segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

OSWALDO ARANHA


  . Rua Campo Belo, 199 - Laranjeiras   


Imagem relacionadaOswaldo Aranha (1894- 1960), gaúcho de Alegrete, formou-se em direito pela Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, em 1916, elegendo-se deputado federal em 27. No ano seguinte, com a posse de Getúlio Vargas no governo do Rio Grande, assumiu a pasta de secretário estadual do Interior e Justiça, dando início à sua longa carreira ao lado do caudilho.

Foi um dos principais articuladores da sucessão de Washington Luiz na presidência da República e da Revolução de 1930, que levou Vargas ao poder. Com a deposição de Washington Luiz pelos militares, Aranha negociou a transferência do poder para Getúlio, que se tornaria o mais longevo ditador do Brasil. Oswaldo Aranha assumiu, então, a pasta de Justiça e Negócios Interiores.

Político respeitado, buscava o entendimento, abrindo espaço para as soluções negociadas.

Imagem relacionadaNo final de 1931, trocou o Ministério da Justiça, onde havia promovido a anistia de todos os elementos perseguidos por questões políticas desde 1922, pelo Ministério da Fazenda. Nesta pasta, tomou medidas visando o equilíbrio orçamentário da União, renegociou a dívida externa brasileira e transferiu para o governo federal a condução da política de valorização do café, implementada através da compra de estoques excedentes do produto.

Nomeado por Getúlio para a embaixada do Brasil em Washington, em 1934, Oswaldo Aranha retornou ao Itamaraty em 1947, ao assumir o cargo de ministro das Relações Exteriores, apesar de ser um opositor ao Estado Novo. Nesta ocasião declarou:

“ Entrei para o governo não para servir o Estado Novo, mas decidido a evitar a repercussão de seus malefícios internos na situação internacional do Brasil”. 

Responsável pela entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial, ao lado dos Aliados, foi de sua autoria a costura do acordo com os americanos, apesar da resistência dos generais Eurico Gaspar Dutra e Góes Monteiro e do então ministro da Justiça, Francisco Campos, que eram simpáticos à Alemanha nazista.

Segundo o brasilianista Neill Lochery, “Aranha trabalhou para o Brasil entrar do lado certo na guerra e o país se beneficiou disso”, conseguindo vantagens extraordinárias em termos geopolíticos.

Resultado de imagem para oswaldo aranhaNa condição de chefe da delegação brasileira na Organização das Nações Unidas (ONU), Oswaldo Aranha presidiu a histórica sessão que determinou a Partilha da Palestina entre árabes e judeus e a criação do Estado de Israel, em 1947, tendo sido, neste mesmo ano, indicado ao Prêmio Nobel da Paz.








Ao morrer, em janeiro de 1960, Oswaldo Aranha deixou uma longa lista de realizações no Brasil e no exterior.

Oswaldo Aranha foi nosso vizinho ilustre no bairro de Laranjeiras, na Rua Campo Belo, 199,
próxima ao Parque Guinle. 

A casa com 950 m² hoje se encontra alugada e está à venda.



Uma Curiosidade:
Segundo seu neto Pedro Correa do Lago, seu avô é mais conhecido pelo filé que leva seu nome, do que pelo seu importante legado.

O Filé a Oswaldo Aranha é um prato típico carioca. 
Consiste em um filé mignon alto ou um contra filé, temperado com alho frito, acompanhado de batatas portuguesas, arroz branco e farofa de ovos.

O diplomata entre as décadas de 1930 e 1940, toda semana costumava almoçar no Restaurante Cosmopolita e que funciona até hoje na Travessa do Mosqueira, 4, na Lapa, Centro da cidade. Local de concentração de políticos, na época tinha o apelido de "Senadinho". Ali o diplomata costumava pedir um filé alto e pedia doses extras de alho “bem torradinho” em seu filé. O que o tornou diferenciado e acabou levando seu nome. Oswaldo Aranha também pedia o mesmo prato no Café Lamas, que na ocasião também o incorporou ao cardápio, e reivindica a paternidade do prato, alimentando uma polêmica sobre o assunto há décadas.

No Cosmopolita, o filé pesa 550 gramas e é servido na tradicional frigideira de metal.

Resultado de imagem para filé oswaldo aranha cosmopolita







quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

CARMEN MIRANDA



  . Avenida São Sebastião 131 - Urca   

Ela ficou conhecida como A Pequena Notável. Maria do Carmo Miranda da Cunha, nossa Carmen Miranda ( 1909 - 1955), nasceu em 9 de fevereiro de 1909, há 110 anos,  na freguesia de Marco de Canavezes, província de Beira-Alta, Portugal.

Sempre sonhou em ser atriz e cantora. Por isso nas horas vagas, cantava e dançava para animar pequenas festas, depois começou a se apresentar em teatros e clubes até que estreou como cantora na Rádio Sociedade.

