, que herdei do meu pai.
...Deixo meu relógio de ouro com a competente corrente ao Capitão Salustiano de Barros Albuquerque, também como lembrança pela lealdade ...
...Deixo à minha afilhada Anna Eulália de Noronha, casada com o Capitão Noronha, dois contos de réis. Cumpridas estas disposições, que deverão sair da minha terça, tudo o mais que possuo será repartido com as minhas duas filhas Anna e Luiza, acima declaradas...."
Duque de Caxias  foi nosso vizinho ilustre no Centro e na Tijuca.
. no Centro, à rua Rua Frei Caneca, 4, na esquina com a Praça da República, prédio que mandou construir, com janelas em forma de sacadas, do piso ao teto, o que era comum naquela época.
O segundo andar foi transformado em um clube de dança em 1930, por um empresário português chamado Júlio Simões, com o nome de Elite Club. Posteriormente o proprietário veio a mudar o nome e se transformou na famosa Gafieira Elite.



. na Tijuca, em um palacete na Conde de Bonfim, 186entre as ruas Conselheiro Zenha e Visconde de Figueiredo, por quase meio século. Ele foi demolido e em seu local foi construída a MESBLA - Tijuca, depois de ali funcionar por muitos anos o Colégio La Fayette (feminino). Atualmente  existe um supermercado Extra.



No dia 7 de maio de 1880, às 20 horas e 30 minutos, fechava os olhos para sempre aquele bravo militar e cidadão que vivera no seio do Exército para glória do próprio Exército e do país

No dia seguinte, em trem especial, chegava na Estação do Campo de Santana o seu corpo, vestido com o seu mais modesto uniforme de Marechal de Exército, trazendo ao peito apenas duas das suas numerosas condecorações, as únicas de bronze: a do Mérito Militar e a Geral da Campanha do Paraguai, tudo consoante suas derradeiras vontades expressas. Foi enterrado no cemitério do Catumbi.

Em 1949, os restos mortais de Duque de Caxias e sua esposa, após os corpos terem sido exumados no Cemitério do Catumbi, foram levados para a Igreja de Santa Cruz dos Militares onde foi realizada uma missa. Dois dias depois, em comemoração ao Centenário do Nascimento de Duque de Caxias, em 25 de agosto, os restos mortais foram levados para o Pantheon onde ficaram em descanso eterno. O Pantheon foi construído para essa comemoração.
A imagem pode conter: atividades ao ar livre

Rua Catumbi, o cortejo levando os restos mortais de Duque de Caxias, em 1949



quarta-feira, 1 de agosto de 2018

PAULO BITTENCOURT e AUGUSTO RODRIGUES

Uma das notícias mais alvissareiras publicadas em 2018, foi a compra, restauração e futura revitalização das casas que compõem o Largo do Boticário, no Cosme Velho (na altura do número 822), por uma rede de hotéis, que ali instalará um complexo hoteleiro moderno, a ser inaugurado em 2020.



O Largo do Boticário é um dos poucos lugares da cidade onde se pode ver o rio Carioca correr a céu aberto. Próximo ao Largo podem ser encontrados ainda outros marcos históricos do bairro do Cosme Velho como o Solar dos Abacaxis e a casa de Roberto Marinho.

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O nome do Largo deriva de Joaquim Luís da Silva Souto, boticário que comprou terrenos no Cosme Velho e mudou-se para o local por volta de 1831. Em 1846, ali viveu o marechal Joaquim Alberto de Souza Silveira, frequentador da corte e padrinho de nascimento de Machado de Assis.

A definitiva feição do Largo começou a ser dada nos anos 20, quando Edmundo Bittencourt comprou o terreno e começou a construir as nove casas em estilo neocolonial. O estilo foi mantido nas décadas de 30 e 40 pelo diplomata e colecionador de arte Rodolfo da Siqueira, que era arquiteto amador e viveu no Largo entre 1928 e 1941, e por Paulo Bittencourt e sua primeira mulher Sylvia de Arruda Botelho Bittencourt, herdeiros do Correio da Manhã. Algumas destas casas foram reformadas com a supervisão dos arquitetos Lucio Costa e Gregori Warchavchik, utilizando materiais autênticos da época colonial, provenientes de demolições realizadas na cidade.