Seu grande sucesso veio com a marcha-canção "Pra Você Gostar de Mim" (1930), que ficou conhecida por "Tai", escrita especialmente para ela por Joubert de Carvalho, que foi recorde de vendas.

Em 1933, foi a primeira mulher a assinar um contrato com uma rádio, rádio Mayrink Veiga, onde ficou até 1936, quando se transferiu para a Tupi. Transformou-se  na principal estrela do Cassino da Urca no Rio de Janeiro e suas apresentações no cassino funcionaram como passaporte para o ingresso no mundo do cinema.

Em 1936, Carmen Miranda estreou no cinema na comédia musical “Alô, Alô Carnaval”, quando cantou acompanhada da irmã Aurora Miranda, na famosa cena em que as duas cantam "Cantoras do Rádio". 



 Em 1939, Carmen Miranda brilhou na comédia-musical “Banana da Terra”, quando apareceu caracterizada de Baiana. No musical, cantou a música “O Que é Que a Baiana Tem”, de Dorival Caymmi, que virou um clássico na voz da cantora. O personagem, ela incorporou até o fim de sua vida.

Carmen Miranda 6     Carmen Miranda  Carmen Miranda - 1941 - That Night in Rio - Costume design by Travis Banton


Em 1939, surgiu a chance de fazer carreira nos Estados Unidos. A estreia de Carmen aconteceu no espetáculo musical "Streets of Paris", em Boston. Seu sucesso de crítica e público foi enorme. Sua fama não parou de crescer e, no dia 5 de março de 1940, ela se apresentou ao presidente Franklin Roosevelt durante um banquete na Casa Branca.

Também em 1940 estreou nos Estados Unidos com o filme “Serenata Tropical”. No dia 24 de março de 1941, foi a primeira sul-americana a receber uma estrela na Calçada da fama em Hollywood.

Annex - Miranda, Carmen_NRFPT_06.jpgCarmen Miranda grauman's chinese theater.jpg
Carmen Miranda calçada da fama.jpg

Em meados dos anos 40, Carmen Miranda já era a artista mais bem paga dos Estados Unidos e a mulher que mais pagava imposto de renda no país.

Carmen Miranda fez um total de 14 filmes nos Estados Unidos e seis filmes no Brasil, entre eles: “Alô, Alô Carnaval” (1936) “Uma Noite no Rio” (1941), “Aconteceu em Havana” (1941), “Minha Secretária Brasileira” (1942) e “Serenata Boêmia” (1947)

Foram 317 gravações, praticamente todas de muito sucesso, como Tico-Tico no Fubá de Zequinha de Abreu, choro imortalizado na sua voz.


Ao longo de sua carreira, Carmen Miranda teve vários namorados, entre eles o atleta Mário Cunha, o industrial Carlos Alberto da Rocha Faria, o músico Aloysio de Oliveira. Casou-se em 1947 com o norte-americano David Sebastian, que trabalhava em uma produtora de cinema. O relacionamento dos dois era bastante difícil, já que David era alcoólatra. Muitos biógrafos e estudiosos apontam que este casamento representou o começo da decadência da saúde de Carmen, que começou a beber exageradamente. Ela também usava remédios, em especial barbitúricos, para dar conta de sua extenuante agenda de compromissos, que a levaram a um esgotamento.

Voltou ao Brasil em dezembro de 1954 e ficou reclusa no Copacabana Palace Hotel durante quatro meses para tratamento. Mas as suas obrigações com produtores americanos a obrigam a voltar para os estados Unidos. Durante um desses compromissos, teve um discreto desmaio. Poucos perceberam. Voltou para sua casa em Beverly Hills onde recebeu alguns amigos. A última pessoa que deixou a casa saiu às 3 e 30 da manhã. Foram as últimas pessoas a verem Carmen Miranda com vida. Foi encontrada morta logo depois.

Nunca se naturalizou brasileira. Morreu sendo portuguesa, aos 46 anos de idade.

Carmen Miranda foi nossa vizinha ilustre 
em vários bairros da cidade do Rio. 

Todas as edificações ainda existem. Na lista abaixo, o último endereço ainda é uma residência. Com exceção do endereço de Santa Teresa, hoje uma casa em ruínas, os demais locais viraram pontos comerciais.

. Travessa do Comércio, 13 – Centro
.  Rua da Candelária, 94 ( antigo 50)  - Centro
. Rua Joaquim Silva, 53, casa 4 - Centro
. Rua Silveira Martins, 20 (antigo.12) -  Catete.
   O prédio virou o Hotel Inglês.
. Rua André Cavalcanti, 229 – Santa Teresa 
. Avenida São Sebastião, 131 – Urca



Uma curiosidade:

A correspondência amorosa e o jeito "tatibitate"  esbanjando diminutivos, “inhos” - até arrojados pra época -  enviados ao namorado, o remador do Flamengo Mário Augusto Pereira da Cunha.


Em postais ela transcreve versos, trata o namorado de “maridinho”. Era apaixonadíssima, ciumenta também, até pede que Marinho se comporte no Rio.
Carmem Miranda rompeu com Marinho, em 1932, depois de 7 anos de relacionamento.



Em tempo: a intrigante assinatura Viola Dana, às vezes, apenas as iniciais, V. D. em alguns postais, era porque Carmen se assemelhava, à época, fisicamente com a atriz norte-americana Viola Dana. 

(fotos: reprodução da internet)


terça-feira, 1 de janeiro de 2019

ANIVERSARIANTES DE JANEIRO


Festejando...


Rubem Braga
 Resultado de imagem para rubem braga

Herivelto Martins
     Resultado de imagem para herivelto martins

Durval Ferreira
  Resultado de imagem para durval ferreira bossa nova


NOSSOS VIZINHOS ILUSTRES
aniversariantes de janeiro!

Clique nas fotos e (re)veja!




sábado, 15 de dezembro de 2018

Sábado era sempre ...


... dia de SABADOYLE!

O sarau literário semanal de Ipanema, que reuniu escritores no sábado, na casa de Plínio Doyle, foi batizado com esse nome pelo poeta Raul Bopp .

Durante 34 anos, a partir de 1964, Plínio Doyle  foi o anfitrião desses encontros semanais, e em 1975, até o ex-presidente Juscelino Kubitschek marcou presença. Nas reuniões, só não se falava de política nem de religião.

Advogado e bibliófilo, Plínio Doyle tinha outro prazer: o de pesquisador. E buscava nos arquivos da Justiça autos de processos que tivessem ligação com a literatura. Foi assim que encontrou no forum do Rio de Janeiro duas pérolas: o testamento do Senador José Martiniano Pereira de Alencar, pai do romancista José de Alencar e os autos do processo criminal sobre a morte de Euclides da Cunha.

 Identificado com esse tempo de festas, existe um livro O Natal no Sabadoyle, uma edição comemorativa das atas de Natal escritas pelos frequentadores do Sabadoyle.
Desse livro, os versos finais do poema de Carlos Drummond de Andrade , que diz


"(...) Mas tenho que concluir a versalhada
antes que soe a hora da consoada,
pois é Natal, ou quase, nestas salas
em que os livros, amados, formam alas,
agradecendo, num carinho mudo,
o que por eles faz o Plínio: tudo
que se chame cuidado, zelo, amor
de desvelado colecionador,
e os convivas, em roda, tecem loas,
por todas essas coisas muito boas,
ao amigo leal, firme, sem balda,
junto à doce presença de Esmeralda."


Em tempo: Esmeralda era esposa de Plinio Doyle


Recorde mais sobre 
NOSSO VIZINHO ILUSTRE
Plínio Doyle.

Clique  na imagem abaixo







segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

ANIVERSARIANTE DE NOVEMBRO

Recorde conosco 
NOSSA VIZINHA ILUSTRE, 
aniversariante de NOVEMBRO!



CECÍLIA MEIRELLES






Resultado de imagem para CECÍLIA MEIRELES imagens sua casa


Imagem relacionada

Na biblioteca de sua casa, 
no sobrado da casa contemplando a paisagem 
ou passeando e apreciando as belezas do bairro, 
como o Largo do Boticário, 
 Cecília conviveu com o Cosme Velho.

Clique no nome e ... curta!

Bom passeio!


segunda-feira, 1 de outubro de 2018

ANIVERSÁRIO DO BLOG!







Há dois anos iniciamos este blog, e, ao longo deste tempo, foram resgatados 90 endereços de ilustres moradores de nossa cidade, suas atividades, pinceladas sobre suas biografias, e sua importância no contexto de nossa história, além de fatos pitorescos 

sobre os perfilados. 
Procuramos lançar um novo olhar 
sobre a ligação existente entre moradia e trajetória de vida. 
Entre habitat e inspiração.

“...Rua Nascimento e Silva, 107...”, como diz a canção...

Escritores, pintores, cantores, músicos, empresários, jornalistas, atores, homens e mulheres foram alvo de nossa pesquisa e de nossas escolhas. Grandes figuras de seu tempo 

que foram nossos vizinhos ilustres 
de calçada, de rua, de bairro 
e que, muitas vezes, desconhecemos.

Conquistamos leitores e seguidores e esperamos continuar merecendo sua leitura e seus comentários.


Muitos outros endereços ainda vamos relembrar!


Agradecemos  a visita de todos ao longo desse tempo,
e fica o convite pra seguirem curtindo e revendo
esses cantinhos cariocas de tanta história.




sexta-feira, 14 de setembro de 2018

DJANIRA



  . Rua Almirante Alexandrino, 2603 - Santa Teresa   


Resultado de imagem para condomínio Vila Jardim Cecília – Santa. Teresa onde morou djanira
De origem humilde, nascida em Avaré, interior paulista, descendente de imigrantes austríacos e neta de índios guaranis, Djanira (1914-1979) mudou-se ainda criança com a família para Porto União, em Santa Catarina. Ao regressar à sua cidade natal, trabalhou nos cafezais da região e suas lembranças da gente simples do campo foram projetadas em seus quadros.