Das seis casas do Largo do Boticário, duas foram ocupadas por moradores ilustres, que ali residiram e ligaram suas vidas à própria história da cidade: 
Paulo Bittencourt  e  Augusto Rodrigues
cujos perfis destacamos neste mês.



PAULO BITTENCOURT

  . Largo do Boticário, casa 20   

Resultado de imagem para paulo bittencourt correio da manhãPaulo Bittencourt (1895-1963) nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, e morreu em  Estocolmo, na Suécia. Seu pai, o jornalista Edmundo Bittencourt, foi o fundador do jornal Correio da Manhã, em 1901, um dos mais importantes periódicos da antiga capital da República.






Cursou a Universidade de Cambridge, na Inglaterra, e a Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro, bacharelando-se em 1918. Integrou em 1919 a delegação brasileira à Conferência de Paz de Versalhes e começou a trabalhar por essa época no jornal de seu pai, onde viria a ser redator-chefe e articulista.

Paulo Bittencourt foi nosso vizinho ilustre no casarão de número 20 do Largo do Boticário. Projetado pelo arquiteto Lucio Costa e erguido em 1937, o casarão de estilo colonial e cor rosa, é tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural. A mansão tem jardins projetados por Burle Marx e, como quintal, parte da Floresta da Tijuca. Na entrada há um grande portal, ladeado por antigas colunas de granito rescaldadas de antigas casas demolidas, umaescadaria helicoidal que liga a área social com a familiar, que originalmente tinha degraus em mármore rosa, é feita em madeirame e leva ao salão nobre da antiga mansão, uma sala ampla com a galeria superior, em cujas paredes estavam expostas as obras de arte da família Bittencourt.  Os dias de auge foram nos anos 60 e 70, quando passaram por seus salões inúmeras personalidades brasileiras e estrangeiras, atraídas pelas festas e reuniões realizadas pelos ilustres moradores. 




A jornalista Sylvia Bittencourt, conhecida como Dona Majoy, faleceu no 30 de janeiro de 1995, no Largo do Boticário, em sua casa de número 20, onde ela continuou a residir após sua separação de Paulo Bittencourt. Niomar Moniz Sodré, segunda mulher de Paulo Bittencourt, sucedeu-o na direção do Correio da Manhã, após sua morte até o fechamento do jornal em 1974.

Em 2010, a casa rosa foi palco da mostra de decoração Casa Cor.



AUGUSTO RODRIGUES

  . Largo do Boticário, casa 1  


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Foi  a casa de Augusto Rodrigues (1913 – 1993) educador, pintor, desenhista, gravador, ilustrador, caricaturista, fotógrafo e poeta. Augusto Rodrigues nasceu no Recife em 1913, tendo realizado sua primeira exposição individual, aos 20 anos, no Recife, iniciando suas atividades como ilustrador e caricaturista no Diário de Pernambuco.

Ao lado de Guignard e Candido Portinari, dentre outros artistas, expôs, pela primeira vez, em 1934, na Associação dos Artistas Brasileiros, no Rio de Janeiro, transferindo-se no ano seguinte para nossa cidade e tornando-se colaborador de jornais e de revistas como O Estado de S. Paulo e O Cruzeiro e participando da fundação e do planejamento dos jornais Folha Carioca, Diretrizes e Última Hora.
Nas diversas atividades artísticas desenvolvidas por Augusto Rodrigues, uma característica comum é sua permanente preocupação com a função da arte. Defendia ser esta a forma pela qual a cultura se manifesta mais significativamente, daí a importância de difundi-la.