Na foto com seu cão Horácio

Ao se instalar em Santa Teresa, no Rio de Janeiro, em 1939, adquiriu a Pensão Mauá, que se tornou local de convívio de diversos artistas e intelectuais da época. Em 1940, Djanira passou a ter aulas com os pintores Emeric Marcier e Milton Dacosta, seus hóspedes na pensão. Nesse mesmo ano, passou a frequentar o curso noturno do Liceu de Artes e Ofícios.

Pintora autodidata, buscava inspiração em cenas do cotidiano e nas paisagens brasileiras e reproduziu em sua pintura, de maneira singela e poética, a paisagem nacional em um estilo chamado de arte primitiva, com linhas e cores simplificadas. Em sua obra coexistem uma diversidade de cenas, como as festas folclóricas, as temáticas religiosas, o cotidiano dos tecelões, os colhedores de café, os batedores de arroz e os vaqueiros.

Comparada à Portinari, Djanira representou com perfeição a alma brasileira.

Pintora, desenhista, ilustradora e cenógrafa, Djanira foi a primeira artista latino-americana a ser representada no Museu do Vaticano, com a obra "Sant’Ana de Pé". É de sua autoria também o mural "Candomblé", encomendado por Jorge Amado para sua casa em Salvador, além do painel “Santa Bárbara”, com 130 m2, primeiramente instalado no Túnel Santa Bárbara, em Laranjeiras, e, posteriormente transferido para o Museu Nacional de Belas Artes.


Resultado de imagem para djanira

Djanira visitando o interior do Túnel Santa Bárbara onde inicialmente foi instalado seu painel

Resultado de imagem para painel Santa Bárbara Djanira
O painel Santa Bárbara, o maior painel do Brasil, atualmente no Museu Nacional de Belas Artes

Muito religiosa, em 1963, entrou para a Ordem Terceira Carmelita, da qual recebeu o hábito com o nome de Irmã Teresa do Amor Divino. Em 1972, recebeu um diploma e uma medalha do Papa Paulo VI.

Djanira
foi nossa vizinha ilustre em Santa Teresa,
no condomínio Vila Jardim Cecília, à Rua Almirante Alexandrino, 2603. 



O carrinho azul é um monotrilho dos moradores da vila

No apartamento onde morou , Djanira produziu a maioria de suas pinturas, gravuras e desenhos.

Depois de sua morte, mais de 800 obras foram doadas ao Museu Nacional de Belas Artes – MNBA, enquanto parte do acervo permaneceu com o viúvo, o poeta e historiador José Shaw de Motta e Silva, o Motinha e com Rachel Trompowsky Taulois da Motta e Silva, amiga de Djanira e que se casou com Motinha após a morte da pintora.


Imagem relacionada

“Djanira fazia uma arte popular, 
mas com uma sofisticação única, 
de forma semelhante ao que 
Pixinguinha fez na música. 
Era uma artista única”.
                                          galerista Evandro Carneiro


Djanira da Motta e Silva faleceu no Rio de Janeiro, no dia 31 de maio de 1979.


sábado, 1 de setembro de 2018

JULIA LOPES DE ALMEIDA



  . Rua Joaquim Murtinho, 587 - Santa Teresa   

Júlia Lopes de AlmeidaNo grupo de escritores e intelectuais que se mobilizaram para criar a ABL, uma grande figura da Literatura Nacional daquele tempo ficou de fora por um pequeno detalhe, e não foi a língua, foi a saia. A carioca Júlia Lopes de Almeida (1862 - 1934), aniversariante de setembro, ficou de fora desse “panteão” por causa desse pequeno detalhe: era mulher. 

A História se esqueceu de contar a trajetória de escritores mulheres. Júlia, por exemplo, escreveu romances e peças de teatro além de livros infantis, fazendo muito sucesso na sua própria época. Também escreveu para diversos jornais e revistas, como a Gazeta de Campinas, A Semana, A Mensageira.

Júlia teve uma carreira de escritora e jornalista de mais de 40 anos. Ela defendia a educação feminina, o divórcio e a abolição da escravatura. Já preocupada com a questão do cuidado, ela defendia também a instalação de creches, naquela época. Apontada por umas como feminista e por outras como uma mera reprodutora da ideologia dominante da época. 

Desde cedo mostrou forte inclinação pelas letras, embora no seu tempo de moça não fosse de bom-tom nem do agrado dos pais, uma mulher dedicar-se à literatura. Inicia seu trabalho na imprensa aos 19 anos, em A Gazeta de Campinas, numa época em que a participação da mulher na vida intelectual é rara e incomum. Três anos depois, em 1884, começa a escrever também para o jornal carioca O País, numa colaboração que dura mais de três décadas. Mas é em Lisboa, para onde se muda em 1886, que se lança como escritora.

De volta ao Brasil, em 1888, logo publica seu primeiro romance, Memórias de Marta, que sai em folhetins em O País.

Seu estilo é marcado pela influência do realismo e do naturalismo francês, e uma das suas crônicas veio a inspirar Artur Azevedo ao escrever a peça O dote. Júlia era chamada de A George Sand Brasileira e foi uma das poucas a participar, no início do século XX, da série de conferências, inaugurada por Coelho Neto e Olavo Bilac, que gerou inúmeras polêmicas sobre o papel da mulher na sociedade brasileira.

Em entrevista ao escritor João do Rio, o marido de Júlia,  o poeta e teatrólogo português Filinto de Almeida confessou

"Há muita gente que considera D. Júlia 
o primeiro romancista brasileiro.
Pois não é? 
Nunca disse isso a ninguém,
mas há muito que o penso. 
Não era eu quem deveria estar na Academia,
era ela."

Mulher à frente de seu tempo, Júlia com uma linguagem leve, simples, cativou seu público, escreveu e publicou mais de 40 volumes entre romances, contos, narrativas, literatura infantil, crônicas e artigos. Foi abolicionista e republicana além de mostrar, em suas obras, idéias feministas e ecológicas.
Em duas fases da vida, no início do seculo XX e ao final da vida, nos anos 1930.
"Por que não o hei de enganar do mesmo modo? Em consciência, não há homens nem mulheres: há seres com iguais direitos naturais, mesmas fraquezas e iguais responsabilidades...Mas não há meio dos homens admitirem semelhantes verdades. Eles teceram a sociedade com malhas de dois tamanhos – grandes para eles, para que seus pecados e faltas saiam e entrem sem deixar sinais; e extremamente miudinhas para nós."

Júlia Lopes de Almeida, em “Eles e elas”. 2ª ed., Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1922, p. 137.



Júlia Lopes de Almeida foi nossa vizinha ilustre na Rua Joaquim Murtinho, 587, em Santa Teresa,  onde os saraus literários e musicais que promovia junto com Filinto, nos salões de casa, reuniam artistas como o pintor Eliseu Visconti, escritores como Aluísio Azevedo e poetas como Olavo Bilac.

A casa nos dias atuais se encontra bem preservada


Julia em seu escritório


quarta-feira, 15 de agosto de 2018

DUQUE DE CAXIAS



  . Rua Frei Caneca, 4 - Centro   

Resultado de imagem para duque de caxias

Luiz Alves de Lima e Silva, o Duque de Caxias (1803 - 1880), nasceu na fazenda de São Paulo, Vila de Porto da Estrela, na Capitania do Rio de Janeiro, quando o Brasil era Vice-Reino de Portugal. Hoje, é o local do Parque Histórico Duque de Caxias, no município de Duque de Caxias, estado do Rio de Janeiro.

Pouco se sabe da infância de Caxias. Nasceu na Rua das Violas, atual rua Teófilo Otoni, rua onde existiam fabricantes de violas e violões e onde se reuniam trovadores e compositores, e que foi o cenário principal da infância de Caxias. Estudou no Convento São Joaquim, onde hoje se localiza o Colégio D.Pedro II. Em 1818, aos quinze anos de idade, matriculou-se na Academia Real Militar e em outubro de 1822, no Campo de Santana, coube a ele, já tenente , receber das mãos do Imperador D. Pedro I a bandeira do Império recém-criada, na Capela Imperial, em 10 de novembro de 1822.

Sua bravura e competência como comandante e líder na Campanha da Cisplatina, o combate ao movimento da Balaiada o fazem merecedor de condecorações e título nobiliárquico sob o título de Caxias, que "significava disciplina, administração, vitória, justiça, igualdade e glória".

Sempre marcou sua presença pela simplicidade, humanidade e altruísmo com que conduzia suas ações. Seus atos de bravura, de magnanimidade e de respeito à vida humana, conquistaram a estima e o reconhecimento dos adversários.

"Abracemo-nos para marcharmos, 
não peito a peito, 
mas ombro a ombro, em defesa da Pátria, 
que é a nossa mãe comum".


O tino militar de Caxias atinge seu ápice nas batalhas da Campanha contra o Paraguai, cuja liderança atinge a plenitude no seu esforço para concitar seus homens à luta na travessia da ponte sobre o arroio Itororó , onde diz a célebre frase "Sigam-me os que forem brasileiros".

Prestou ao Brasil mais de 60 anos de excepcionais e relevantes serviços como político, administrador público de contingência e, inigualados, como soldado de vocação e de tradição familiar, a serviço da unidade, da paz social, da integridade e da soberania do Brasil Império. 

Em 25 de agosto de 1923, a data de seu aniversário natalício passou a ser considerada como o Dia do Soldado do Exército Brasileiro.