Com a colaboração de Lúcia Alencastro, Oswaldo Goeldi, Vera Tormenta, Fernando Pamplona e Humberto Branco, fundou, em 1948, a Escolinha de Arte do Brasil.

A criação da Escolinha de Arte do Brasil - primeira do gênero no país - é um exemplo do empenho de Rodrigues em renovar os métodos da educação artística para crianças e adultos. Com base nas ideias do historiador e crítico de arte Herbert Read, procurou incluir, no processo de ensino, pesquisas poéticas que estimulassem a criança a desenvolver sua própria singularidade. Essa iniciativa torna-se importante referência para o desenvolvimento da arte-educação no Brasil.

Augusto Rodrigues foi nosso vizinho ilustre na casa n° 1, do Largo do Boticário, que tinha jardins de Burle Marx
casa de Augusto Rodrigues, a casa amarela à esquerda


Ali foram feitas cenas internas do filme “007 contra o foguete da morte” e inúmeras novelas.


Augusto Rodrigues vestia-se de maneira informal, gostava de passarinhos, dos amigos, e de casa cheia. Era um galanteador, un bon vivant e trazia para seus trabalhos a liberdade dos traços que buscavam integrar pintura e desenho. Entre seus temas, a mulher era personagem constante, e, significativa também, a presença de elementos ligados à cultura popular pernambucana, como o frevo e a dança de roda.

O artista participou de importantes mostras e exposições no Rio e em São Paulo, tendo obtido o prêmio de viagem ao exterior na categoria desenho, no 2º Salão Nacional de Arte Moderna. Publicou também livros de poesia: 27 Poemas e A Fé entre os Desencantos, ambos na década de 70.

Em 1989, lançou Largo do Boticário - Em Preto e Branco, com 80 fotografias tiradas no decorrer dos anos em que morou no local.

sábado, 14 de julho de 2018

NELSON RODRIGUES



  . Avenida Atlântica, 720 - Leme   

Também neste mês do escritor, vamos falar de outro vizinho ilustre  do bairro do Leme que por lá morou de frente pro mar: Nelson Rodrigues (1912-1980)


Foi o jornalista, escritor que revolucionou o teatro brasileiro ao explorar a vida cotidiana do subúrbio carioca, com diálogos carregados de tragédia e humor. Pernambucano, veio criança pro Rio de Janeiro e com 13 anos já trabalhava como repórter policial no jornal “A Manhã”, o jornal fundado por seu pai. Os muitos anos nessa atividade lhe deram vasta experiência que usou para escrever suas peças teatrais.

O sucesso veio em 1943, com Vestido de Noiva, sua segunda peça, direção de Ziembinsky, montada no Theatro Municipal, que marcou o surgimento do teatro brasileiro moderno.

Evangelina Guinle, conhecida como Lina Grey, Stella Perry e Maria Barreto Leite,
na montagem de 1943

“Perdoa-me Por Me Traíres”, “Boca de Ouro”,“O Beijo no Asfalto”, “Bonitinha, Mas Ordinária”, “Toda Nudez Será Castigada”, “A Dama do Lotação” são alguns dos títulos que compõem seu universo das peças.

A partir de 1962 começou a escrever crônicas esportivas onde expôs sua paixão pelo futebol e pelo seu time, o Fluminense.

"Ele não entenderia por que os locutores de hoje na televisão,
em meio à leitura compenetrada do que vai pelo mundo,
abrem imediatamente um sorriso infantil
quando passam às notícias de futebol. Será que acham o futebol um show divertido?
Para Nelson Rodrigues, qualquer pelada era um drama.
O futebol nos textos de Nelson Rodrigues é a tragédia,
o horror, o sofrimento e a compaixão.
A vitória consagra, mas logo é esquecida.
Para Nelson, as partidas históricas eram as que doíam na alma."   
 Joaquim Ferreira dos Santos 


Meu personagem da semana  foi a coluna de Nelson Rodrigues,  de grande sucesso, no jornal O GLOBO


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Nelson ainda fez história na televisão brasileira. Participou de mesas-redondas, com comentaristas como Luis Mendes e João Saldanha e pioneiro na teledramaturgia brasileira, ao escrever, para a TV Rio, a novela "A Morta Sem Espelho". Tinha Fernanda Montenegro como protagonista e Sergio Brito como diretor. A novela entraria no ar às sete horas da noite, mas a censura fez com que a trama fosse exibida às 11 horas da noite, o que trouxe um grande prejuízo para a audiência.

É autor de muitas expressões próprias como cretino fundamental , grã-finas das narinas de cadáver, o padre de passeata, o gravatinha,  tubarão de piscina, o brasileiro sentado na sarjeta chorando lágrimas de esguicho, o óbvio ululante e o Sobrenatural de Almeida. E, também, de pensamentos personalíssimos, como

   . Eu sou anticomunista desde os onze anos. E assumo minhas posições, mesmo quando, hoje, o intelectual virou esquerda porque essa é uma maneira de o sujeito ser inteligente, de ser atual, de ser moderno e, principalmente, de se banhar na própria vaidade.

  .  Quando você vê as fotografias das passeatas - como é óbvio eram passeatas das classes dominantes - repare que não havia um preto. Não vi uma cara de operário, uma cara de assaltante de chofer, uma cara de entregador de pão. Nada disso. Tudo era gente bem plantada.

  .  Outra descoberta minha é que há épocas de débeis mentais, como esta em que vivemos. Só conheço o marxista de galinheiro, não excluindo o próprio Karl Marx, que também é marxista de galinheiro.
Nelson Rodrigues foi casado três vezes e teve seis filhos.


Curiosidade

Adorava cinema. Para ele a maior atriz , Greta Garbo e o maior ator, Charles Chaplin.
Dizia,

"Ainda não vi "bang-bang" ruim",
" tenho nostalgia de filme de vampiro" 


"Gosto pra burro da opereta da Metro".




domingo, 1 de julho de 2018

CLARICE LISPECTOR



 Em homenagem à data, celebramos esta grande escritora!

  . Rua Gustavo Sampaio, 88 - Leme   


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Nascida na Ucrânia, Clarice Lispector ( 1920 - 1977) veio recém-nascida para o Brasil e sua família se fixou, primeiramente, em Maceió, e, posteriormente, no Recife. A casa em ruínas naquela cidade pertence à Santa Casa de Misericórdia e fica ao redor da Praça Maciel Pinheiro, onde há uma estátua da autora. O imóvel foi visitado recentemente por Benjamin Moser, o ensaísta norte-americano, autor da premiada biografia “Why this world: a biography of Clarice Lispector” e organizador da coletânea “Contos Completos” (Complete Stories), que promoveu a autora nos Estados Unidos, reacendendo o interesse por sua obra.



“Clarice parece inalcançável. 
Gostamos tanto de olhar suas fotos 
porque elas nos fazem sentir
mais próximos dela. 
Ela parece ter sempre um poder 
sobre nossa imaginação”. 
Benjamin Moser

Em depoimento a Moser, Ferreira Gullar descreveu seu espanto ao vê-la pela primeira vez:
“seus olhos amendoados e verdes, as maçãs do rosto salientes, ela parecia uma loba – uma loba fascinante”.

Seu primeiro romance “Coração Selvagem” foi publicado em 1934 e sua última obra, “A Hora da Estrela”, publicado em 27 países, data de 1977, ano de seu falecimento. Sua trama traça as dificuldades da retirante nordestina Macabeia, que tenta sobreviver no Rio de Janeiro. É o título também de um filme de sucesso, dirigido por Suzana Amaral e estrelado por Marcela Cartaxo, uma atriz quase desconhecida. “Toda mulher tem sua hora de estrela”. Esta é a síntese do livro e do filme. Sucesso de público e de crítica.