Foi casado com dona Anna Luiza Carneiro Viana de Lima, teve duas filhas Luiza e Anna. Em 1874, aos 71  anos, fez um testamento breve, em que dizia


" ... Recomendo a estes que quero que meu enterro seja feito, sem pompa alguma... Não desejo mesmo, que se façam convites para o meu enterro, porque os meus amigos que me quizerem fazer este favor, não precisam dessa formalidade e muito menos consintam os meus filhos que eu seja embalsamado.
... dispenso as honras fúnebres que me pertencem como Marechal do Exército...
...Declaro que deixo ao meu criado, Luiz Alves, quatrocentos mil réis e toda a roupa do meu uso.
...Deixo ao meu amigo e companheiro de trabalho, João de Souza da Fonseca Costa, como sinal de lembrança, todas as minhas armas, inclusive a espada com que comandei, seis vezes, em campanha, e o cavalo de minha montaria, arreado com os arreios melhores que tiver na ocasião da minha morte.
...Deixo à minha irmã, a Baroneza de Suruhi, as minhas condecorações ...e a meu irmão, ...meu candieiro de prata, que herdei do meu pai.
...Deixo meu relógio de ouro com a competente corrente ao Capitão Salustiano de Barros Albuquerque, também como lembrança pela lealdade ...
...Deixo à minha afilhada Anna Eulália de Noronha, casada com o Capitão Noronha, dois contos de réis. Cumpridas estas disposições, que deverão sair da minha terça, tudo o mais que possuo será repartido com as minhas duas filhas Anna e Luiza, acima declaradas...."
Duque de Caxias  foi nosso vizinho ilustre no Centro e na Tijuca.
. no Centro, à rua Rua Frei Caneca, 4, na esquina com a Praça da República, prédio que mandou construir, com janelas em forma de sacadas, do piso ao teto, o que era comum naquela época.
O segundo andar foi transformado em um clube de dança em 1930, por um empresário português chamado Júlio Simões, com o nome de Elite Club. Posteriormente o proprietário veio a mudar o nome e se transformou na famosa Gafieira Elite.



. na Tijuca, em um palacete na Conde de Bonfim, 186entre as ruas Conselheiro Zenha e Visconde de Figueiredo, por quase meio século. Ele foi demolido e em seu local foi construída a MESBLA - Tijuca, depois de ali funcionar por muitos anos o Colégio La Fayette (feminino). Atualmente  existe um supermercado Extra.



No dia 7 de maio de 1880, às 20 horas e 30 minutos, fechava os olhos para sempre aquele bravo militar e cidadão que vivera no seio do Exército para glória do próprio Exército e do país

No dia seguinte, em trem especial, chegava na Estação do Campo de Santana o seu corpo, vestido com o seu mais modesto uniforme de Marechal de Exército, trazendo ao peito apenas duas das suas numerosas condecorações, as únicas de bronze: a do Mérito Militar e a Geral da Campanha do Paraguai, tudo consoante suas derradeiras vontades expressas. Foi enterrado no cemitério do Catumbi.

Em 1949, os restos mortais de Duque de Caxias e sua esposa, após os corpos terem sido exumados no Cemitério do Catumbi, foram levados para a Igreja de Santa Cruz dos Militares onde foi realizada uma missa. Dois dias depois, em comemoração ao Centenário do Nascimento de Duque de Caxias, em 25 de agosto, os restos mortais foram levados para o Pantheon onde ficaram em descanso eterno. O Pantheon foi construído para essa comemoração.
A imagem pode conter: atividades ao ar livre

Rua Catumbi, o cortejo levando os restos mortais de Duque de Caxias, em 1949



quarta-feira, 1 de agosto de 2018

PAULO BITTENCOURT e AUGUSTO RODRIGUES

Uma das notícias mais alvissareiras publicadas em 2018, foi a compra, restauração e futura revitalização das casas que compõem o Largo do Boticário, no Cosme Velho (na altura do número 822), por uma rede de hotéis, que ali instalará um complexo hoteleiro moderno, a ser inaugurado em 2020.



O Largo do Boticário é um dos poucos lugares da cidade onde se pode ver o rio Carioca correr a céu aberto. Próximo ao Largo podem ser encontrados ainda outros marcos históricos do bairro do Cosme Velho como o Solar dos Abacaxis e a casa de Roberto Marinho.

Resultado de imagem para paulo bittencourt casa do largo do boticário

O nome do Largo deriva de Joaquim Luís da Silva Souto, boticário que comprou terrenos no Cosme Velho e mudou-se para o local por volta de 1831. Em 1846, ali viveu o marechal Joaquim Alberto de Souza Silveira, frequentador da corte e padrinho de nascimento de Machado de Assis.

A definitiva feição do Largo começou a ser dada nos anos 20, quando Edmundo Bittencourt comprou o terreno e começou a construir as nove casas em estilo neocolonial. O estilo foi mantido nas décadas de 30 e 40 pelo diplomata e colecionador de arte Rodolfo da Siqueira, que era arquiteto amador e viveu no Largo entre 1928 e 1941, e por Paulo Bittencourt e sua primeira mulher Sylvia de Arruda Botelho Bittencourt, herdeiros do Correio da Manhã. Algumas destas casas foram reformadas com a supervisão dos arquitetos Lucio Costa e Gregori Warchavchik, utilizando materiais autênticos da época colonial, provenientes de demolições realizadas na cidade.

Das seis casas do Largo do Boticário, duas foram ocupadas por moradores ilustres, que ali residiram e ligaram suas vidas à própria história da cidade: 
Paulo Bittencourt  e  Augusto Rodrigues
cujos perfis destacamos neste mês.



PAULO BITTENCOURT

  . Largo do Boticário, casa 20   

Resultado de imagem para paulo bittencourt correio da manhãPaulo Bittencourt (1895-1963) nasceu no Rio de Janeiro, então Distrito Federal, e morreu em  Estocolmo, na Suécia. Seu pai, o jornalista Edmundo Bittencourt, foi o fundador do jornal Correio da Manhã, em 1901, um dos mais importantes periódicos da antiga capital da República.






Cursou a Universidade de Cambridge, na Inglaterra, e a Faculdade de Ciências Jurídicas e Sociais do Rio de Janeiro, bacharelando-se em 1918. Integrou em 1919 a delegação brasileira à Conferência de Paz de Versalhes e começou a trabalhar por essa época no jornal de seu pai, onde viria a ser redator-chefe e articulista.

Paulo Bittencourt foi nosso vizinho ilustre no casarão de número 20 do Largo do Boticário. Projetado pelo arquiteto Lucio Costa e erguido em 1937, o casarão de estilo colonial e cor rosa, é tombado pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural. A mansão tem jardins projetados por Burle Marx e, como quintal, parte da Floresta da Tijuca. Na entrada há um grande portal, ladeado por antigas colunas de granito rescaldadas de antigas casas demolidas, umaescadaria helicoidal que liga a área social com a familiar, que originalmente tinha degraus em mármore rosa, é feita em madeirame e leva ao salão nobre da antiga mansão, uma sala ampla com a galeria superior, em cujas paredes estavam expostas as obras de arte da família Bittencourt.  Os dias de auge foram nos anos 60 e 70, quando passaram por seus salões inúmeras personalidades brasileiras e estrangeiras, atraídas pelas festas e reuniões realizadas pelos ilustres moradores. 




A jornalista Sylvia Bittencourt, conhecida como Dona Majoy, faleceu no 30 de janeiro de 1995, no Largo do Boticário, em sua casa de número 20, onde ela continuou a residir após sua separação de Paulo Bittencourt. Niomar Moniz Sodré, segunda mulher de Paulo Bittencourt, sucedeu-o na direção do Correio da Manhã, após sua morte até o fechamento do jornal em 1974.

Em 2010, a casa rosa foi palco da mostra de decoração Casa Cor.



AUGUSTO RODRIGUES

  . Largo do Boticário, casa 1  


Resultado de imagem para augusto rodrigues
Foi  a casa de Augusto Rodrigues (1913 – 1993) educador, pintor, desenhista, gravador, ilustrador, caricaturista, fotógrafo e poeta. Augusto Rodrigues nasceu no Recife em 1913, tendo realizado sua primeira exposição individual, aos 20 anos, no Recife, iniciando suas atividades como ilustrador e caricaturista no Diário de Pernambuco.

Ao lado de Guignard e Candido Portinari, dentre outros artistas, expôs, pela primeira vez, em 1934, na Associação dos Artistas Brasileiros, no Rio de Janeiro, transferindo-se no ano seguinte para nossa cidade e tornando-se colaborador de jornais e de revistas como O Estado de S. Paulo e O Cruzeiro e participando da fundação e do planejamento dos jornais Folha Carioca, Diretrizes e Última Hora.
Nas diversas atividades artísticas desenvolvidas por Augusto Rodrigues, uma característica comum é sua permanente preocupação com a função da arte. Defendia ser esta a forma pela qual a cultura se manifesta mais significativamente, daí a importância de difundi-la.

Com a colaboração de Lúcia Alencastro, Oswaldo Goeldi, Vera Tormenta, Fernando Pamplona e Humberto Branco, fundou, em 1948, a Escolinha de Arte do Brasil.

A criação da Escolinha de Arte do Brasil - primeira do gênero no país - é um exemplo do empenho de Rodrigues em renovar os métodos da educação artística para crianças e adultos. Com base nas ideias do historiador e crítico de arte Herbert Read, procurou incluir, no processo de ensino, pesquisas poéticas que estimulassem a criança a desenvolver sua própria singularidade. Essa iniciativa torna-se importante referência para o desenvolvimento da arte-educação no Brasil.

Augusto Rodrigues foi nosso vizinho ilustre na casa n° 1, do Largo do Boticário, que tinha jardins de Burle Marx
casa de Augusto Rodrigues, a casa amarela à esquerda


Ali foram feitas cenas internas do filme “007 contra o foguete da morte” e inúmeras novelas.