Mulher de um diplomata, Clarice acompanha o marido em vários postos no exterior, tendo morado na Inglaterra, nos Estados Unidos e na Suíça. Ao se separar do marido, em 1959, retorna ao Rio de Janeiro com os dois filhos e começa a trabalhar no Correio da Manhã, assinando a coluna Correio Feminino. No ano seguinte, transfere-se para o Diário da Noite, como titular da coluna “Só para Mulheres” e lança o livro de contos “Laços de Família", que recebeu o prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro. Em 62, “A Maçã no Escuro” é aclamado o melhor livro do ano.

Clarice Lispector  foi nossa vizinha ilustre em vários endereços pela cidade do Rio de Janeiro:

1936 .........................  Rua Mariz e Barros, 258
1939.........................   Rua Lúcio de Mendonça ( atual Alberto Sabin) 36,
                                    casa 3 - Tijuca

1940.........................   Rua Silveira Martins, 76, casa 11
1943.........................   casa-se e muda-se para Rua Santa Clara, 403
1959.........................   Rua General Ribeiro da Costa, 2 apto 301
última residência......   Rua Gustavo Sampaio, 88

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escritório do apartamento da Gustavo Sampaio

Para sua biógrafa, Teresa Monteiro, Clarice vivenciou há quarenta anos questões atuais como a luta pela igualdade das mulheres, que revelam sua posição de vanguarda: era a única mulher na redação do Jornal do Brasil nos anos 90, e uma das poucas alunas mulheres na Faculdade de Direito. De volta ao Brasil, cuidou dos filhos sozinha, em uma época em que o divórcio não era aceito.

Homenageada durante a FLIP de 2005 e também durante a de 2016, Clarice recebeu importantes prêmios por sua obra, como o Carmen Colores, pelo romance “A Maçã no Escuro”, o Calunga, pelo livro infantil “O Mistério do Coelho Falante” e o da Fundação Cultural do Distrito Federal, pelo conjunto de sua obra. A obra da escritora permanece viva 40 anos após sua morte

Segundo Guimarães Rosa, “ a obra de Clarice é uma leitura para a vida e não para a literatura”.

“O que eu sinto eu não ajo.
O que ajo não penso.
O que penso não sinto.
Do que sei sou ignorante.
Do que sinto não ignoro.
Não me entendo
E ajo como se me entendesse.” 
Clarice Lispector

Em cada detalhe de sua obra, podemos perceber sua busca pelas questões universais. É essa a motivação que inspira novos leitores a desvendar seus mistérios, seja por meio dos livros relançados ou montagens de peças inspiradas em suas obras.

Em 2015, Clarice foi capa de alguns dos principais suplementos literários do mundo, como o “New York Book Review”.

Curiosidades:
. Uma outra moradora ilustre ocupa hoje o mesmo apartamento da Gustavo Sampaio: Zezé Mota.
. A outra estátua de Clarice encontra-se no Leme, na Praça Julio de Noronha, obra do escultor Edgar Duvivier, e retrata Clarice sentada em um banco, ao lado de seu amado cão Ulisses


“Comprei Ulisses quando meus filhos saíram de casa porque precisava amar outra vez uma criatura viva”, dizia a escritoraResultado de imagem para clarice lispector
Clarice e Ulisses, o último amigo, na vida e na escultura


. Nunca perdoou Tom Jobim, que lhe prometeu uma música, e não fez, gostava de contar e de ouvir piadas, era impaciente, e, também por isso, costumava “furar filas”, na maior “cara-de-pau” mesmo, em cinemas, agências bancárias, ou aonde quer que fosse. Vaidosa, nunca quis revelar a idade em entrevistas e muito menos em sua lápide. O filho Paulo, em respeito aos caprichos da mãe, obedeceu. Mas se as datas procedem, Clarice virou uma estrela resplandecente no céu (para os admiradores sempre foi) um dia antes de celebrar 57 anos, em 9 de dezembro de 1977.



terça-feira, 26 de junho de 2018

SELEÇÃO CAMPEÃ DE VIZINHOS ILUSTRES





É só clicar e passear pelos  seus universos!