Augusto Rodrigues vestia-se de maneira informal, gostava de passarinhos, dos amigos, e de casa cheia. Era um galanteador, un bon vivant e trazia para seus trabalhos a liberdade dos traços que buscavam integrar pintura e desenho. Entre seus temas, a mulher era personagem constante, e, significativa também, a presença de elementos ligados à cultura popular pernambucana, como o frevo e a dança de roda.

O artista participou de importantes mostras e exposições no Rio e em São Paulo, tendo obtido o prêmio de viagem ao exterior na categoria desenho, no 2º Salão Nacional de Arte Moderna. Publicou também livros de poesia: 27 Poemas e A Fé entre os Desencantos, ambos na década de 70.

Em 1989, lançou Largo do Boticário - Em Preto e Branco, com 80 fotografias tiradas no decorrer dos anos em que morou no local.

sábado, 14 de julho de 2018

NELSON RODRIGUES



  . Avenida Atlântica, 720 - Leme   

Também neste mês do escritor, vamos falar de outro vizinho ilustre  do bairro do Leme que por lá morou de frente pro mar: Nelson Rodrigues (1912-1980)


Foi o jornalista, escritor que revolucionou o teatro brasileiro ao explorar a vida cotidiana do subúrbio carioca, com diálogos carregados de tragédia e humor. Pernambucano, veio criança pro Rio de Janeiro e com 13 anos já trabalhava como repórter policial no jornal “A Manhã”, o jornal fundado por seu pai. Os muitos anos nessa atividade lhe deram vasta experiência que usou para escrever suas peças teatrais.

O sucesso veio em 1943, com Vestido de Noiva, sua segunda peça, direção de Ziembinsky, montada no Theatro Municipal, que marcou o surgimento do teatro brasileiro moderno.

Evangelina Guinle, conhecida como Lina Grey, Stella Perry e Maria Barreto Leite,
na montagem de 1943

“Perdoa-me Por Me Traíres”, “Boca de Ouro”,“O Beijo no Asfalto”, “Bonitinha, Mas Ordinária”, “Toda Nudez Será Castigada”, “A Dama do Lotação” são alguns dos títulos que compõem seu universo das peças.

A partir de 1962 começou a escrever crônicas esportivas onde expôs sua paixão pelo futebol e pelo seu time, o Fluminense.

"Ele não entenderia por que os locutores de hoje na televisão,
em meio à leitura compenetrada do que vai pelo mundo,
abrem imediatamente um sorriso infantil
quando passam às notícias de futebol. Será que acham o futebol um show divertido?
Para Nelson Rodrigues, qualquer pelada era um drama.
O futebol nos textos de Nelson Rodrigues é a tragédia,
o horror, o sofrimento e a compaixão.
A vitória consagra, mas logo é esquecida.
Para Nelson, as partidas históricas eram as que doíam na alma."   
 Joaquim Ferreira dos Santos 


Meu personagem da semana  foi a coluna de Nelson Rodrigues,  de grande sucesso, no jornal O GLOBO


Resultado de imagem para meu personagem da semana nelson rodrigues

Nelson ainda fez história na televisão brasileira. Participou de mesas-redondas, com comentaristas como Luis Mendes e João Saldanha e pioneiro na teledramaturgia brasileira, ao escrever, para a TV Rio, a novela "A Morta Sem Espelho". Tinha Fernanda Montenegro como protagonista e Sergio Brito como diretor. A novela entraria no ar às sete horas da noite, mas a censura fez com que a trama fosse exibida às 11 horas da noite, o que trouxe um grande prejuízo para a audiência.

É autor de muitas expressões próprias como cretino fundamental , grã-finas das narinas de cadáver, o padre de passeata, o gravatinha,  tubarão de piscina, o brasileiro sentado na sarjeta chorando lágrimas de esguicho, o óbvio ululante e o Sobrenatural de Almeida. E, também, de pensamentos personalíssimos, como

   . Eu sou anticomunista desde os onze anos. E assumo minhas posições, mesmo quando, hoje, o intelectual virou esquerda porque essa é uma maneira de o sujeito ser inteligente, de ser atual, de ser moderno e, principalmente, de se banhar na própria vaidade.

  .  Quando você vê as fotografias das passeatas - como é óbvio eram passeatas das classes dominantes - repare que não havia um preto. Não vi uma cara de operário, uma cara de assaltante de chofer, uma cara de entregador de pão. Nada disso. Tudo era gente bem plantada.

  .  Outra descoberta minha é que há épocas de débeis mentais, como esta em que vivemos. Só conheço o marxista de galinheiro, não excluindo o próprio Karl Marx, que também é marxista de galinheiro.
Nelson Rodrigues foi casado três vezes e teve seis filhos.


Curiosidade

Adorava cinema. Para ele a maior atriz , Greta Garbo e o maior ator, Charles Chaplin.
Dizia,

"Ainda não vi "bang-bang" ruim",
" tenho nostalgia de filme de vampiro" 


"Gosto pra burro da opereta da Metro".